domingo, 11 de novembro de 2007

UGLY BETTY, CHUCKY E DAWSON'S CREEK

Hoje duas séries garantiram temporada completa na minha programação. A primeira delas, nada mais é do que a versão norte-americana de uma novela colombina já exibida no Brasil. Estrelada por America Ferrera (QUATRO AMIGAS E UM JEANS VIAJANTE), UGLY BETTY mostra-se de cara uma série exageradamente caricata e repleta de clichês. E o melhor; tudo feito propositalmente! Em UGLY BETTY cada detalhe é extremamente bem marcado; os personagens estereotipados, o arco dramático do episódio, a trilha sonora presente a todo instante (com direito a violinos nos momentos de forte emoção). Tudo com cara de novela, mas infinitamente mais exagerado, buscando transcender o realismo e dando a série um ar de conto de fadas kitshy.
Logo no primeiro episódio, os papéis são bem definidos; Betty é uma versão cafona da gata borralheira, o mocinho playboy o príncipe encantando idealizado, a tal Wilhelmina a madrasta má, etc, etc, etc... Há também referências bem humoradas (como quando um personagem diz que Betty e algumas colegas de trabalho são a versão feia de SEX AND THE CITY), além de um apelo visual irresistível vindo a da direção de arte (os figurinos são ótimos e engraçados; Betty vestida com uma bata estampada de Guadalajara me fez rir por alguns bons minutos).
Resumindo, UGLY BETTY é uma versão despretensiosa e cafona do filme O DIABO VESTE PRADA, uma série que não tem medo de se “auto-ridicularizar”, uma série que não se leva a sério. E é justamente isso que faz tudo ficar tão mais divertido.


A segunda do dia foi CHUCKY, e confesso que preciso me segurar para não chamar Josh Schwartz de gênio. Em CHUCKY, Schwartz utiliza-se de elementos que fizeram de seu trabalho antecessor (a badalada THE OC) um sucesso: diálogos espertos, personagens carismáticos e uma trilha sonora pop (elementos também presentes em GOSSIP GIRL). Adicionam-se à receita ótimas cenas de ação e um clima de pastelão impagável e pronto, CHUCKY têm lugar garantido na minha programação (nas reprises, pois a exibição oficial bate com o horário de UGLY BETTY). Agora, é torcer para que a greve dos roteiristas não dure muito, pois a série ainda não tem todos os episódios escritos, e pode ser encurtada por conta disso.

Fora essas duas, vi dois episódios da segunda temporada de DAWSON’S CREEK (o quinto e o sexto). Gosto da série, acho bonitinha, mas confesso que há algumas coisas que me incomodam, principalmente o fato de alguns personagens bastante próximos praticamente não interagirem uns com os outros. Foi assim no começo da primeira temporada, quando os melhores amigos Dawson (James Van Der Beek) e Pacey (Joshua Jackson) praticamente não se encontravam em cena já que Dawson corria atrás da nova vizinha Jen (Michelle Williams), enquanto Pacey ocupava-se tendo um caso com a professora de inglês (enquanto isso, Joey ficava pelos cantos chorando por Dawson, o que me dava uma vontade louca de entrar na televisão e traze-la para minha casa. Infelizmente, Tom Cruise chegou antes). Oras, se a amizade dos dois é tão forte, por que não vimos isso logo no início da série, quando nos são apresentados os personagens? A impressão que dá, é que os roteiristas foram com muita sede ao pote e trouxeram logo de cara um monte de situações de conflito, sem se preocupar em nos apresentar a pequena Capeside e seus moradores.
Algo semelhante ocorre na relação de Dawson com os pais. Não sei se eu fui mal acostumado com os Cohen (que estavam sempre ali ao lado de Seth e Ryan), mas o fato é que os Lerry passaram a primeira temporada toda mais preocupados com os problemas próprios do que com o filho. Pois bem, nesta nova temporada eles resolveram enfim se preocupar com Dawson fazendo uma vigilância cerrada para que ele e Joey não mantenham uma vida sexual. Convenhamos, um pouco tardia essa preocupação, já que a garota dorme desde o começo da série no quarto do amigo/namorado.
Por fim, os irmãos Andie (Meredith Monroe) e Jack (Kerr Smith), que, salvo o engano, contracenaram juntos hoje pela primeira vez, no sexto episódio da temporada. Alias, com Joey (Katie Holmes) cada vez mais chata (estou odiando essa crise existencial que ela anda passando), Andie desponta como uma das melhores coisas do seriado.
Enfim, nesse começo de segunda temporada, vemos o fim do casamento dos Lerry, Jen voltando a ser uma bitch, Dawson sendo Dawson (ou seja, alternando momentos racionais com outros onde ele é um verdadeiro palerma) e Joey numa crise existencial adolescente chatíssima, que eu só relevo mesmo por ser a Katie Holmes.

