terça-feira, 18 de dezembro de 2007

O HOSPEDEIRO


Bastam alguns minutos do prólogo para sintetizar aquilo que transcorre a tela durante os quase 120 minutos de projeção de O HOSPEDEIRO, do sul-coreano Bong Joon-ho. Logo de cara, testemunhamos o fato que levará a origem da criatura título do filme, e que conseqüentemente desencadeará o conflito da trama. Num pequeno laboratório americano localizado em Seul, acompanhamos a tarefa designada a um cientista sul-coreano de despejar ácido fórmico nas águas do rio Han, que corta e abastece a cidade. Após uma mal-sucedida tentativa de dissuadir seu chefe, um autoritário cientista norte-americano, de tal propósito, acompanhamos o ato do subordinado através do primeiro dentre os muitos magníficos planos construídos por Joon-Ho. É através de um travelling lateral que constatamos o impacto narrativo (além de ambiental) que tal ato virá a gerar num futuro próximo, fazendo com que O HOSPEDEIRO revele logo nesses primeiros minutos seu cunho sócio-político envolto em toda a história.
Um cross fade faz com que a ação dê um salto temporal de alguns anos na história, centrando uma câmera estática em duas figuras às margens do Han. Neste segundo momento, acompanhamos o diálogo leve e informal entre os dois pescadores sobre uma estranha criatura que encontram durante a pescaria. A criatura foge e um novo salto temporal nos leva ao terceiro ato do prólogo.
Este terceiro momento nos leva ao tempo onde se passa a ação da história. A câmera, mais uma vez, absolutamente observativa, centra-se na figura de um suicida preste a se jogar de uma ponte sobre o Han. Recorrendo a ângulos inusitados, Joon-Ho consegue através da mise-en-scène criar não só uma seqüência dramática, mas também absurdamente poética. Assim, os principais elementos presentes em O HOSPEDEIRO se completam, desmascarados logo no prólogo, fazendo do filme uma obra com alto cunho político-social-cultural, com inúmeros momentos de descontração e até comicidade, alternados a outros de grande dramaticidade e poesia. Acaba tornando-se ousado por reunir tão diferentes facetas num filme que em muito se assemelha ao horror B, e que certamente passaria despercebido em meio a tantos outros filmes de criaturas.
Apropriando-se de elementos da narrativa clássica hollywoodiana, utilizando uma narrativa cronológica, montada à risca dos principais manuais de edição, ou seja, utilizando-se de cortes rápidos nas cenas de ação, além da câmera freqüentemente inquieta nesses mesmos momentos, O HOSPEDEIRO suga aquilo que acredita que o cinema americano tem de melhor, e segue ainda a tendência pós-moderna de ousar até o limite da compreensão do expectador comum. E é justamente em sua ousadia que acerta.
Ao fim do prólogo, somos finalmente apresentados ao núcleo da trama, e assim, à primeira grande ruptura que O HOSPEDEIRO faz ao cinema clássico hollywoodiano. O primeiro plano que temos do protagonista é de uma figura desajeitada que dorme sobre o balcão de uma venda, e que por pouco não é assaltada por uma criança. O filme apresenta enfim seu herói bufão, que considerado por todos os outros como um idiota, terá que lutar contra o monstro hospedeiro que levará sua filha. Interpretado por Kang-ho Song (LADY VINGANÇA), o mocinho Park Gang-Du quebra quase que por completo o arquétipo de herói, já que, suas características o tornam um personagem bufão que por muitas vezes tem partes de sua jornada cumpridas por terceiros. Park só não deixa a figura do herói por completo, porque tem uma característica quase que intuitiva de salvar a filha, com quem mantém uma relação quase fraterna. As decisões e atitudes do protagonista são ainda constantemente questionadas por seus companheiros de jornada (um irmão desempregado e uma irmã competidora em arco e flecha), exceto pelo pai, que surge como arquétipo do mentor.
O surgimento da criatura vem logo em seguida, na primeira cena antológica do filme. Observada de longe por curiosos que não conseguem identificá-la, a criatura mergulha nas águas do Han surgindo logo após fora de quadro, enquanto nós espectadores apenas observamos a expressão de horror do protagonista. A seqüência se desenvolve frenética, com cortes rápidos, uma câmera intensa e ótimos efeitos especiais (o monstro fora criado pela empresa de Peter Jackson), seguindo a atual cartilha de como se fazer uma boa cena de ação. Seu grande diferencial acaba sendo os ângulos curiosos em que vez ou outra Joon-ho posiciona a câmera. Interessante é constar que, embora num filme claramente fictício, o diretor opta por utilizar a verossimilhança, principalmente nos momentos de ação. Assim, os heróis de O HOSPEDEIRO são pessoas comuns, que lutam com as armas que têm em mãos (como uma placa de trânsito), tornando tudo mais crível ao expectador. Joon-Ho não hesita ainda em estender o tempo sempre que necessário, principalmente em momentos de grande dramaticidade, criando um paradoxo à edição rápida usada em cenas de ação (a cena de Park chorando, ao lado do pai e dos irmãos no velório da filha, é mais um exemplo da poesia contida no filme).
O HOSPEDEIRO ousa ainda em misturar ao cinema de horror, doses de outros gêneros cinematográficos. Além de conter um forte apelo cômico, flerta ainda com o cinema trash, adentra o drama familiar, reproduz um contexto histórico atual, além de tangenciar os blockbuster americanos. Com críticas severas ao imperialismo norte-americano, e mais diretamente, à guerra contra o Iraque, O HOSPEDEIRO é a prova de que um filme de monstro pode apresentar críticas mais profundas em outras camadas (algo que pode ocorrer à outros gêneros, como o infantil no recente RATATOUILLE). Seu caráter sócio-político culmina enfim em sua antológica seqüencia final, que envolve uma manifestação popular contra o suposto vírus trazido pela criatura (vírus que em determinado momento saberemos não existir) e o confronto final do trio protagonista com o tal hospedeiro.
Caso claro de cinema de gênero, O HOSPEDEIRO é, a primeira vista, convencional em sua camada mais superficial, ou seja, dá verossimilhança ao mundo fictício ao qual se propôs a criar, e sua trama é composta por um estágio de equilíbrio, sua perturbação, a luta e a eliminação do elemento perturbador, porém sua representação (modo que se refere ou confere significação a um mundo ou conjunto de idéias) vai além da primeira camada. Em termos de estrutura (modo como os elementos fílmicos se combinam para criar um todo diferenciado), inova por conciliar elementos distintos (como humor, ficção científica e terror trash), algo quase sempre incompatível ao cinema clássico hollywoodiano. Por fim, como ato (processo dinâmico de apresentação de uma história a um receptor) atinge aos mais diferentes tipos de expectador; desde aquele que procura o puro entretenimento numa ficção cinematográfica, até aquele em busca de uma obra com ampla significação artística e narrativa, construída através da boa utilização da gramática cinematográfica. Não à toa, O HOSPEDEIRO conta com a maior bilheteria feita (cerca de 13 milhões de pessoas) em seu país de origem, a Coréia do Sul, e figura em inúmeras listas da crítica entre os melhores do ano.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

