quinta-feira, 28 de junho de 2007

TREZE HOMENS E UM NOVO SEGREDO


A badalada Las Vegas como cenário de um golpe alicerçado em planos mirabolantes. Adiciona-se aí uma trilha sonora pra lá de bacana e efeitos de edição dignos de um videoclipe de debutantes. Não; definitivamente não estamos falando dum filme da década de setenta, embora Treze Homens e um novo segredo pudesse passar despercebido como tal não fosse o fato de ter sido produzido e lançado há pouco.
No terceiro episódio da série, a gangue liderada por Danny Ocean (George Clooney) volta à ativa em busca de vingança, e, é claro, um pouco de diversão. É o que não falta à trama e, muito menos ao elenco. Assim, o resultado transparece na tela: enquanto eles se divertem; nós nos divertimos ainda mais.
Neste novo segredo, o filme retoma os rumos do original, trazendo de Doze apenas algumas boas sacadas e um antigo personagem numa participação especial. Assim, somos convidados a acompanhar passo a passo de um complexo plano para assaltar e, sobretudo, arruinar a reputação de um novo hotel-cassino recém-inaugurado na cidade. Tudo isso através de um roteiro bem estruturado que sabe lidar com as diversas situações paralelas surgidas no desenrolar da trama.
Ao lado de Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Don Cheadle e Andy Garcia retornam dos golpes anteriores ainda mais afiados, não esquecendo da importantíssima aquisição de Al Pacino ao elenco, dando um show a parte vivendo um vilão absurdamente canastrão.
A direção inspirada fica novamente a cargo de Steven Soderbergh que com uma câmera nervosa, usa e abusa de zooms e movimentos complexos a fim de dar um toque autoral à sua narrativa. A fotografia quente e por muitas vezes estourada alia-se à trilha sonora na busca por evocar uma atmosfera setentista, quase kitsch, ao filme.
Utilizando-se de um senso de humor refinado - a cena envolvendo Clooney, Pitt e Oprah Winfrey é, além de criativa, engraçadíssima - Treze Homens e um novo segredo conta com o já habitual charme da série reforçado por um visual ainda mais ousado do que anteriormente. Num ano onde as trilogias se completam, os golpistas de Las Vegas certamente deixam aranhas, piratas e até certo ogro para trás, protagonizando (até agora) o blockbuster mais divertido da temporada.

Obs.: uma das maiores sacadas do filme é a explicação dada à ausência de Julia Roberts e Catherine Zeta-Jones no projeto, quando Danny Ocean nos diz indiretamente que o sumiço das duas personagens não nos diz respeito.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ



sábado, 26 de maio de 2007

Piratas do Caribe - No fim do mundo

PIRATAS DO CARIBE - NO FIM DO MUNDO


Bruce Wayne, Clark Kent, Peter Parker. Heróis que migraram dos quadrinhos para as telas do cinema. Em comum, identidades secretas usadas no combate ao crime. Jack Sparrow não precisa de máscaras ou grandes aparatos tecnológicos (o chapéu e a espada bastam); ele sequer está preocupado com os contraventores do mundo (já que ele mesmo o é). O fato é que apesar do caráter duvidoso, o personagem criado por Johnny Depp é talvez um dos maiores ícones do cinema hollywoodiano recente, podendo até mesmo ocupar uma vaga na lista dos super-heróis que habitam a tela mágica do cinema.
Dirigido por Gore Verbinski (o mesmo das seqüências anteriores), “Piratas do Caribe - No fim do mundo” chega às telas trazendo velhos conhecidos do público de volta, como o mocinho insosso Will Turner (Orlando Bloom), a bela e perspicaz Elizabeth (Keira Knightley), o ressuscitado Capitão Barbossa (Geoffrey Rush) e o já citado Jack Sparrow (Depp). A trama gira em torno de... bem, a trama simplesmente gira o bastante para deixar qualquer um tonto e é esta a principal falha da terceira aventura da série.
Assim, sem se preocupar em amarrar pontas soltas, o roteiro assinado por Ted Elliot e Terry Rossio cria tramas e subtramas excessivas, cheias de personagens e reviravoltas. Como se não bastasse, muitas delas acabam mal explicadas ou simplesmente abandonadas durante o desenrolar da história, o que é lamentável para uma série que até então vinha com um roteiro coeso e personagens bem estruturados.
A fragilidade do roteiro rende ainda momentos constrangedores ao filme, como aquele em que Jack Sparrow se encontra com vários de si próprio numa alucinação “a la” John Malkovich, em “Quero ser John Malkovich”. A piada não funciona, assim como tantas outras espalhadas pelo filme afora.
Mas “Piratas” tem seus trunfos. Para cada piada ruim, há sempre um humor sagaz vindo das peculiaridades de cada personagem. Para cada Orlando Bloom (o elo frágil do elenco), há os formidáveis Johnny Depp, Geoffrey Rush e Bill Nigh (embora o roteiro o ignore durante boa parte da projeção), além de, é claro, a talentosa Keira Knightley, cada vez mais crescente em seu papel.
Alias, se há algo a se destacar neste novo filme é o trio formidável formado pelos Capitães Sparrow, Barbossa e Shawn (Elizabeth). Enquanto Geoffrey Rush parece se divertir de volta a pele de Barbossa, Knightley pontua bem a transformação de sua personagem, e é ao lado de Johnny Depp o grande destaque do elenco. Quanto a Depp, o simples fato de revê-lo na pele de Jack Sparrow paga qualquer ingresso, algo que já sabíamos antes mesmo de entrar na sessão.
Tecnicamente impecável, “Piratas do Caribe - No fim do mundo” conta com fotografia e figurinos lindíssimos, além de efeitos especiais de tirar o fôlego (basta conferir a batalha no redemoinho). O aguardado embate entre Sparrow e Davy Jones é talvez um dos melhores da série (embora um segundo envolvendo um pedido de casamento não fique atrás). Levemente inferior às demais, esta terceira seqüência não perde o brilho nem a diversão da bem sucedida série “Piratas do Caribe”. Deixa ainda portas abertas caso Jack Sparrow queira dar as caras de novo nas telas.

