sábado, 23 de fevereiro de 2008

OSCAR 2008: PALPITES

Às vésperas do Oscar é impossível deixar de entrar na brincadeira (e ressalto a palavra brincadeira, já que como tudo neste blog, as linhas que seguem abaixo são opiniões estritamente pessoais, sujeitas a discordâncias civilizadas) e dar meus palpites e pitacos sobre a premiação mais charmosa e divertida do ano (e vejam que em momento algum disse ser a melhor, embora ache que o Oscar tem sido uma premiação bastante criteriosa e interessante nos últimos anos). Vamos à vaca fria:

MELHOR FILME

Se DESEJO E REPARAÇÃO estivesse concorrendo há coisa de nove ou dez anos, certamente seria o favorito. Hoje, numa premiação que prefere filmes mais intimistas ou politizados, o romance dirigido por Joe Wright (vencedor do Globo de Ouro e do Bafta) corre por fora ao lado de CONDUTA DE RISCO. No páreo mesmo estão o favorito ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ, dos Cohen, SANGUE NEGRO, de Paul Thomas Anderson, e o independente JUNO, de Jason Reitman, certamente o candidato que mais cresceu desde a indicação, deixando para trás a posição de azarão e ocupando agora a prefêrencia de 70% do público americano entre os candidatos ao Oscar de Melhor Filme. Resumindo, ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ é ainda o grande favorito, mas há sim possibilidades de tanto SANGUE NEGRO quanto JUNO serem as zebras da noite.

MELHOR DIRETOR

Se JUNO deixou a posição de azarão no desenrolar da disputa, seu diretor permaneceu nela e tem chances quase nulas de levar a estatueta. Aliás, nem o vencedor do Globo de Ouro Julian Schnabel (O ESCAFANDRO E A BORBOLETA) tem lá grandes possibilidades, numa disputa que deve ser acirrada entre os Cohen e Paul Thomas Anderson, mas que deve acabar favorecendo os irmãos diretores de ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ.

MELHOR ATOR

Daniel Day-Lewis é quase que unanimidade e deve levar a estatueta de Melhor Ator. Enfim, não será dessa vez que verei Johnny Depp ou Viggo Mortensen subirem ao palco.

MELHOR ATRIZ

A categoria mais acirrada da noite, conta com uma leve vantagem para Julie Christie, interpretando uma personagem que sofre do mal de Alzheimer, em LONGE DELA. Aliás, é justamente o que me incomoda na candidatura da atriz: sua indicação aparenta dar maior importância à densidade da personagem do que à interpretação de Christie. Prova disso é que há alguns anos, Judi Dench e Kate Winslet foram indicadas por viverem uma personagem que sofria da mesma doença. Assim, torço para que Marion Contillard tenha seu magnífico trabalho em PIAF reconhecido, mas confesso que ficaria encantado caso a doce Ellen Page levasse por JUNO.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Javier Bardem, por ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ. Alguém dúvida?

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Sempre apostei na vitória de Cate Blanchett, mas seu Bob Dylan em I'M NOT THERE deixou de ser o favorito da noite. A aposta da vez é Ruby Dee por seu desempenho em O GÂNGSTER.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Estatueta praticamente dada à JUNO, embora CONDUTA DE RISCO e RATATOUILLE ainda continuem na briga (mesmo com chances pequenas).

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Mais uma vez ficará entre ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ e SANGUE NEGRO, mas a vitória novamente deverá ser dos irmãos.

MELHOR ANIMAÇÃO
Uma das categorias mais acirradas da noite. Não, TÁ DANDO ONDA não tem a mínima chance, além do mais, um pinguim já ganhou ano passado. A briga será entre os aclamados RATATOUILLE e PERSÉPOLIS, com uma ligeira vantagem para o ratinho Remy (aliás, sempre comentou-se a grande possibilidade da animação da Pixar estar presente entre os candidatos à Melhor Filme. O burburinho não se concretizou, mas RATATOUILLE, saiu com um número alto: cinco indicações).