GLOBO DE OURO: CINEMA

Está aberta a temporada de premiações! O GLOBO DE OURO, considerado um pré-Oscar (embora já não faça jus ao título, pois as premiações andam bastante distintas) divulgou a lista de indicados no último dia 13 e este blog comenta aqui, com certo atraso, não só as principais categorias cinematográficas, como também as televisivas. E vamos a elas!

MELHOR FILME – DRAMA/SUSPENSE
O GÂNGSTER / ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ / SENHORES DO CRIME / DESEJO E REPARAÇÃO / THE GREAT DEBATER / CONDUTA DE RISCO / SANGUE NEGRO

Exceto CONDUTA DE RISCO, elogiado thriller estrelado por George Clooney, nenhum dos demais indicados chegou aos cinemas brasileiros. DESEJO E REPARAÇÃO surpreende pelo número de indicações (7 no total), embora (ao menos por enquanto) não ameace o favoritismo de produções como O GÂNGSTER, de Ridley Scott, e ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ, badalada produção dirigida pelos irmão Cohen, recém-premiada como melhor filme pelo WASHINGTON DC ÁREA FILM. Concorrem ainda SENHORES DO CRIME, novo filme de Cronemberg (MARCAS DA VIOLÊNCIA), THE GREAT DEBATER, além do apelidado “novo CIDADÃO KANE”, THERE WILL BE BLOOD, de Paul Thomas Anderson (MAGNÓLIA).