por Alvaro André, encantado com Keira Knightley

domingo, 20 de maio de 2007

A Família do Futuro

A FAMÍLIA DO FUTURO


A Disney sempre representou um padrão mínimo de qualidade quando se trata de animação. “A Família do Futuro” segue a risca todos os pré-requisitos que um bom Disney deve apresentar. Tanto, que é de longe um dos filmes mais caretas do estúdio em sua safra recente.
Com um número de lições morais acima do normal e um número ainda maior de personagens engraçadinhos (ou que pelo menos tentam), a animação a principio não decola; os primeiros minutos são lentos e a trama demora a mostrar a que veio.
A história do jovem órfão Lewis só passa realmente a interessar por volta da metade da projeção. É aí que enfim, temos alguma ação relevante à trama e dois ou três personagens bem definidos (perdidos no meio de inúmeros outros dispensáveis).
A maior falha desta nova animação é justamente o excesso de figuras na tela. Diferente da família Pêra de “Os Incríveis” que contava com “apenas” cinco integrantes, a família Robinson vista aqui é daquelas capazes de encher uma mesa bem grande na hora da ceia. O resultado é uma apresentação atropelada dos vários personagens acontecendo num único momento da trama (tanto que nos dá direito a uma recapitulação de cada um deles feita pelo protagonista mais tarde).
Tecnicamente é uma produção apenas correta, sem jamais se igualar a beleza gráfica de “Os Incríveis”, “Carros” e até mesmo “Robôs”, belíssima animação da Dreamworks com temática parecida.
Por fim, “A Família do Futuro” padece pela falta de humor; quando o tem, é demasiadamente infantil. Em seu desfecho, adota um ritmo frenético que não deixa de ser interessante à história que durante um bom tempo fervera a banho-maria. Amarra bem pontas soltas que a certa altura já não imaginávamos mais ver explicadas. Acaba sendo um entretenimento irregular em sua estrutura narrativa e apenas correto visualmente. Deixa a nítida impressão de uma animação bem intencionada cuja dimensão poderia ir além do que foi.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

sábado, 21 de abril de 2007

Atualizar de vez em quando é bom...

Bom, como faz tempo que ninguém escreve por aqui, vou fazer um apanhado geral dos últimos filmes vistos por mim no cinema, com pequenos comentários de cada.

Lá vai...

"O CHEIRO DO RALO"

Direção: Heitor Dhalia
Com: Selton Mello e Paula Braun
Comentário: Interessante e estranhamente divertido.


"CAIXA DOIS"

Direção: Bruno Barreto
Com: Fulvio Stefanini, Cassio Gabus Mendes, Zezé Polessa, Nelson Dantas, Giovana Antoneli e Thiago Fragoso
Comentário: Tropeça em inúmeros clichês e falhas narrativas, mas salva-se graças ao entrosamento do elenco afinado.

"NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO"

Direção: Richard Eyre
Com: Judi Dench, Cate Blanchett e Bill Nighy
Comentário: Duas grandes interpretações, um ritmo frenético e uma trilha sonora estranhamente arrebatadora (apesar ser basicamente a mesma de "As Horas"). Um suspense no mínimo competente.

"Tartarugas Ninjas"


Direção: Kevin Munroe
Comentário: As tartarugas finalmente ganham o tom sombrio que mereciam, mas perdem o humor característico da série. Um bom passatempo.

"300"

Direção: Zack Snyder
Com: Gerard Butler e Rodrigo Santoro.
Comentário: Um visual arrebatador somado a uma frágil consistência narrativa. Ótimo para quem gosta de sangue esguichando quase para fora da tela.

É isso... só algumas observações:
1. Os comentários são uma opinião estritamente pessoal de cada filme, mas opinião, já sabe... cada um tem a sua.

2. Se você leitor for curitibano, favor descontar no mínimo mais 2 estrelinhas de cada filme.


Até!

domingo, 11 de março de 2007

Dreamgirls

DREAMGIRLS - EM BUSCA DE UM SONHO


“Dreamgirls” é daquelas obras que se equivalem em pontos positivos e negativos. De um lado, a protagonista Jennifer Hudson num desempenho formidável para alguém que tem ali sua primeira experiência como atriz. Do outro, um roteiro frágil que tenta transformar sua personagem numa mulher arrogante, desequilibrada e sem qualquer parâmetro de bom senso ou boas maneiras. Assim, por pouco a história não é focada numa figura detestável; algo que só não acontece devido aos demais personagens, ainda mais aborrecidos do que a própria protagonista.

Effie White tinha tudo para ser a mocinha para qual o público torce o nariz. É rude, desajeitada, egocêntrica, está acima do peso e ainda não perde uma oportunidade de criar um bom barraco. Deena Jones (Beyoncé Knowles), sua bela e tímida irmã, é sensível, compreensiva, e ainda por cima uma lady! Pensando bem, quem vai querer a primeira “dreamete” se a segunda se encaixa adequadamente a todos os moldes de uma boa protagonista.