por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

JUNO

JUNO vem sido exaustivamente chamado de LITTLE MISS SUNSHINE do ano (inclusive por este blogueiro que aqui escreve). Mas será que tal comparação é mesmo justa? Sim, o longa de Jason Reitman, se assemelha muito ao dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris, já que ambos se baseiam naquilo que têm de mais precioso, para contar histórias que, com sutileza e bom humor parecidos, são retratos bem mais ambiciosos do que os aparentemente propostos a princípio.
Mas não se engane: por mais parecido que possam ser os produtos, suas fórmulas são bastante distintas em sua posologia. Assim, enquanto MISS SUNSHINE abranda sua deliciosa acidez através de muita doçura, JUNO percorre justamente o caminho inverso; dá a sua trama aparentemente doce, altos toques de sarcasmo e alguns requintes de crueldade. Acaba revelando-se em seu desenrolar, uma obra dolorosa que, não só faz críticas à instituições como a família e o casamento, como vai além, tocando em questões mais profundas como a juventude e o tédio.
Perguntando-se ainda qual a maior preciosidade de JUNO? Fácil, o mesmo que LITTLE MISS SUNSHINE tinha de melhor, um roteiro primoroso. Incrivelmente bem lapidado, o script escrito pela ex-streapper Diablo Cody é uma verdadeira jóia por desdobrar a fundo uma história aparentemente simples, transpô-la para o atual universo adolescente e habitá-la com figuras complexas, que vividas com grande afinco pelo elenco, dão vida aos diálogos espertos criados pela roteirista.
Sempre focando o relacionamento da adolescente Juno (Ellen Page), com os demais personagens de seu universo limitado (afinal, ela é apenas uma garota interiorana que, aborrecida pelo tédio, resolve transar com o melhor amigo), o roteiro trilha caminhos interessantes e constrói relações poderosas, como o amor maduro e sincero (embora envergonhado) que a protagonista sente pelo melhor amigo e pai de seu filho Paul Bleeker (Michael Cera). Há ainda uma melhor: a amizade dela com pai adotivo de seu bebê. Controlado pelas vontades da esposa Vanessa (Jennifer Garner), não demora para que o até então aparentemente feliz e bem-casado Mark (Jason Bateman) se apaixone por Juno, e é justamente aí que o filme toca numa questão crucial. Mais do que se apaixonar pela própria Juno, o frustrado compositor apaixona-se, sobretudo pela juventude, pela rebeldia, e por que não dizer, pela excentricidade da garota, que prestes a dar a luz, trata o assunto sem grande importância.
Se por um lado JUNO retrata o deslumbramento que essa irresponsabilidade adolescente possa vir causar, por outro, traz uma geração de adolescentes que sem grandes motivações, permanece presa ao aborrecimento e a acomodação. Trazendo o tédio como desculpa para o sexo entre a protagonista e o amigo, aliado a passividade da personagem vivida por Jason Bateman, o filme de Jason Reitman, assemelha-se aí ao também independente RETRATOS DE FAMÍLIA, de Phil Morrison, que coincidência ou não, trazia em sua trama personagens passivas que tinham suas vidas mudadas por uma gravidez indesejada.
Repleto de boas atuações, JUNO destaca Michael Cera (SUPERBAD), vivendo o tímido e desajeitado Paul Bleeker, como um nome a se dar atenção, e reafirma o talento já conhecido da jovem Ellen Page (MENINAMÁ.COM). Indicada ao Oscar por sua atuação, Page faz sua mocinha oscilar entre o excêntrico e o adorável. Seu jeito debochado é capaz de fazê-la despejar as mais difíceis verdades através da boca, e é isso que faz dela uma personagem de tamanha complexidade.
Em JUNO, tudo o que sua protagonista quer é seguir adiante, seja lá do que tenha que abrir mão. Assim, em determinado momento quando têm seus planos quase que arruinados, a garota estaciona o carro e chora, enquanto um trem segue a todo vapor no outro canto da pista. Ela se recompõe e segue adiante. JUNO é assim, dono de um otimismo desconcertante e cruel, daqueles que te faz crer que só há final feliz se houver dor.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