Maiores detalhes e informações no próximo post.


por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

sábado, 10 de novembro de 2007

PLANETA TERROR


Zumbis famintos por carne humana, litros e litros de sangue película afora e, é claro, mulheres lindíssimas cujo número de armas é inversamente proporcional ao número de peças de roupas. Não, não estou falando de mais um filme da irregular franquia RESIDENT EVIL, e sim de PLANETA TERROR, uma homenagem do diretor Robert Rodriguez aos filmes trash da década de 70.
Concebido como a primeira parte do projeto GRINDHOUSE (a segunda é À PROVA DE MORTE, de Quentin Tarantino), PLANETA TERROR traz aquilo que todo bom filme de horror B deve apresentar, ou seja, pouca história, personagens bem marcados e sustos e mais sustos regados à base de muita carnificina.
O resultado é uma narrativa frágil, como era de se esperar, mas nem por isso menos divertida, graças aos marcadores do gênero presentes a todo instante na tela: a começar pelos letreiros amarelos, passando pela trilha sonora ultrapassada, até chegar a uma legião de personagens clichês (o médico psicopata, a “enfermeira” sexy e perigosa, a stripper injustiçada), defendidos por interpretações bastante caricatas.
Resumindo, aquilo que faria de qualquer outro companheiro do gênero um filme ruim, faz de PLANETA TERROR uma obra despretensiosa e divertida que transforma supostas deficiências técnicas em linguagem: durante a projeção há inúmeros efeitos que nos dão a impressão de sujeira na película e película queimada, além da sacada genial do letreiro nos comunicando a falta de um dos rolos em meio ao filme, fazendo com que a narrativa dê um salto no mínimo interessante.
Com participações de Bruce Willis (DURO DE MATAR 4.0) e Naveen Andrews (LOST), PLANETA TERROR é protagonizado pelo ótimo trio formado pela bela Rose McGowan (CHARMED), uma stripper que tem a perna substituída por uma metralhadora, Marley Shelton (SIN CITY), uma médica anestesista sexy e misteriosa, e Freddy Rodriguez (SIX FEET UNDER), que com uma interpretação canastrona, dá vida à El Wray, um típico mocinho fora-da-lei.
Completando a diversão, uma cena de sexo digna do Cine Band Privé, além de um falso trailer, dirigido pelo próprio Rodriguez, parodiando filmes de ação dos anos 70.
PLANETA TERROR deve agradar principalmente aos fãs dos extintos cinemas Grindhouse (salas especializadas em filmes de horror trash), afinal, cumpre com êxito aquilo a que se propõe. Sua única ressalva está na violência exagerada utilizada nas matanças filme a fora (aliás, muito bem-feitas para uma obra que propõe mimetizar o cinema trash), que certamente não agradará àqueles com um estômago mais frágil.


por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

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FOX exibindo CLUBE DA LUTA, TELECINE, CASSINO ROYALE, enquanto a Warner passa O APANHADOR DE SONHOS. Isso sim é que eu chamo de concorrência desleal...