Foi pensando assim que a Dreamworks e a Paramount Pictures promoveu Beyoncé a tal papel, relegando Jennifer Hudson a segundo plano. Mas não se engane; como disse anteriormente, apesar de tudo conspirar contra a ex-American Idol, ela ainda assim consegue dar a volta por cima (assim como sua personagem) e ser um dos grandes trunfos de “Dreamgirls”. Jennifer Hudson, vencedora do Academy Awards por sua atuação, pode não ser a coadjuvante (foi com este status que ela ganhou sua estatueta) do ano (e certamente não é), mas merece aplauso por saber contornar uma personagem que tinha tudo para ser nada.

É claro que a interpretação de Eddie Murphy não poderia ser aqui ignorada, já que não foi pelos principais críticos e festivais recentes. Murphy tem aqui uma das melhores atuações de sua carreira um tanto quanto duvidosa. Talvez tenha também o melhor papel, a julgar pela lista de personagens aos quais o ator deu vida. É com grande empolgação que Murphy torna James Early uma figura interessante, mesmo tendo contra os inúmeros clichês empregados ao personagem. Mas apesar da merecedora indicação ao Oscar, particularmente, acredito que a estatueta de melhor ator coadjuvante esteja em melhores mãos.

Fechando o elenco vêm Jamie Foxx e Beyoncé Knowles bastante competentes; ele por dar vida a uma figura duvidosa do princípio ao fim; ela por saber manejar a virada de sua personagem.
Mas apesar de todos os pontos positivos enumerados acima, tudo é balela perto daquilo que “Dreamgirls” com certeza tem de melhor: sua direção de arte. Assim, a função extremamente bem desempenhada, além de pontuar bem as inúmeras fases vividas pelo grupo (e pelo mundo) serve ainda para esclarecer falhas no roteiro e na edição deficientes. Se as passagens de tempo ocorridas na história já soam um tanto quanto confusas, seriam impossíveis de serem percebidas se não fosse à interferência da belíssima direção de arte.

Quanto às canções, sou obrigado a discordar em partes do comentário feito por José Wilker durante a cerimônia de premiação do Oscar. Segundo ele, o que “Dreamgirls” teria de menos interessante seriam justamente os números musicais. Tudo bem, as canções de “Dreamgirls” podem não ter profundidade e as coreografias não irem além do convencional. Mas em sua maioria são contagiantes, aliadas a uma direção gasta, porém acertada e a uma edição rápida e competente durante os números (e apenas aí).

Para quem espera de “Dreamgirls” algo comparado a “Moulin Rouge” ou “Chicago” a decepção é quase que garantida. Para aqueles que como eu não esperavam nada, uma grata surpresa; uma história contagiante sobre as dificuldades de se ser artista num mundo altamente competitivo. Um musical que alicerçado em bases frágeis, decola graças a um visual arrojado, além do carisma e da simpatia sempre presentes junto ao público.

por Alvaro André Zeini Cruz, ouvindo "I Need to Wake Up"

sexta-feira, 9 de março de 2007

Salve A Rainha

A RAINHA


Dois filmes sobre reinados distintos. De um lado, um
thriller baseado na figura do ditador ugandense Idi Amin; do outro, uma obra aparentemente singela sobre a morte da princesa Diana e como esta veio a afetar a monarquia inglesa. Em comum, o roteirista Peter Morgan, que pode se vangloriar por dois dos melhores roteiros do ano anterior.

Mas não se engane; a falta de profundidade de “A Rainha” é apenas aparente, já que uma única personagem é dona de uma dramaticidade infinita. E como se não bastasse a complexidade dada à figura de Elizabeth II, há ainda o contraponto de Tony Blair; criando-se assim dois personagens capazes de sustentar sozinhos toda a trama.

Enquanto a Blair, recém-empossado, é aqui retratado como um jovem sensível, idealista e em alguns momentos uma figura frágil, Elizabeth II, “A Rainha”, é descrita como uma mulher racional, cuja fragilidade e o abatimento jamais estarão aparentes, já que é assim que segundo ela própria uma governante deve ser.

É justamente o conflito razão x sensibilidade, o responsável pelo fio condutor da trama; uma das maiores crises recentes da monarquia inglesa. Enquanto as declarações de Blair dão a ele um fortalecimento diante da opinião pública, o isolamento da rainha e da família real é mal visto por seus súditos que passam a julgá-la diante da isenção da morte de Diana.

Mas apesar da aparente “competição” travada entre a família real e o Primeiro Ministro, discordantes de opinião quanto ao caso, é interessante notar o respeito e a admiração de Blair para com Elizabeth. Apesar de incompreendido por companheiros de partido e até mesmo pela esposa, Blair parece ser um dos poucos a compreender a importância do símbolo que a rainha é para sua nação, dizendo ser ela imprescindível para a Inglaterra. É tal idolatria que transforma a personagem vivida magnificamente por Charles Sheen numa figura ainda mais profunda e interessante do que se mostrara a princípio.

Já Hellen Mirren, vencedora do Academy Awards e mundialmente aclamada por sua atuação, simplesmente é a rainha. Num desempenho inesquecível, ela praticamente humaniza uma muralha; através de pequenos gestos e sutilezas, e com um humor tipicamente britânico ela torna uma figura inicialmente inacessível num ser humano que teme por mostras suas angustias e sentimentos. Ironicamente, o maior temor de Elizabeth era aquilo que sua detestada nora Diana tinha de melhor (apesar do filme jamais tentar canonizar a imagem da ex-princesa).