sábado, 16 de fevereiro de 2008

VESTIDA PARA CASAR

Apesar de aparecer aos montes nas telas, a comédia romântica torna-se dia após dia um gênero cada vez mais desgastado, sobretudo graças a seus principais marcadores incansavelmente explorados. VESTIDA PARA CASAR, de Anne Fletcher, segue a risca a cartilha que rege os filmes do gênero, mas conta com um diferencial capaz de dar um salto de qualidade ao produto: sua estrela principal, a atriz Katherine Heigl.
Revelada como coadjuvante na série GREY’S ANATOMY, um dos maiores hits da televisão norte-americana nos últimos anos, o talento de Katherine Heigl sempre foi algo bastante questionável, principalmente quando comparado ao de suas companheiras de elenco Sandra Oh e Chandra Wilson, que além de talentosas, são ainda infinitamente mais experientes do que a jovem atriz. A grande sacada de Heigl foi usufruir de uma característica própria, nem sempre encontrada em boas atrizes, em prol não apenas de uma personagem, mas de todas elas: seu carisma e simpatia.
Assim como conquistou espaço próprio no seriado, Heigl acabou surpreendendo por sua recente atuação em LIGEIRAMENTE GRÁVIDOS, e neste VESTIDA PARA CASAR não faz diferente. Bem verdade, ela praticamente carrega o filme nas costas, com uma pequena ajuda de seu companheiro de cena, o promissor James Marsden, de ENCANTADA e HAIRSPRAY.
Mas o encanto de VESTIDA PARA CASAR não está apenas no charme da atriz (que é algo entre Julia Roberts e Audrey Hepburn), e sim na forma como ela desenvolve sua personagem, principalmente durante os dois primeiros atos, onde o filme caminha doce, mas com certa acidez e centra-se quase que exclusivamente em sua protagonista, deixando o romance açucarado de lado.
Infelizmente, VESTIDA PARA CASAR acovarda-se em seu último ato, entregando-se de vez à fórmula que leva ao “felizes para sempre”. Ainda assim sobressai-se dentro de um gênero pra lá de batido graças ao charme e talento (sim, ela tem!) de Katherine Heigl, um nome que com certeza ainda será bastante falado.
por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A LENDA DO TESOURO PERDIDO - LIVRO DOS SEGREDOS

Seqüências cinematográficas vêm sempre cercadas de grandes expectativas, além de uma interrogação bastante batida, mas quase que inevitável: “É tão bom quanto o primeiro?”. No caso de A LENDA DO TESOURO PERDIDO – LIVRO DOS SEGREDOS a resposta é um categórico NÃO, a ser discutido e dissecado nos parágrafos abaixo, que ainda assim, não atrapalha a eficiência do longa se visto como um mero exemplar do cinema entretenimento (o que já é alguma coisa, ou alguém esperava algo além disso?).
Direto ao ponto, a grande mancada de O LIVRO DOS SEGREDOS está em seu roteiro mal-escrito, que além de recorrer a uma porção clichês típicos do gênero (é quase impossível conter o riso quando vemos Nicholas Cage soltar um sonoro “Cuidado, ele está armado!”), é incapaz de dar qualquer complexidade à construção de seus personagens. Assim, vemos grandes talentos como Hellen Mirren (A RAINHA) e Ed Harris (AS HORAS) desperdiçados em caricaturas existentes apenas para dar algum conflito à trama (Harris, especialmente, já que seu vilão é submetido a todo instante aos turn-points da história). Como se não bastasse, O LIVRO DOS SEGREDOS confirma sua incompetência apresentando ao herói uma motivação fraca, quase que absurda, como desculpa para esta nova aventura, e não satisfeito, dá ao mocinho Ben Gates (Cage) um caráter bufão não condizente ao protagonista da série (a cena em que Cage discute com a ex-mulher é, simplesmente, constrangedora de ser assistida). Em tempo (e quase me esquecendo do maior dos absurdos) tenta ainda fazer o expectador de idiota, com uma subtrama completamente inverossímil envolvendo o seqüestro do presidente norte-americano.
Sob a direção apenas mediana de Jon Turteltaub, LIVRO DOS SEGREDOS afunda-se ainda mais através de interpretação equivocada de Cage. Turteltaub, por sua vez, demonstra-se incapaz de criar uma boa seqüência de ação nos dois primeiros atos, vindo a surpreender apenas na parte final da história (muito mais pelos efeitos do que por qualquer outra coisa).
Afinal, o que salva LIVRO DOS SEGREDOS de ser uma tremenda bomba? Ora, as boas presenças de John Voight, Diane Kruger e Justin Bartha (que rouba a cena como o atrapalhado historiador assistente de Gates), o bem sacado uso de tecnologia cotidiana (como câmeras de celulares e até mesmo um radar eletrônico) como objetos recorrentes no desenrolar da aventura, e o simples fato de que uma caçada ao tesouro é sempre uma boa pedida. E embora esteja longe de qualquer clássico INDIANA JONES, ou sequer se iguale ao original, A LENDA DO TESOURO PERDIDO – O LIVRO DOS SEGREDOS certamente será entretenimento garantido para quem procura diversão simples e despretensiosa.