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

A NOVA "OC" GOSSIP GIRL, THE BEST YEARS E A GREVE DOS ROTEIRISTAS

Ontem, no auge do meu entusiasmo por HOUSE, acabei me esquecendo de comentar duas estréias que assisti na Warner e na Sony (ou pelo menos parte delas). Primeiro, vi os últimos 15 minutos de GOSSIP GIRL (Warner), a nova série de Josh Schwartz, que na verdade é bem parecida com THE OC, também de Josh. Tanto que na cena em que Blair conversa com a mãe, juro que vi Julie Cooper dando “conselhos” para a chatonilda da Marissa num dos primeiros episódios de OC. Até mesmo os argumentos das mães eram parecidos (algo do tipo “aproveite enquanto é jovem, bonita, rica e popular”). Talvez acabe me rendendo à série (sou um órfão de THE OC, embora esteja assistindo DAWSON’S CREEK e tenha baixado SKINS), mas a primeira vista, faltam os diálogos bem acabados, os personagens carismáticos e o bom humor que fizeram de THE OC um sucesso. Resumindo, falta Seth a GOSSIP GIRL. E Summer. E Taylor. E Julie. E os Cohen... (*&%$#! Por que THE OC tinha que acabar?).
Mudando da Warner para a Sony, vi o primeiro episódio de... (A série me marcou tanto que esqueci o nome)... Pronto! Lembrei! THE BEST YEARS, a história de uma órfã que vai para a universidade. Uma série bem certinha, bem convencional e bem dispensável, daquelas para se ver como última opção. E a julgar pelo número de episódios (13), deve fazer parte da mid-season americana. Ou seja, provavelmente ficará de fora da minha programação.
Para fechar o post, uma foto do elenco de UGLY BETTY numa passeata de apoio à greve dos roteiristas. Minha opinião sobre o assunto? É hora de eles contratarem mão-de-obra latina (risos). Ok, ok; eu sei que pessoas como eu desmerecem a classe, mesmo porque eu nem ao menos pertenço a ela (ainda)! Só espero que tudo acabe bem, e o mais importante, RÁPIDO, pois rolam boatos que caso a greve se prolongue demais, coisas bobinhas como LOST só em 2009! (e eu definitivamente não sei se agüento tanto assim).

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

E DEUS DISSE: "GUARDAI AS QUINTAS DE FESTA". POR QUÊ? DESCUBRA ABAIXO...

Quinta-feira é dia sagrado. Pelo menos para mim. O por quê de tanta devoção? É simples: quinta-feira é dia de sessão dupla de HOUSE. E hoje finalmente assisti ao tão comentado episódio em que o médico mais ranzinza da televisão (usando uma descriçãozinha bem clichê para um personagem que vai muito além do mau-humor) encontra alguém tão cretino quanto ele próprio (em negrito pois é justamente este o nome do episódio). É sempre interessante ver House ser desafiado por alguém, algo que, como dito no episódio, acontece pouco, já que Cameron o ama, Chase o teme, Wilson o considera um amigo e Cudy é sempre contrariada pelo médico quando tenta lhe impor limites. Restam Foreman, que como ficou constado, está prestes a deixar a equipe, e, especialmente neste episódio, um menino de caráter duvidoso, que de tão pentelho que é até a mãe deixou de suportar. Um personagem no mínimo interessante para encarar House, e que, sobretudo, foge do estereótipo dos pacientes bonzinhos que passam pelas mãos do médico (especialmente em se tratando de adolescentes). O resumo da ópera, um episódio bem elaborado, com ótimas sacadas, diálogos espertos, uma trama bem definida e uma subtrama tão eficiente quanto a principal (Quem sabotou Foreman?).
O segundo episódio não passou do mediano. Já explico: é que terminado o episódio da Universal, mudo de canal correndo para ver a exibição da Record, que exibe episódios da 2ª temporada dublados, o que para mim, já faz perder boa parte da graça. Mas a ânsia para ver mais uma hora do mau-humor de House (e conseqüentemente, da beleza da Doutora Cameron) fala mais alto e me faz engolir até mesmo a dublagem mal-feita. (Não desmerecendo a Record que ao menos transmite a série num horário mais ou menos decente, e não as 3:30 da manhã...).
Sobre o episódio, uma trama apenas regular, com direito a uma família de imigrantes mexicanos totalmente estereotipada; enfim, nada que se compare aos melhores momentos da série. Vale mesmo é pelo fato de centrar-se na Doutora Cudy, dando maior dimensão a uma personagem que certamente não está ali apenas para contrariar House.