Merecedor dos inúmeros prêmios aos quais vem sendo indicado, “A Rainha” é genialmente bem dirigido por Stephen Frears (basta observar a saída que ele encontra ao narrar a morte de Diana). Tecnicamente impecável, é um filme que faz jus a sua majestade não só por ter duas excelentes interpretações como núcleo (e acreditem, Hellen Mirren quase nos faz reverencia-la), mas pela habilidade com a qual nos apresenta o poder de uma figura, uma “simples” mulher. É sem dúvidas um grande filme sobre um símbolo ainda venerado pela sua quase inexplicável realeza milenar.

por Alvaro André Zeini Cruz, ainda ocupado reverenciando sua majestade

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Páginas Marcadas

As novelas de Manoel Carlos sempre fizeram do realismo cotidiano sua principal matéria-prima, desenvolvendo temas comuns à grande parte da chamada classe média-alta. Assim, surgiram sucessos como “História de Amor”, “Por Amor” e “Laços de Família” que elevaram o autor ao patamar de mais bem sucedido, dentre os já bem sucedidos autores globais.
Com tramas sempre centradas em suas heróicas “Helenas”, Manoel Carlos há muito é visto como um autor típico do universo feminino; narra e descreve as manias, medos e desejos delas como poucos. Acrescenta meia dúzia de polêmicas daquelas bem cabeludas e pronto, está feito mais um grande sucesso, digno da capa da revista Veja.
Há quatro anos resolveu inovar. “Mulheres Apaixonadas” era um emaranho de tramas paralelas com diferentes conflitos. A cada semana, uma das histórias entrava em foco, enquanto as outras caminhavam a “banho Maria”.
Nada que a atual “Páginas da Vida” não faça; aliás, se há algo que Maneco faz bem na atual novela das oito é seguir sua própria cartilha. Acaba sendo um amontoado de tudo aquilo que ele tinha de melhor, transformando-se em tudo aquilo que se possa haver de pior.
“Páginas da Vida” é desastrosa, e quase que constrangedora como obra audiovisual. Como obra teledramaturgica também. Num país carente de informações como o Brasil, uma novela pode e deve apresentar o chamado merchandising social, mas jamais sobreviver dele. Acabam indo as telas pouca história e muita informação jogada sem mais nem menos ao telespectador. Porém, isso é algo para se discutir mais adiante...
O fato ao qual venho chamar atenção é o quão machista é a novela dele, aquele considerado o estudioso da alma feminina, o mesmo Manoel Carlos de outrora.
Basta reparar o quão ativas estão as personagens masculinas na trama; elas que antigamente eram meras coadjuvantes. Vejam José Mayer; ele não deixou de ser o garanhão da história, mas após anos e anos trabalhando com o mesmo autor, ganhou algum conflito. Tudo bem que o cara roubou o próprio sogro, mas convenhamos; para quem antigamente apenas “traçava” boa parte das mocinhas do elenco, não deixa de ser um progresso.
Mas não é dele de quem vim falar. É dela, a mais detestável de todas as Helenas. A Helena de Vera Fischer abriu mão do amado em prol da filha, e depois, engravidou do antigo namorado para salvar a vida da mesma. A de Cristiane Torloni jogou uma união estável para o alto, a fim de reviver uma antiga paixão adolescente. A de Regina Duarte apenas aguarda (sabe-se lá o que). Traída pelo marido e agora prestes a perder a guarda da filha adotiva, a nova Helena simplesmente não age, ela apenas teme e choraminga. É talvez a mulher mais passiva de Manoel Carlos; talvez de toda teledramaturgia recente.
Enfim, assim é a heroína do horário nobre. A ex-viúva Porcina, é hoje uma mulher recatada, sem grandes expectativas, mas com muitos, muitos temores. Uma típica mulher do século XIX (se não estivéssemos no XXI).
Mas há algo ainda mais grave a se destacar. Um dos tantos e pouco empolgantes casais jovens de “Páginas da Vida” fora recentemente desfeito. Jorge (Thiago Lacerda) trocou a namorada (a bela Christine Fernandes) por outra personagem (vivida por Grazi Massafera) nos capítulos finais da trama. Até aí nada demais; segundo o rapaz, a namorada não dava a devida atenção ao relacionamento. Porém, a troca é das mais questionáveis; enquanto a abandonada namorada era uma mulher independente, moderna e viajada; a segunda é submissa, totalmente dependente dos pais e ainda por cima virgem!
Pode parecer perseguição de um mero desocupado como eu, mas nota-se aí certo machismo, não? Não do pobre do personagem que não tem culpa alguma, talvez nem mesmo do próprio autor, que apenas seguiu a vontade alheia, a do público.
O fato é que aos olhos do público, o simples fato de Simone (a namorada!) priorizar a carreira ao invés de um sólido relacionamento com um jovem e charmoso milionário já a faz desmerecedora deste amor. Afinal, para que carreira, dinheiro, independência e cultura se o que vale mesmo é um grande e verdadeiro amor?
Prestes ao “happy end”, “Páginas da Vida” deve chegar ao final com Jorge e Telma (a outra!) a caminho do altar (ela virgem, é claro!). Como novela que se preze tem que ter final feliz para todos (menos para os vilões), Simone não deve acabar sozinha, mas também não terá um final tão happy assim. Mas, quem se importa com a moça que dispensou a oportunidade do verdadeiro amor?
“Páginas da Vida” pode ser catastrófica como telenovela, mas com toda certeza seria um sucesso se publicado como folhetim num dos jornais do século passado.


Santa Helena: traída, agora pode perder a guarda da filha adotiva. Não tem importância; as Helenas de Maneco superam tudo!