por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

OSCAR 2008: INDICADOS

Más notícias. O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS acabou ficando de fora da corrida ao Oscar. Uma pena, pois o longa de Cao Hamburger vinha como grande favorito, não apenas por sua invejável carreira internacional, mas também pela eliminação de seus principais concorrentes da categoria, o romeno 4 MESES, 3 SEMANAS E 2 DIAS, e o francês PERSÉPOLIS, que acabou entrando aqui na categoria de MELHOR ANIMAÇÃO, tornando-se uma visível ameaça ao então favorito RATATOUILLE. Aliás, a premiadíssima animação da PIXAR, dirigida por Brad Bird, foi bastante lembrada, sendo indicada em cinco categorias (animação, roteiro original, trilha sonora, som e edição de efeitos sonoros). Empatados com o maior número de indicações (oito no total), o favorito (por enquanto) ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ, dos Cohen, e SANGUE NEGRO, de Paul Thomas Anderson. Agora, é impressão minha ou o filme dos irmãos Cohen vem perdendo força desde sua derrota no Globo de Ouro para DESEJO E REPARAÇÃO?
De qualquer forma, SANGUE NEGRO promete não tornar a disputa fácil, já que é um filme com alto teor político, duas grandes interpretações (além da do indicado Daniel Day-Lewis, a aclamada atuação de Paul Dano), um diretor renomado, e um auê crescente em torno de si próprio, podendo logo tomar a dianteira na disputa.
Na categoria MELHOR FILME, além dos dois recordistas acima citados, ainda as já esperadas indicações de DESEJO E REPARAÇÃO (vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme) e CONDUTA DE RISCO. A surpresa fica por conta da presença da comédia independente JUNO, o PEQUENA MISS SUNSHINE do ano.
Indicados à MELHOR DIRETOR, novamente os Cohen, ao lado de Paul Thomas Anderson, Tony Gilroy (CONDUTA DE RISCO), Julian Schnabel (vencedor do Globo de Ouro de Melhor Diretor por O ESCAFANDRO E A BORBOLETA), e por último Jason Reitman, surpreendendo novamente por JUNO, numa indicação no mínimo justa e interessante, já que Reitman já havia se mostrado talentoso em seu último trabalho, o excelente OBRIGADO POR FUMAR.
A categoria MELHOR ATOR surpreende apenas por incluir Tommy Lee Jones (ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ) à lista. Dentre os demais, nenhuma novidade: George Clooney (CONDUTA DE RISCO), Viggo Mortensen (SENHORES DO CRIME), Johnny Depp (SWEENEY TODD) e Daniel Day Lewis (SANGUE NEGRO). Ausências sentidas? Talvez apenas James McAvoy, um jovem grande ator, por seu trabalho em DESEJO E REPARAÇÃO.