MELHOR FILME – COMÉDIA/MUSICAL
ACROSS THE UNIVERSE / JUNO / HAIRSPRAY / JOGOS DO PODER / SWEENEY TODD: O BARBEIRO DEMONÍACO DA RUA FLEET

Se a categoria drama/suspense têm favoritos bem destacados, esta vem mais equilibrada. ACROSS THE UNIVERSE, recém-lançado no Brasil (não me perguntem onde!) destaca-se pela ousadia de basear seu roteiro sobre músicas dos Beattles e conta com um visual bastante interessante. HAIRSPRAY (o único o qual assisti) é uma comédia musical mais do que simpática, e embora tivesse sua indicação prevista desde o princípio, dificilmente levará o troféu para casa. JOGOS DO PODER têm Tom Hanks, Julia Roberts e Philip Seymour Hoffman, é dirigido por Mike Nichols (CLOSER, QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNIA WOOLF?) e isso deve no mínimo justificar sua indicação. O independente JUNO vem ganhando força em outras premiações, e por fim, SWEENEY TODD, é considerado por boa parte da crítica um dos melhores trabalhos de Tim Burton (A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATES, ED WOOD), o que o faz despontar como grande favorito da categoria.

MELHOR ATOR – DRAMA/SUSPENSE
DANIEL DAY-LEWIS / DENZEL WASHINGTON / GEORGE CLOONEY / VIGGO MORTENSEN / JAMES MCAVOY

Categoria acirrada. Quatro atores experientes contra um jovem promissor extremamente talentoso. Para aqueles que não conhecem o trabalho de James McAvoy, vale conferir a interpretação intensa do rapaz em O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA (ele também fez CRÔNICAS DE NÁRNIA, mas esse é dispensável), num papel extremamente difícil, pelo qual o ator merecia um maior reconhecimento. Ao lado de McAvoy, os sempre competentes Daniel Day-Lewis (vencedor do OSCAR por MEU PÉ ESQUERDO), Denzel Washington (vencedor do OSCAR por DIA DE TREINAMENTO), Viggo Mortensen, que assim como Elijah Wood, anda procurando grandes papéis em filmes menores após O SENHOR DOS ANÉIS, e por último, George Clooney, naquela que dizem ser a melhor interpretação de sua diversificada carreira (Clooney é também um grande diretor).

MELHOR ATRIZ – DRAMA/SUSPENSE
ANGELINA JOLIE / JODIE FOSTER / CATE BLANCHETT / JULIE CHRISTIE / KEIRA KNIGHTLEY

Uma lista curiosa que deixa de fora nomes como Ashley Judd (por POSSUÍDOS) e Anne Hathaway (por BECOMING JANE), antes apostas certas entre as indicadas. Cate Blanchett mais uma vez presente num dos maiores prêmios do cinema americano (após conquistar inúmeras indicações e prêmios por BABEL e NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO); Keira Knightley (ORGULHO E PRECONCEITO, PIRATAS DO CARIBE) também figurinha repetida mais do que merecida, afinal, a garota é talentosa; Jodie Foster e Julie Christie indicadas por papéis em filmes que não fizeram lá muito alvoroço, e Angelina Jolie, que há muito tempo não fazia algo merecedor de um prêmio.

MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL
JOHN C. REILLY / JOHNNY DEPP / RYAN GOSLING / PHILIP SEYMOUR HOFFMAN / TOM HANKS

Tão acirrada quanto a categoria drama/suspense, esta traz grandes nomes, que já passaram ao menos por um punhado de premiações. Johnny Depp (EDWARD, MÃOS DE TESOURA) é sempre genial e mal posso esperar para vê-lo na pele do barbeiro demoníaco em sua mais nova parceria com Tim Burton. O mesmo vale para John C. Reilly (CHICAGO, AS HORAS). Ryan Gosling (UM CRIME DE MESTRE) já havia aparecido nas principais premiações do ano pelo independente HALF NELSON e Philip Seymour Hoffman (vencedor do Oscar por CAPOTE), vem indicado por THE SAVAGES, além de integrar o elenco de JOGOS DO PODER, que traz a indicação de Tom Hanks, que a muito não fazia algo considerável.


MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL
AMY ADAMS / ELLEN PAGE / HELENA BOHAM-CARTER / MARION CONTILLARD / NIKKI BLONSKY

Parabéns! Todas são muito talentosas, merecedoras, (blá-blá-blá, etc) but sorry, Edith Piaf está saindo desde já com o troféu nas mãos, disfarçada de Marion Contillard. Alguém vai discutir?