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

A última noite

Uma cerimônia burocrática, sem grandes surpresas ou inovações. Assim foi a noite da mais festejada premiação do cinema norte-americano. Mais uma vez, seguindo sua recente tendência pulverizada de ser; ou seja, sem grandes vencedores ou perdedores.
Apresentado razoavelmente bem por Ellen Degeneres, a cerimônia teve pontos interessantes como quando Jack Black, John C. Reilly e Will Ferrel subiram ao palco e questionaram a Academia quanto ao baixo número de indicações a comediantes. A brincadeira feita por Anne Hathaway e Emily Blunt com Meryl Streep também estiveram entre os bons momentos da festa; enquanto as duas fingiam temer a atriz por sua personagem em “O Diabo Veste Prada”, Streep lança-lhes o já conhecido olhar da editora de moda Miranda Pristley, papel pelo qual recebeu sua 14º indicação este ano.
Destaque também para o balé apresentado durante a cerimônia, sempre representado cenas ou objetos relacionados aos indicados.
Vamos aos comentários das principais categorias:

Melhor Animação:
Por mais que admire a mensagem ecológica e o tom sombrio adotados por “Happy Feet”, considero a animação um tanto quanto irregular, analisada em seus aspectos narrativos. Excelente em sua técnica, “Happy Feet” desbanca o favorito da Pixar, “Carros”, sem dúvida superior ao vencedor da categoria.

Melhor Fotografia:
O prêmio fica em boas mãos com “O Labirinto do Fauno”, mas certamente “Filhos da Esperança” não merecia sair de mão abanando.

Melhor Canção Original:
Segundo José Wilker em seu comentário durante a transmissão na Globo, “Dreamgirls” é o primeiro musical cujos números musicais são o que menos interessam. Deve estar certo, já que foi desbancado pela bela canção do documentário de Al Gore; "I Need to Wake Up".

Melhor Montagem:
Apesar da boa montagem do vencedor “Os Infiltrados”, as de “United 93” e “Filhos da Esperança” eram além de superiores, infinitamente mais corajosas.

Melhor Filme Estrangeiro:
Surpresa! O belíssimo e favorito “O Labirinto do Fauno”, após três estatuetas, foi desbancado pelo alemão “A Vida dos Outros”. É esperar para ver...

Melhor Ator Coadjuvante:
Nova surpresa (uma boa agora!). Alan Arkin desbanca o favorito Eddie Murphy. Vibrei neste momento (embora goste muito de Mark Wahlberg). É o primeiro de “Little Miss Sunshine”.

Melhor Roteiro Adaptado:
Uma escolha duvidosa (novamente “Os Infiltrados”)... “Filhos da Esperança” tinha um grande roteiro. “Borat” e “Pecados Íntimos” dizem que também (não assisti a nenhum dos dois). Enfim, parecem tentar compensar Scorsese pelas inúmeras injustiças passadas.

Melhor Atriz Coadjuvante:
Jennifer Hudson (“Dreamgirls”). Preferia Abigail Breslin. Adriana Barraza e Rinko Kikuchi também seriam interessantes. Mas, quem escolhe não sou eu! (risos).

Melhor Roteiro Original:
“Little Miss Sunshine”!!! Vibração ainda maior. A partir daí seria ele x “Infiltrados” a Melhor Filme. Merecidíssimo. Como disse meu colaborador Carlos, este roteiro era uma verdadeira jóia. Tinha “Labirinto”, mas enfim... Fiquei feliz.

Melhor Ator
Forest Whitaker. A certa altura cheguei a acreditar na vitória de Peter O’Toole, já que durante a cerimônia fizeram questão de lembrar sua oito derrotas. Prevaleceu o favorito.

Melhor Atriz
Vamos pular para a próxima categoria... (Hellen Mirren, é claro!)
Ai Penélope!!! (suspiros apaixonados...)

Melhor Direção
Suspense! George Lucas, Francis Ford Coppola e Steven Spielberg no palco; três grandes ídolos meus. Chamam Alvaro André ao palco... Eu acordo! (risos)
And the Oscar goes to... MARTIN SCORSESE!
Merecidíssimo! Todas as dívidas da Academia para com Scorsese estão pagas. Ele está de volta a sua velha forma, num filme menos pretensioso, narrando àquilo que narra melhor: histórias de gângsteres. Não é a melhor direção do ano; certamente Paul Greengrass e o ignorado Alfonso Cuarón estão melhores; talvez (pelo que dizem) Clint Eastwood também... Mas uma premiação longe de ser injusta. Pelo conjunto da obra e pelo bom filme que fez.

Melhor Filme
Dívidas mais do que pagas para com Scorsese. “Os Infiltrados” leva a principal estatueta da noite. Merecido? Difícil dizer... É certamente melhor do que o competente, porém pretensioso “Babel”; para mim, não tão bom quanto “Little Miss Sunshine”. Não assisti aos outros dois. Ficaria com “Little Miss Sunshine”, mas definitivamente “Os Infiltrados” não faz feio.

Observações:
A Globo pode até decepar um pedaço da cerimônia, mas ainda assim da um show de cobertura perto da TNT. Além da tradução mais coerente, ainda tem José Wilker, que convenhamos, é muito melhor que Rubens Ewald Filho.

Falando nele (no Ewald), como ele ousa falar mal de Penélope Cruz?! Esse cara ta querendo briga... só faltou criticar a Anne Hathaway, a Kate Winslet, a Abigail Breslin ou a Natalie Portman. (aí sim eu ficaria nervoso!)