Bom, por hoje é só! Agora vocês sabem porque as quintas-feiras eu durmo mais feliz, e sobretudo, sabem que não devem ligar ou fazer visitas entre as 23:00 e a 01:00 deste dia.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

PENSAMENTOS ALEATÓRIOS: COISAS COMO VERÔNICA MARS, FANTASIA E CARLA PEREZ

Que comecinho de semana, hein! Primeiro o costumeio trajeto de ônibus Bauru-Curitiba (cerca de 8 horas de viagem), seguido por um trabalho sobre a Atlântida feito em tempo recorde de 30 minutos, um roteiro (ou pelo menos o começo dele) escrito as pressas durante a madrugada, um batalhão de aulas e amanhã trabalho de fotografia, isso se não vier uma provinha por aí...

Fora isso, tinha me programado para ver as estréias da TV a cabo esta semana e consegui a façanha de fugir completamente da programação e assistir absolutamente nada! Mas o absurdo dos absurdos, foi há alguns dias, quando em plena madrugada fazia eu um tour pela televisão e de repente dei de cara com um programa que marcou (no mau sentido) a minha infância. Uma dica: ele era apresentado por ninguém mais, ninguém menos que CARLA PEREZ! Pois é, quando eu penso que o SBT não tem como piorar, aparece o tio Silvio e dá um jeito (embora tenha que admitir que o TENTAÇÃO faz dos meus domingos dias mais alegres; ficando em segundo lugar na minha preferência apenas porque é dia de DANÇA NO GELO). Mas a revolta maior foi ver que depois do tal FANTASIA, vinha um episódio da super-bacana e injustamente extinta VERÔNICA MARS, a série que todos conspiram para que ninguém veja, já que o SBT leva ao ar as 3:30 da matina e o a TNT por volta das 3 da tarde, DO SÁBADO!!! Ou seja; obrigado por nada!

A surpresa boa dos últimos três dias foi o filme do Babenco (O PASSADO), sobre o qual talvez eu escreva aqui mais pra frente. Ou não...
por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

domingo, 4 de novembro de 2007

A SEMANA: "WILL & GRACE", "SMALLVILLE", "GILMORE GIRLS", "DAWSON'S CREEK", "TERABÍTIA" E A ARTE DE REVER AS COISAS

E a palavra da semana é rever! Revi alguns filmes, algumas séries, e uma ou outra coisa inédita. De novo mesmo, a 1ª temporada da divertidíssima WILL & GRACE (desculpem os fãs de FRIENDS, também adoro a série, mas essa aqui dá de 10 a 0!), os dois primeiros episódios da badalada GREY’S ANATOMY (o mundo todo via menos eu; é bacana, mas continuo um fiel escudeiro de HOUSE), um episódio e meio de BROTHERS & SISTERS (a série é boa, mas aquecida a banho-maria, ou seja, devagar...) e dois episódios da 2ª temporada de DAWSON’S CREEK (tem n defeitos, mas é bonitinha demais para não ver). Cinematograficamente falando, apenas o novo filme de Stephen King, ou melhor, baseado nele (a crítica está no post abaixo).
No mais, revi os últimos episódios das temporadas de GILMORE GIRLS e SMALLVILLE. Não sou um fiel seguidor de nenhuma das duas séries, vejo apenas episódios esporádicos. Gosto do final dado às garotas GILMORE; sensível, bem-amarrado, deixando um gostinho de “quero mais” num happy end que está mais para “a vida continua; bola pra frente”.
SMALLVILLE é um caso a parte; sempre que via a série no SBT (acreditem ou não, vez ou outra eu passo por essa emissora) achava legal e tudo mais, até que recentemente resolvi assistir desde o começo. Não passei do primeiro episódio; achei tudo fake, tudo brega, tudo muito ruim (com exceção da Cloe, uma das melhores coisas da série). Tinha desistido por tempo indeterminado quando me vi em frente da TV para rever o último episódio da 6ª temporada, que havia assistido há alguns meses sem muita atenção.
O fato é que a desatenção foi tanta que passei despercebido para algo que fez a série cair ainda mais no meu conceito. (ATENÇÃO! SPOILER!) Que Cloe tinha poderes eu sabia, só não lembrava ao certo o como tudo acontecia. Bem, estava Lois lá caída, Cloe chega, pega a prima entre os braços, e eu na frente da TV penso: “seria muito brega se a Cloe curasse a Lois com uma lágrima”. Puf! Meu “desejo” se realiza e lá estava à garota mais bacana do seriado, chorando sobre o corpo de prima, a lágrima cai, surge uma luz branca e o resto acho que todo mundo já sabe! Resumindo, esse momento brega no “úrtimo” diminui ainda mais as chances de SMALLVILLE dar certo comigo.
Para compensar a vergonha alheia que tive da série do "superboy", só mesmo revendo um dos episódios mais tocantes de HOUSE. Não me lembro o nome do episódio ao certo; é um com uma menininha com câncer, faz parte da 2ª temporada. Super-melodramático, com direito a lições morais e a bela canção da Bird York, “In the Deep” (faz parte também da trilha de CRASH – NO LIMITE); enfim, um episódio capaz de levar a mais insensível das criaturas as lágrimas.
Para completar este breve resumo da semana, À ESPERA DE UM MILAGRE, ANACONDA (OK, esse é uma bomba, eu sei!) e DIRIGINDO NO ESCURO na TV a cabo, e hoje em DVD, numa sessão família, PONTE PARA TERABÍTIA, um filme que fala com bastante sensibilidade sobre a infância e sobre o qual pretendo escrever mais adiante.