MELHOR ATOR COADJUVANTE
CASEY AFFLECK / JAVIER BARDEM / PHILIP SEYMOUR HOFFMAN / JOHN TRAVOLTA / TOM WILKINSON

Dupla chance para Philip Seymour Hoffman, indicado aqui por sua participação em JOGOS DO PODER. Casey Affleck vem sendo festejado por seu papel em O ASSASSINATO DE JESSÉ JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD, enquanto Javier Barden e Tom Wilkison concorrem por suas atuações em ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ e CONDUTA DE RISCO, respectivamente. Quanto a John Travolta, que esbanja energia e simpatia na pele de uma mulher obesa em HAIRSPRAY, corre por fora com poucas chances de levar, mas foi ao menos merecidamente lembrado.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
AMY RYAN / CATE BLANCHETT / JULIA ROBERTS / SAOIRSE RONAN / TILDA SWINTON

Cate Blanchett está para Philip Seymor Hoffman e desponta também indicada em duas categorias, nesta por I’M NOT THERE. Julia Roberts completa o trio protagonista concorrente por JOGOS DO PODER, Amy Ryan vem com MEDO DA VERDADE, e DESEJO E REPARAÇÃO e CONDUTA DE RISCO ganham mais uma indicação pelos trabalhos de Saoirse Ronan e Tilda Swinton, respectivamente.

MELHOR DIRETOR
ETHAN e JOEL COHEN / TIM BURTON / RIDLEY SCOTT / JOE WRIGHT / JULIAN SCHNABEL

De um lado ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ se consagrando aos poucos como o melhor do ano, o que dá aos Cohen grandes chances nesta categoria; do outro, Tim Burton (finalmente de volta as grandes premiações!) e Ridley Scott, com SWEENEY TODD e O GÂNGSTER, ambos destacados entre os melhores trabalhos dos dois diretores. Por fora, Joe Wright (por DESEJO E REPARAÇÃO) e Julian Schnabel (por O ESCAFANDRO E A BORBOLETA) que já vêm com certo mérito por desbancar a indicação de Paul Thomas Anderson (THERE WILL BE BLOOD), antes tida como certa.

MELHOR ROTEIRO
JUNO / DESEJO E REPARAÇÃO / ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ / JOGOS DO PODER / O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

Quatro grandes filmes contra um pequeno independente, o elogiadíssimo JUNO, que vem ganhando força pouco a pouco. Difícil analisar sem ver; na verdade impossível! Resta aguardar...

MELHOR ANIMAÇÃO
RATATOUILLE / BEE MOVIE / OS SIMPSONS

Com PERSEPOLIS fora da categoria (foi parar na de MELHOR FILME ESTRANGEIRO), RATATOUILLE reina magnânimo não só como a melhor animação, como também entre um dos melhores do ano, não deixando chances ao humor non-sense de OS SIMPSONS, e muito menos ao criticado BEE MOVIE, que traz Jerry Seinfeld versão abelha.
por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

GLOBO DE OURO: TV

MELHOR SÉRIE DRAMÁTICA
HOUSE / BIG LOVE / DAMAGES / THE TUDORS / GREY’S ANATOMY / MAD MEN

Difícil julgar sem ser parcial. HOUSE é (para mim) uma das coisas mais sensacionais da televisão americana hoje em dia, embora reconheça sua estrutura narrativa absolutamente convencional. Não há episódio perdido, tudo é absolutamente bem pensado e repensado e o que vai ao ar nunca é menos do que ótimo. Já badalada GREY’S ANATOMY faz o gênero novelinha, mas daquelas que te fisga e fica impossível parar; além de contar com elenco e roteiro invejáveis. Dizem que BIG LOVE já teve dias melhores, mas como a HBO não chega aqui em casa, fica difícil julgar. Dizem também que DAMAGES é fora de sério, mas assim como MAD MEN, ainda está para desembarcar em nosso território. Por último vem THE TUDORS e a pergunta: fui só eu que achei a série pretensiosa e chata, ou mais alguém também achou? Para fechar, impossível esquecer mais uma injustiça com LOST que teve uma temporada no mínimo impecável, e mesmo assim, ficou de fora das principais categorias. Assim sendo, meu voto desde já ficaria com HOUSE.