Concordo com Homer Simpson; Jack Nicholson é uma atração a parte na noite.

O título deste post é não só referencia à noite passada, mas também ao excelente filme de Robert Altman, ignorado pela Academia.


por Alvaro André (Alvinho), expulso do palco por pedir uma foto junto a George Lucas

sábado, 24 de fevereiro de 2007

O loto do Oscar

Sim. Tenho eu cá que dar minha opinião também, para podermos ter um pequeno joguinho apostático e ver quem entende mais de nosso delicioso cinema blockbuster do Tio Sam. Ou não; talvez a graça esteja em tentar prever quem ganha e quem não ganha (ainda que eu tenha certeza que vamos contabilizar os erros e acertos e comparar, saudáveis competidores que somos).

Lá vai então:

Melhor Filme: A lógica seria Babel, a não surpresa Cartas de Iwo Jima e a completa zebra Pequena Miss Sunshine. Como a vida é feita de zebras, vai ser Pequena Miss Sunshine.

Melhor diretor: Batalha de grandes projetos. Iñarritu fez praticamente três filmes diferentes para montar Babel; Eastwood corre não só com Cartas de Iwo Jima, mas também com A conquista da Honra, parte do mesmo projeto. Do outro lado, um Scorcese despreocupado em ganhar o Oscar: realizou os Inflitrados entre amigos. Gosto muito mais dele assim. Na balança da justiça da Academia está em débito com Scorcese, pois ele deveria ter ganhado por O touro indomável, muitos anos no passado. Mas a Academia é muito maldosa quando quer ser assim (para a tristeza de muitos). Correndo por fora (talvez fora demais), Paul Greengrass pelo vôo 93 e Stephen Frears pela Rainha, produções muito competentes mas mesmo assim com poucas chances de bater as outras. Resumo da ópera: a Estatueta deve ficar entre Iñarritu e Eastwood e me abstenho de escolher entre eles.

Melhor ator: Este ano, a epidemia das personagens históricas continua com tudo. Agora, saímos um pouco da música (talvez pelo fato de Dreamgirls ser um filme “coletivo” enão ter uma presença forte no elenco para concorrer nas interpretações como principal) e vamos todos pagar tributo às nobres figuras históricas do Velho Mundo. Reza a lenda que ganha Forest Whitaker por O Último Rei da Escócia. Eu não vi o filme, mas deve ganhar mesmo: a crítica dita especializada em reis do século XIX e a família real diz que ele está perfeito no papel; a viúva até surtou quando vi o filme. Ironias à parte, Leonardo di Caprio construiu o melhor personagem da sua carreira em Diamante de Sangue e merece respeito. Will Smith está muito interessante em seu personagem também.

Melhor atriz: Alguma dúvida sobre quem ganha? Essa categoria já foi mais difícil. Seguindo a lógica, Hellen Mirren, A Rainha. Faço essa escolha de coração partido. Deveriam ter deixado pra lançar Volver ano que vem.

Melhor ator coadjuvante: Não sou tão otimista como meu caro colega colaborador. Eddie Murphy, que já ganhou o Globo de Ouro. Particularmente, eu ficaria emocionado de vê-lo recebendo um Oscar, ainda que eu acredite que a melhor atuação dele seja pelo detetive Axel Foley em Um tira da Pesada.

Melhor atriz coadjuvante: E não é que Cate Blanchet conseguiu uma indicação? Após haver reclamado que seu papel em Babel tinha poucas falas (injustiça pois Rinko Kikuchi fala muito menos e está indicada), ela conseguiu uma indicação por Notas sobre um escândalo. E sabem quem vai ganhar? Ela mesmo.

Melhor roteiro original: Paul Haggins, diretor de Crash, ataca novamente como roteirista, indicado por Cartas de Iwo Jima. Interessante esse sujeito, aprecio bastante o seu trabalho. Roteiro original? Difícil escolher. Adorei o roteiro da Rainha, mas não sei se tem força suficiente pra levar a estatueta. Babel é magnificamente bem amarrado (sim, mas Amores Brutos era bem melhor). Pequena Miss Sunshine é uma jóia delicada. O labirinto do Fauno é o menos original, pois cola milhões de referenciais de fábula em um cenário bélico, mas em compensação é de longe o mais criativo. Puxa...temos cá empate técnico.

Melhor roteiro adaptado: Borat é muito criativo. Mas quem ganha são Os Infiltrados, uma das melhores conduções narrativas de história policial já vistas no cinema.

Melhor Fotografia: Tem gente dando o prêmio como certo pra Filhos da Esperança. Eu concordo. Nunca estive numa guerra. Mas agora eu sei como é. Obrigado, señores Cuáron e Alex Rodriguez.

Melhor edição: Do ponto de vista técnico, Vôo 93. Mas não sei...acho que leva Babel. A cadência das seqüências e as linkagens de cena estão boas. Diz meu caro colega colaborador que, se um filme não for indicado na categoria edição, não leva o Oscar. Vamos ver se esse tabu se confirma.

Melhor direção de arte: Uma categoria em que Dreamgirls contabiliza um Oscar pra possível coleção.

Melhor figurino: que surpresa estranha seria O diabo Veste Prada ganhar alguma coisa, não? Mas pode ser que o “Velozes e Furiosos” versão feminina leve um prêmio pra casa sim.

Melhor trilha sonora: Está nas mãos de Gustavo Santaoalla, por Babel. Ele é um dos mais produtivos criadores de trilhas da atualidade. Sou fã desse cara.