MELHOR ATRIZ? Bem, parece que Julie Christie em algum momento (não sei exatamente qual) deixou Marion Cottilard para trás e surge como a favorita à premiação. Agora, convenhamos, por mais que a interpretação de Christie seja fenomenal (não sei, mas dizem que é), uma personagem com Mal de Alzheimer não é lá uma coisa muito original. Ou alguém já se esqueceu da indicação de Judi Dench há 6 anos atrás por ÍRIS? Enfim, a disputa provavelmente será acirrada entre Christie e Conttilard, surgindo espaço ainda para uma jovem talentosa, Ellen Page, por JUNO. Correndo por fora, Cate Blanchett, por ELIZABETH: A ERA DO OURO (Blanchett provavelmente sairá daqui de mãos abanando para ganhar mais adiante como coadjuvante em I’M NOT THERE) e a boa presença de Laura Linney, por THE SAVAGES. De fora, o excepcional e injustiçado trabalho de Ashley Judd, por POSSUÍDOS (e não sei por que cargas d’água muita gente apostava em Anne Hathaway, por BECOMING JANE, já que a atriz sequer foi lembrada em qualquer premiação).
Tal qual a categoria de MELHOR ATOR, a de MELHOR ATOR COADJUVANTE traz quatro indicados já esperados e um como elemento surpresa. Hal Holbrook vem por NA NATUREZA SELVAGEM, filme dirigido por Sean Penn, numa indicação não muito aguardada (esperavam-se indicações para Melhor Direção e até mesmo Melhor Filme). Juntos à Holbrook, o favorito Javier Bardem (ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ), Tom Wilkinson (CONDUTA DE RISCO), além de Philip Seymor Hoffman e Casey Affleck, indicados por dois filmes pouco lembrados pela premiação: JOGOS DO PODER, de Mike Nichols (CLOSER) e O ASSASSINATO DE JESSE JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD, de Andrew Dominik.
ATRIZ COADJUVANTE? Amy Ryans (MEDO DA VERDADE), Ruby Dee (O GÂNGSTER), Saoirse Ronan (DESEJO E REPARAÇÃO), Tilda Swinton (CONDUTA DE RISCO) e a já citada Cate Blanchett, por I’M NOT THERE. Dúvidas? Blanchett é a grande aposta (minha e de muita gente).
As categorias de ROTEIRO ORIGINAL e ADAPTADO também não apresentam grandes novidades, a não ser talvez a presença de RATATOUILLE, LONGE DELA e LARS AND THE REAL GIRL. De resto, JUNO, DESEJO E REPARAÇÃO, ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ, etc. Enfim, estão todos ali!
Nas categorias consideradas técnicas, coisas boas como O ULTIMATO BOURNE (montagem, som e edição de som), PIAF (maquiagem e figurino) e ACROSS THE UNIVERSE (figurino), dividem espaço com trabalhos medíocres, o maior deles, certamente, NORBIT (maquiagem).
E num ano em que pelo menos dois musicais (HAIRSPRAY e SWEENEY TODD) poderiam ter rendido uma boa canção original, o grande competidor da categoria é o simpático Disney ENCANTADA, com três indicações, ao lado dos dois pouco conhecidos ONCE e O SOM DO CORAÇÃO.
Finalizando meu comentário sobre as principais categorias, a de MELHOR ANIMAÇÃO, que tinha como quase certa a vitória de RATATOUILLE. Se TA DANDO ONDA (an?!) não deve incomodar o ratinho cozinheiro (mesmo tendo eliminado OS SIMPSONS, antes aposta certa entre os indicados), o mesmo não deve ser dito de PERSÉPOLIS, aclamada animação francesa que, sequer selecionada como MELHOR FILME ESTRANGEIRO, deve tornar acirrada esta etapa da disputa.
Sem mais delongas, os vencedores serão anunciados no domingo de 24 de fevereiro, e desta vez, a greve promete não atrapalhar!