E que venha a segunda-feira!


por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

1408

Assistir uma adaptação cinematográfica de Stephen King é quase sempre uma experiência inusitada, já que seus contos e romances têm chances de se tornarem tanto grandes clássicos como CONTA COMIGO, O ILUMINADO e À ESPERA DE UM MILAGRE, quanto coisas medíocres como O APANHADOR DE SONHOS ou a série NIGHTMARES AND DREAMSCAPES.
1408
, o mais recente longa baseado num conto do autor, atinge um meio termo agradável em níveis de qualidade; provavelmente nunca se tornará um clássico, mas é uma obra correta, que cumpre seu papel de narrar uma boa história, além de, é claro, assustar.
A trama gira em torno de Mike Enslin (John Cusack), um consagrado romancista, cujo passado é uma verdadeira incógnita, que é atraído para uma armadilha mortal que o levará a repensar seus próprios atos e crenças. A primeira vista, poderia estar falando de JOGOS MORTAIS, uma das mais badaladas e significativas franquias do cinema de horror nos últimos anos, não fosse o porém da pequena sinopse acima se encaixar também à inúmeras outras obras de suspense e terror. Indo direto ao ponto, a trama de 1408 não apresenta qualquer originalidade perante outros exemplares do gênero, e conta com clichês já exaustivamente explorados tanto pelo cinema afora, quanto pelo próprio Stephen King.
Em termos de linguagem, as inovações também são nulas; o filme conta com uma edição frenética, closes e movimentos de câmeras nervosos e uma irritante mania do cinema de horror recente, a de assustar o público através do som (percebam o recorrente truque da música do rádio-relógio, que sempre inicia abruptamente num volume alto em determinados momentos de tensão).
Mas o que realmente interessa em 1408 é sua habilidade em contar uma boa história (batida, mas boa) limitada ao pequeno espaço de um quarto de hotel (onde se desenvolve praticamente toda a trama). Apesar de algumas pontas soltas (a relação de Mike com o falecido pai, algo aparentemente importante no início da trama, é simplesmente ignorada a partir de certo ponto), o roteiro consegue desenvolver bem as situações propostas, prega alguns sustos criativos e, sobretudo, constrói um bom personagem: bem interpretado por John Cusack, é interessante ver o tom inicialmente descrente e sarcástico de Mike dar lugar a um protagonista frágil e amedrontado.
Co-estralado por Samuel L. Jackson (absolutamente dispensável), 1408 é um entretenimento interessante que por pouco não se compromete no final apelando para um cômodo “Deus ex Machina” (que felizmente é falso). Pode não ser genial, mas ganha minha simpatia pelo simples fato de não recorrer à carnificina de mal gosto promovida pelo concorrente JOGOS MORTAIS.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

SOBRE "BROTHERS & SISTERS" E "SIX FEET UNDER"