Melhor canção: Escolha a sua canção preferida dentre as três canções indicadas de Dreamgirls e estará acertando. É uma chance em três, mas a certeza é uma: Dreamgirls deve sair vitorioso nessa batalha desigual.

Melhor Maquiagem: Quem sabe Mel Gibson não sai com uma estatueta de consolação? Apocalipto tem uma excelente maquiagem.

Melhor edição de som: Ponto pra Cartas de Iwo Jima.

Melhor Mixagem de som: Ah...se é mixagem, então nesse caso vamos com Dreamgirls.

Melhores efeitos especiais: O do Peter Jackson. Ops...ele não lançou nenhum filme esse ano. Mas ano que vem deve ganhar. Quem ganha então? Piratas do Caribe leva seu único Oscar pra casa.

Melhor Animação: Ganham os Carros. Essa temporada não foi muito inspiradora para as animações. Enfim...geralmente ganha aquele que mais vendeu em bilheteria.

Melhor filme estrangeiro: Não gosto de julgar sem ter visto mais que um filme. O Labirinto do Fauno é excelente, mas e os outros? O que têm eles pra nos dizer?

Melhor filme documentário: A mesma coisa da categoria anterior. Se Uma verdade inconveniente ganhar, é bem provável que o próximo presidente americano seja um membro do Partido Democrata. A Academia também captura o atual sentimento político americano.

Melhor documentário em curta metragem, melhor animação em curta metragem e melhor Curta metragem: Tá...nessas horas, você levanta e vai geralmente fazer um lanchinho na cozinha. Mesmo assim, todos esses nomes estranhos em inglês (que provavelmente jamais serão traduzidos pro português), devem conter coisas muito interessantes de serem vistas. Por quê somos privados de vê-las? Poxa...nem num site da Internet podem ser encontrados. Pena que ninguém paga pra assistir curta metragens num cinema.

*Carlos Debiasi é estudante de cinema e se pergunta que fins levam os vencedores da Mega Sena.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

O Oscar segundo Alvaro André

Vamos à brincadeira!... (observem bem a palavra "brincadeira", ou seja, tudo o que virá a ser dito aqui será de uma opinião extramente pessoal e aberta a discordâncias civilizadas, sem tabefes, socos, gritos ou palavrões; afinal, os meu votos são por demais importantes para serem enviados a qualquer uma dessas "Academiazinhas" que tem por aí... rs). Agora sim, vamos ao jogo!

Filme

Vai vencer: Hum... Ano passado era mais fácil (e deu zebra! risos). Ok; fica entre “Cartas de Iwo Jima” e “Babel”.
Meu voto seria: “Little Miss Sunshine”.

“Babel” era o preferido. Hoje, trava uma briga sem precedentes com “Little Miss Sunshine”, “Os Infiltrados” e “Cartas de Iwo Jima”. Há muito não se via uma disputa tão acirrada, mas apesar do grande filme que é, “Babel” apresenta desvantagens perante seus concorrentes. Para começar, é a obra mais pretensiosa da categoria, aquela minimamente pensada para se ganhar um Oscar. Assim, produções mais despojadas como “Miss Sunshine” e “Os Infiltrados” acabam tornando-se infinitamente mais charmosas e interessantes. “Little Miss Sunshine” é sem dúvidas, o mais sublime dentre os competidores; um daqueles filmes cuja mais ranzinza das criaturas é incapaz de não sair da sessão sorrindo. Pelo simples fato de ser uma comédia sutil, charmosa, e com inúmeras questões a abordar, já merecia meu voto. Porém, conta ainda com um elenco impecável, dos melhores reunidos numa produção do ano passado. Sim, meu voto (e minha torcida) com certeza é para “Little Miss Sunshine”.
ps: Ainda assim, ficarei feliz caso “Os Infiltrados” ganhe. Ainda não assisti ao filme de Eastwood.

Diretor

Vai vencer: A velha disputa Scorsese x Eastwood de novo... Desta vez num triângulo; o terceiro vértice é Iñarritu. Vai vencer... vai vencer... Scorsese fora; a disputa será acirradíssima entre Eastwood e Iñarritu.
Meu voto seria: Paul Greengrass, que com certeza merecia seu “Vôo United 93” (para mim, o melhor filme norte-americano do ano passado) dentre os indicados a melhor filme. Gosto do filme, gosto mais ainda do tom, muitas vezes quase que documental, que Greengrass dá a ele. Com sua costumeira fotografia granulada (a mesma de “Domingo Sangrento”), sua câmera rápida e extraindo o melhor de atores desconhecidos do público, e alguns não atores também, Greengrass é hábil em contar duas histórias paralelas; a dos passageiros a bordo do vôo, e a dos bastidores, que envolvem controladores de vôo, força aérea e governo. Sem jamais se entregar ao melodrama, Greengrass faz de “Vôo United 93” um filme angustiantemente real, nada parecido com a bobagem apresentada por Oliver Stone e suas “Torres Gêmeas”.