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ
Janeiro; definitivamente, um mês de grandes baixas. Foi encontrado hoje o corpo do ator Heath Ledger, protagonista de filmes como CASANOVA, OS IRMÃOS GRIMM e CANDY, mas mais conhecido por sua premiada atuação em O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN.
Ledger tem ainda duas aclamadas atuações prestes a estrear nos cinemas: em uma encarna uma das faces do cantor Bob Dylan, no filme I’M NOT THERE; na outra, rouba a cena do homem-morcego dando vida ao Coringa de BATMAN: THE DARK KNIGHT.
Ele foi casado com a também atriz Michelle Williams (DAWSON’S CREEK, O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN) com quem tem uma filha de dois anos, e acredita-se que a causa de sua morte esteja ligada a suicídio ou a uma overdose acidental.
Ledger, aliás, não foi o único grande ator a falecer recentemente por uso excessivo de drogas. Semana passada, Brad Renfro (O APRENDIZ) foi encontrado morto pela mesma causa.
O mais triste acaba sendo ver a carreira promissora de um jovem talentoso encerrada assim, de forma tão trágica.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS

Qualquer estudante secundarista conhece a obra literária cujo narrador é conhecido como um defunto-autor (MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS, de Machado de Assis). Mas o que dizer de um livro que conta com uma narradora ainda mais inusitada? Este certamente é o maior trunfo de A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS, do escritor australiano Marcos Zusak, que utiliza-se da curiosa figura de sua narradora, a morte, em prol da sofisticada estrutura narrativa por ele criada.
A trama, contada por tão incomum narradora, gira em torno de Liesel, a tal “roubadora” de livros. Separada da mãe comunista em plena Alemanha Nazista, a trajetória da garota começa quando esta é adota pelos Hubermann, um casal alemão que a acolhe com dedicação, apesar das dificuldades financeiras enfrentadas. Daí em diante, acompanhamos com o passar dos anos as alegrias e desventuras vividas por Liesel, sejam elas ao lado de sua paixonite infantil, o vizinho Rudy, ou do amigo Max, um judeu escondido no porão, acolhido por Hans e Rosa Hubermann. Mais do que isso, testemunhamos o grande apego que a menina tem à figura do pai, sua paixão pelas palavras e, consequentemente sua compulsão em roubar livros, e por fim, os três encontros presentes durante a história entre protagonista e narradora.
Com um olhar extremamente poético, Zusak faz com que a morte seja a narradora ideal para sua história, fazendo com que esta não só esteja presente na trama, seja através de seus levantamentos filosóficos, seus comentários ácidos, ou sua simples presença predominante na guerra, mas, sobretudo, fazendo com que ela descontrua sua própria narrativa. Assim, não é incomum vermos fatos ocorridos nas páginas finais do livro, antecipados em outros momentos da história; a autoridade da narradora permite tal desconstrução, algo que Zusak explora bem sem enfraquecer qualquer impacto que os rumos da trama possam reservar ao leitor.
Presente na lista de best-sellers há quase um ano nas livrarias brasileiras, A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS é um retrato moderno, poético e emocionante de um tema que já rendeu, e certamente renderá ainda muitas obras. É ainda mais interessante por escolher retratar as conseqüências do Nazismo e do holocausto sobre o próprio povo alemão.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ (um intrometido saindo da área audiovisual e adentrando o terreno da literatura)

domingo, 20 de janeiro de 2008

RACHEL BILSON NA "GQ"

Como um simples comentário sobre o peitoral de Penélope Cruz fez esse blog bombar semana passada (ao menos no número de visitantes), ta aí o ensaio sensual que a Rachel Bilson, a Summer de THE OC, fez para a revista GQ, nos Estados Unidos. Para quem quer mais, ela também está ao lado de Zack Braff (SCRUBS) no filme UM BEIJO A MAIS (numa locadora próxima a sua casa!) e está prestes a chegar aos cinemas com JUMPER.
E ainda perguntam por que OC é minha série preferida...

FONTE: SÉRIES & ETC.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

NAÇÃO FAST FOOD

Boas intenções não fazem um bom filme, prova disso é este NAÇÃO FAST FOOD, de Richard Linklater, cineasta competente responsável por grandes trabalhos como ANTES DO AMANHECER, ANTES DO PÔR-DO-SOL e ESCOLA DE ROCK. E olha que bons pré-requisitos não faltaram ao longa!
Contanto com um elenco competente e variado, que traz desde nomes como Bruce Willis (numa participação especial), até atores como Paul Dano, Greg Kinnear (ambos de PEQUENA MISS SUNSHINE) e Catalina Sandino Moreno (MARIA CHEIA DE GRAÇA), mais presentes no cinema independente, NAÇÃO FAST FOOD é repleto de críticas ácidas e interessantes, e a premissa de acompanharmos de perto os bastidores de uma famosa rede de fast food, no mínimo desperta a curiosidade do expectador. O caráter documental que Linklater dá ao filme acaba revelando-se também uma opção cinematográfica interessante.
Infelizmente o roteiro do filme é falho em inúmeros aspectos. Assim, NAÇÃO FAST FOOD é incapaz de se aprofundar em qualquer que seja sua história ou crítica, fazendo uma colcha de retalhos superficial de inúmeros assuntos discutidos. Pior, seus personagens não apresentam profundidade alguma, servindo apenas como elementos de discurso, que a todo instante filosofam sobre os temas apresentados, o que soa de forma absolutamente artificial.
Como se não bastasse, o roteiro conta ainda com uma incapacidade absurda de desenvolver suas inúmeras tramas paralelas, e acaba dividindo-as por atos: a princípio somos apresentados ao personagem de Kinnear, o vice-presidente de uma grande rede de fast food, responsável por investigar uma contaminação da carne fornecida à empresa. Em paralelo, vemos a história de um grupo de latinos imigrantes ilegais, empregados em condições precárias no frigorífico fornecedor da rede. A trama envolvendo o vice-presidente cresce até o final do segundo ato, quando é simplesmente deixada de lado, enquanto outras que até então vinham a “Banho-maria”, (como a dos jovens ecologistas que num ato de manifestação “libertam” uma manada de bois) se sobressaem, desviando o foco narrativo mantido até então.
Irregular, NAÇÃO FAST FOOD é o típico filme cujas boas intenções sobressaem à obra cinematográfica (não a toa, esteve presente na seleção oficial de Cannes). Assim, sua chocante seqüência final, realizada num matadouro, acaba destoando do restante da obra, que é crítica, porém, superficial.