Assisti há alguns dias o primeiro episódio da badalada BROTHERS & SISTERS e não pude deixar de notar as inúmeras semelhanças entre as tramas da série estrelada por Sally Field e da extinta SIX FEET UNDER.
Em BROTHERS & SISTERS, somos apresentados aos Walker durante uma reunião familiar cujo intuito é comemorar o aniversário de Kitty (Calista Flockhart), uma dos cinco filhos do casal Walker. Mas a paz no lar dos Walker logo é perturbada pelo embate inevitável entre Kitty e a mãe Nora (Sally Field) (Kitty convencera o irmão caçula a lutar na guerra do Afeganistão, fato pelo qual não consegue o perdão da mãe), seguido pelo enfarte fulminante do patriarca da família, que por sua vez, escondia um grande segredo de sua esposa e filhos.
SIX FEET UNDER trazia um início parecido, também durante um momento de confraternização
familiar. É na véspera de Natal, que a família Fischer perde seu patriarca num acidente de trânsito (numa cena espetacular que abre com chave de ouro o primeiro episódio da série). O falecido Sr. Fischer ia a caminha do aeroporto buscar seu primogênito Nate (Peter Krause, de DIRTY SEX MONEY), que há anos abandonara a família (o mesmo ocorre quando conhecemos Kitty em BROTHERS & SISTER já que ela é a única dos filhos que vive distante dos pais). A vida dos Fischer vira de cabeça para baixo, quando Nate se vê obrigado a tocar a funerária da família (ele tem horror a cadáveres) ao lado do irmão homossexual David (Michael C. Hall, o DEXTER), um workaholic perfeccionista que não se conforma de ter que dividir o negócio pelo qual se dedicara a vida toda com o irmão. A família Fischer conta ainda com a caçula Claire (Lauren Ambrose), uma adolescente problemática que estava chapada no momento da morte do pai, e com a matriarca Ruth (Frances Conroy), que se sentindo culpada com a morte do marido, confessa aos filhos um caso extraconjugal que mantivera nos últimos anos.
As semelhanças entre ambas as séries está no arquétipo de seus personagens. Kitty e Nate são motivos de orgulho para os pais por terem sua independência, porém se vêm obrigados a encarar uma nova realidade quando a morte resolve aparecer. A revoltada Claire, está para Justin (Dave Annable); ambos usuários de drogas, os dois caçulas são constantemente alvo de reprovação de suas famílias. Michael, de SIX FEET UNDER, engloba outros dois conflitos vividos por dois personagens de BROTHERS & SISTERS; sofre por ter dificuldades em aceitar a própria homossexualidade, além de ser obcecado pelo trabalho, a ponto de dificilmente tirar o terno usado durante os funerais (assim como Kevin e Sarah, respectivamente).
As séries apresentam ainda em comum, o fato de terem um mesmo ponto de partida: a morte de um ente querido (no caso o chefe das duas famílias), desencadeando uma série de conflitos a serem discutidos por episódios afora.
Ainda em se tratando das coincidências, a presença de Rachel Griffiths no elenco fixo de ambas as séries (em SIX FEET ela era a problemática Brenda; em BROTHERS é a já citada workaholic Sarah).
Finalizadas as semelhanças, BROTHERS & SISTERS promete tomar rumos bem diferentes de SIX FEET UNDER. Enquanto a recém-estreada tem com principal trunfo tratar de assuntos políticos dentro de contextos familiares, valendo-se de muito melodrama (e ótimos diálogos) para tal; a série que retrata o cotidiano de uma funerária é um drama cínico, que toca em temas mais abstratos como a efemeridade da vida e a convivência diária com a morte.
Vencedora do Emmy de melhor atriz para Sally Field, BROTHERS & SISTERS é puro melodrama (gênero que nós brasileiros amamos, ou então nossas telenovelas estariam falidas), só que dos bons! Já SIX FEET UNDER (que tem sua última temporada sendo exibida pela Warner), é apontada pela crítica (ao lado de SOPRANOS) como uma das melhores séries dos últimos anos, sendo até mesmo considerada uma evolução em termos de linguagem televisiva. Na dúvida, vale conferir as duas!
por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