Atriz

Vai ganhar: Hellen Mirren é claro! A estatueta já deve até mesmo estar na sala da casa dela, bem ao centro dos inúmeros outros prêmios dedicados à sua interpretação por “A Rainha”.
Meu voto seria: Quem me conhece sabe da admiração que tenho pela carreira de Kate Winslet, a qual considero uma das melhores atrizes holywoodianas de sua geração. Há dois anos, ela era a única que poderia desbancar Hilary Swank por “Menina de Ouro” (Winslet fora indicada pelo injustiçado “Brilho Eterno de uma mente sem lembranças”). Não aconteceu. Hoje, ela vem com aquela que os críticos consideram como sua melhor interpretação, no polêmico “Pecados Íntimos”. Como as atuações de Winslet e Mirren ainda não chegaram aos cinemas da cidade sanduíche, fico com a única opção que me resta, e que após meses ainda me fascina. Penélope Cruz está soberba em “Volver”, filme de Almodóvar que injustamente fora indicado somente nesta categoria. Ela faz uma das personagens mais sublimes (e por que não dizer, discretas) já criadas pelo diretor; talvez também a melhor retratação da mulher feita por este, que sempre recorre ao tema. E que atire a primeira pedra aquele incapaz de derrubar uma lágrima enquanto ela canta “Estrella Morente”, num dos momentos mais belos do filme.
Enfim, fico com Penélope, porém feliz caso Winslet leve sua tão merecida estatueta.
ps: Impossível esquecer o excepcional trabalho de Meryl Streep no divertido “O Diabo veste Prada”, embora suas chances bastante pequenas.

Ator

Vai ganhar: Forest Whitaker por “O Último Rei da Escócia”.
Meu voto seria: Assistir unicamente a performance de Will Smith em “À Procura da Felicidade” (por mais que ele esteja excelente neste filme), não me dá pré-requisitos para votar nesta categoria. Voto em branco. Ou, a julgar pela carreira dos candidatos, dividiria o prêmio em cinco (risos). Talvez até domingo eu tenha um favorito.

Atriz Coadjuvante

Vai ganhar: Jennifer Hudson por “Dreamgirls”. Talvez dê zebra e fique com Rinko Kikuchi por “Babel”;
Meu voto seria: Categoria difícil. “Babel” vem com duas competidoras de peso, e será justo caso qualquer uma das duas venha a ganhar. Porém, meu voto vai para Abigail Breslin, por “Little Miss Sunshine”. Encantadora, ela consegue a difícil façanha de ser e interpretar uma criança, algo dificílimo considerando os pequenos prodígios que habitam Hollywood. Abigail destaca-se dentre um elenco de peso, conseguindo dar complexidade a uma personagem, que poderia muito bem existir fundamentada em meia dúzia de caretas e olharzinhos fofinhos. Enfim, mais uma para “Little Miss Sunshine”.

Ator Coadjuvante

Vai ganhar: Eddie Murphy... Sim, aquele mesmo de “O Professor Aloprado”, “Mansão Mal Assombrada”, etc, etc, etc...
Meu voto seria: Apesar de não ter assistido a “Dreamgirls” (e não gosto de julgar nada sem antes conhecer), é difícil imaginar Murphy desbancando caras como Jack Nicholson, Brad Pitt (numa das melhores interpretações de sua carreira) e Ben Affleck (aclamado pela crítica por sua atuação em “Hollywoodland”. Indo direto ao ponto; Alan Arkin está excelente no papel do avô viciado em “Little Miss Sunshine”, e há tempos vem merecendo maior reconhecimento. Por outro lado, Mark Wahlberg faz um trabalho excepcional em “Os Infiltrados”, esbanjando talento num personagem que a princípio não parece ter grandes oportunidades de desenvolver-se. Difícil escolha... ah, Mark Wahlberg. Pronto!

Montagem
Vai ganhar
: Babel.
Meu voto seria: “Vôo United 93”, porém ficaria feliz caso o premio fosse para o excelente “Filhos da Esperança”.

Melhor Filme Estrangeiro
Vai ganhar:
“O Labirinto do Fauno”
Meu voto seria: Considero “O Labirinto do Fauno” o melhor filme lançado em circuito nacional no ano passado (em minha humilde opinião!); e embora não conheça os demais candidatos, a fixação em mim causada pelo filme de Guilherme del Toro certamente garantiria meu voto a ele. Não se esquecendo de destacar o grande trabalho da equipe técnica e o elenco soberbo do filme, com principal atenção à menina Ivana Baquero, num papel cuja dramaticidade é inversamente proporcional a idade da jovem e talentosa atriz. Nada mais a declarar, a não a inexplicável ausência de “Volver” dentre os indicados.

Roteiro Original:
Vai ganhar: “Babel”
Meu voto seria: “Little Miss Sunshine” x “O Labirinto do Fauno”... Dúvida cruel! Vai “O Labirinto do Fauno” (antes que eu mude de idéia).

Roteiro Adaptado:
Vai ganhar: “Pecados Íntimos”
Meu voto seria: Não votaria; só conheço o bom trabalho de “Os Infiltrados”, e o excepcional roteiro de “Filhos da Esperança”. Caso me torturassem e me obrigassem a votar, com certeza meu voto seria para o filme de Cuarón.

Fotografia:
Vai ganhar:
“Filhos da Esperança”
Meu voto seria: “Filhos da Esperança” com toda certeza. Ao menos aqui o filme de Alfonso Cuarón teria que ser prestigiado. Na verdade, é inadmissível que o diretor não esteja dentre os indicados à melhor direção. Num projeto ousado, Cuarón leva as telas uma história surpreendente, que só não derrapa graças ao roteiro bem estruturado e a direção firme que o mexicano dá ao longa. E mesmo que tudo não passasse de uma grande bobagem (o que não é), “Filhos da Esperança” valeria a pena apenas pelos três magníficos planos seqüências (um deles contendo dez minutos!) apresentados pelo diretor. Enfim, mesmo que todo o resto fosse descartável, o resultado ainda assim seria no mínimo interessante.

Animação
Vai ganhar: “Carros”
Meu voto seria: “Carros”, por mais que “Happy Feet” seja fofinho e bem intencionado.