por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

(50º post do blog!)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

GLOBO DE OURO: CINEMA

É, deu zebra... Nem o aclamado SANGUE NEGRO, nem o favorito ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ. E o GLOBO DE OURO foi para... (os vencedores das principais categorias comentados abaixo):

MELHOR FILME DRAMA/SUSPENSE
DESEJO E REPARAÇÃO

Tudo bem, DESEJO E REPARAÇÃO encabeçava a lista com sete indicações, mas alguém realmente apostava nessa vitória? Afinal, poucos haviam ouvido falar do filme até o anúncio dos indicados, e ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ, dos irmãos Cohen vinha como favoritíssimo, seguido de perto pelo novo de Paul Thomas Anderson, SANGUE NEGRO. Tinha ainda Cronemberg e Ridley Scott. Assim, Joe Wright surge como um diretor a ser observado, já que esteve presente com ORGULHO E PRECONCEITO, seu filme de estréia, nas principais premiações de 2007, e retorna agora em grande estilo, mesmo sendo a zebra do Globo de Ouro.

MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL
SWEENEY TODD - O BARBEIRO DEMONÍACO DA RUA FLEET

Apesar de ACROSS THE UNIVERSE ser um grande filme, a crítica especializada parece ter torcido o nariz para o musical com canções dos Beattles. Já HAIRSPRAY teve todo o entusiasmo da crítica, mas convenhamos que, por mais simpático que o musical estrelado por John Travolta seja, não é filme com cara de Globo (muito menos de Oscar). Assim, a disputa acirrada estava entre JOGOS DO PODER, de Mike Nichols (CLOSER), o independente JUNO, e o novo de Tim Burton, SWEENEY TODD, que acabou sendo o vencedor da noite.

MELHOR ATOR DRAMA/SUSPENSE
DANIEL DAY-LEWIS

Justo, afinal ele já era o favorito, e acaba sendo uma forma de recompensar SANGUE NEGRO, que por pouco não saiu de mãos abanando. Na verdade justo mesmo seria ele dividir o prêmio com os outros quatro excelentes atores que ficaram para trás.

MELHOR ATRIZ DRAMA/SUSPENSE
JULIE CHRISTIE

Não há muito que comentar, já que não vi a atuação de nenhuma das candidatas. Julie Christie sobressai-se num papel batido (o de uma mulher com mal de Alzheimer), mas que sempre acaba rendendo boas e emocionantes interpretações.

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL
JOHNNY DEPP

Sem comentários! Não vejo a hora de Depp ganhar seu merecido Oscar.

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL
MARION CONTILLARD

Se vocês olharem alguns posts abaixo (o que comento os indicados à premiação), vão ver que eu avisei. Odeio dizer, mas avisei. Só posso dizer que foi mais do que merecido.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
JAVIER BARDEM

Vencedor por ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ, este excelente ator deve comemorar a premiação em praias brasileiras, ao lado da excelente companhia da namorada Penélope Cruz. (Ai que inveja do Javier...)

ps: é impressão minha ou aquele plongé de Almodóvar em VOLVER super favorecia o peitoral da atriz? Enfim, continua sendo Penélope do mesmo jeito.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
CATE BLANCHETT

Excelente atriz, figurinha repetida em premiações, desbancou a pretty woman Julia Roberts.

MELHOR DIRETOR
JULIAN SCHNABEL

Uma zebrinha. Desbancando favoritos como os irmãos Cohen, Ridley Scott e Tim Burton, o diretor de O ESCAFANDRO E A BORBELETA correu por fora e conquistou o Globo de melhor diretor.

MELHOR ROTEIRO
ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ

Depois de tiraram o quase certo Melhor Filme dos Cohen, deram a eles ao menos o prêmio pelo bom script que fizeram.

MELHOR ANIMAÇÃO
RATATOUILLE

Mais uma vez: eu disse que com PERSÉPOLIS de fora da categoria, o ratinho francês reinaria absoluto. Não deu outra!


por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