SUPERBAD - É HOJE

Não sou adepto aos besteróis teen norte-americanos. Gosto de QUEM VAI FICAR COM MARY? e do primeiro episódio de AMERICAN PIE, e há anos não via algo bom dentre tantas comédinhas chulas voltadas para o público adolescente.
Faço ainda uma confissão: resisti até hoje a assistir as tão bem recebidas (e bem criticadas) O VIRGEM DE 40 ANOS e a recente LIGEIRAMENTE GRÁVIDOS, mas acho que não terei escapatória depois de ver à simpática e divertida SUPERBAD – É HOJE. Em comum aos três filmes, a presença do ator e roteirista Seth Rogen, que atua nas três produções e assina o roteiro desta última.
Em SUPERBAD, vemos a história dos amigos Seth (Jonah Hill), Evan (Michael Cera) e Fogell (Christopher Mintz-Plasse), três típicos loosers que estão loucos para perder a virgindade antes do término das aulas. Após prometerem a seus interesses amorosos (ou, melhor dizendo, sexuais) levar bebidas alcoólicas para uma festa, os três tem que driblar a menoridade (nos EUA bebidas alcoólicas só acima de 21 anos!) para cumprirem o prometido. Claro que isso desencadeia inúmeras reações inusitadas e hilárias o que acaba colocando a amizade do grupo (principalmente a de Seth e Evan) a prova.
O grande mérito de SUPERBAD está no fato de tratar seus protagonistas como adolescentes comuns, e que agem como tais, diferente de boa parte da trupe de teens que vemos no cinema holywoodiano. Enquanto em outras comédias do gênero o comum são rostos bonitos e um vocabulário bem-comportado, SUPERBAD traz três “mocinhos” desajeitados, bocas-sujas e de aparência duvidosa.
Em seu terceiro ato, a comédia toca de forma sensível (porém, não menos debochada) em temas comuns ao universo jovem, como o término do ensino médio (e as mudanças vindas com este) e a entrada para a universidade. Escancarada e sem papas na língua (apesar do final romântico meio que inacreditável), SUPERBAD é a prova de que mesmo do besteirol, coisas boas podem surgir. São ocasiões raras, mas que vez ou outra (como esta) acontecem!
por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

sábado, 13 de outubro de 2007

TROPA DE ELITE

Analisar TROPA DE ELITE é mais do que ressaltar aspectos cinematográficos e narrativos da obra. É aprofundar-se em questões políticas e sociais retratadas com crueza numa produção polêmica desde o princípio. TROPA teve parte de sua equipe seqüestrada durante o processo de filmagem numa favela carioca; tempos depois, uma cópia pirata, não concluída do filme chegava aos camelôs dois meses antes de sua estréia.
Dirigido por José Padilha (ÔNIBUS 174), é interessante constatar que TROPA DE ELITE tangencia em inúmeros temas com outro nacional também lançado recentemente, o ótimo PROIBIDO PROIBIR, de Jorge Duran. A diferença entre ambas as produções, é que enquanto o filme de Duran toca em questões como a corrupção policial e faz críticas aos jovens da classe média brasileira de maneira sutil, José Padilha põe o dedo na ferida, fazendo de TROPA DE ELITE um duro retrato da violência, da corrupção, da miséria, da alienação e do tráfico de drogas. Suas críticas atingem temas que vão desde a corrupção dentro da polícia militar, até a alienação da classe média e da classe universitária, que quase sempre bancam o tráfico, e consequentemente a violência.
Além de retratar o cotidiano da favela (algo já feito em CIDADE DE DEUS), TROPA ocupa-se ainda em retratar três outras realidades: a dos amigos Neto (Caio Junqueira) e André Matias (André Ramiro), policiais honestos que destoam dos demais companheiros de trabalho; a da jovem Maria (Fernanda Machado) que, voluntária numa ONG na favela, acredita na consciência social dos traficantes; e por fim a do Capitão Nascimento (Wagner Moura), que prestes a ter o primeiro filho, procura um substituto para seu cargo na BOPE (a tal tropa de elite), enquanto enfrenta a síndrome do pânico desencadeada pela pressão e violência de seu trabalho.
No elenco, destacam-se os trabalhos de André Ramiro e Caio Junqueira, fazendo de seus personagens homens honrados que se transformam gradualmente diante da dura realidade a qual presenciam, o por fim a excepcional interpretação de Wagner Moura, dando vida a uma figura embrutecida pelos anos de serviço prestados a BOPE.
Mais do que uma mera experiência cinematográfica, TROPA DE ELITE deve ser visto como a denúncia de uma guerra travada todos os dias, servindo de complemento através de um novo ponto de vista ao que Fernando Meireles trazia em CIDADE DE DEUS há cinco anos atrás.
por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