MELHOR SÉRIE CÔMICA
30 ROCK / PUSHING DAISIES / EXTRAS / CALIFORNICATION / ENTOURAGE

Conheço pouco das indicadas. Me pergunto o que CALIFORNICATION está fazendo nesta categoria e onde está UGLY BETTY (a ausência das DESPERATE é até compreensível já que há algum tempo elas não andam nas graças da crítica americana). 30 ROCK é divertida e bem escrita, sei pouco sobre EXTRAS e ENTOURAGE, e destaco desde já a badalada PUSHING DAISIES como a favorita ao troféu do ano.

MELHOR ATOR SÉRIE DRAMA
HUGH LAURIE / MICHAEL C. HALL / BILL PAXTON / JONATHAN RHYS-MEYERS / JOHN HAMM

Entre Hugh Laurie (HOUSE) e Michael C. Hall (DEXTER). Como o Dr. House ganhou dois anos consecutivos, alguém tem dúvida que ficará com o serial killer ex-agente funerário?

MELHOR ATRIZ SÉRIE DRAMA
PATRÍCIA ARQUETTE / GLENN CLOSE / MINNIE DRIVER / EDIE FALCO / SALLY FIELD / HOLLY HUNTER / KIRA SEDGWICK

A queridinha da crítica americana Kira Sedwick (THE CLOSER) já foi tão indicada e premiada que já está virando marmelada. O mesmo serve para Edie Falco (THE SOPRANOS). Sally Field, vencedora do Emmy por BROTHERS & SISTERS, pode vir a ser uma surpresa, mas a disputa acirrada deve ser entre Glenn Close (DAMAGES) e Minnie Driver (THE RICHES). Holly Hunter (SAVING GRACE) e Patrícia Arquete (MÉDIUM) fecham a disputa.

MELHOR ATOR SÉRIE CÔMICA
ALEC BALDWIN / STEVE CARRELL / RICKY GERVAIS / DAVID DUCHOVNY / LEE PACE

Ficará entre Alec Baldwin (30 ROCK) e o virgem de 40 anos, Steve Carrell (THE OFFICE), porém com chances para Lee Pace (PUSHING DAISIES). Ou pode ser que dê zebra e o ex-ARQUIVO X, David DUCHOVNY (CALIFORNICATION) leve.

MELHOR ATRIZ SÉRIE CÔMICA
CHISTINA APPLEGATE / AMÉRICA FERRERA / ANNA FRIEL / TINA FEY / MARY-LOUISE PARKER

Interessante... pela primeira vez uma DESPERATE não aparece na lista (e olha que Márcia Cross é sempre digna de indicação). Quem levará o bi-campeonato:Mary-Louise Parker (WEEDS) ou América Ferrera (UGLY BETTY)? Temos ainda SAMANTHA WHO?, 30 ROCK e PUSHING DAISIES. Difícil... muito difícil...

MELHOR ATOR COADJUVANTE
TED DANSON / KEVIN DILLON / JEREMY PIVEN / ANDY SERKINS / WILLIAM SHATNER / DONALD SUTHERLAND

Como não vi o trabalho de nenhum dos indicados não apostaria nessa categoria. Mas em todo caso, se me obrigassem ficaria entre Donald Sutherland (DIRTY SEXY MONEY) e Ted Danson (DAMAGES).

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
ROSE BYRNE / RACHEL GRIFFITHS / KATHERINE HEIGL / SAMANTHA MORTON / ANNA PAQUIN / JAIME PRESSLY

Só conheço os trabalhos de Katherine Heigl, vencedora do Emmy por GREY’S ANATOMY e Rachel Griffths (BROTHERS & SISTERS) e embora goste das duas, fico me perguntando por que mais uma vez Heigl é indicada enquanto Sandra Oh, ainda superior a colega de elenco, é praticamente ignorada. Será que eles não indicam gente feia?! A pergunta é absurda, mais ao menos explicaria tamanha injustiça.
por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

MAIS DO MESMO: UGLY BETTY, GOSSIP GIRL E HOUSE

Atualizando enfim! Pra não passar Dezembro em branco.

Direto ao assunto: Semana fraquíssima tanto cinematograficamente, quanto televisivamente (a não ser a cena de OC que eu dirigi na aula de Direção de TV que ficou bacana). Atingi a marca vergonhosa de zero filmes vistos numa semana (a não ser alguns trechos em aula, de pornochanchada e cinema marginal) enquanto na tela menor minha vida se resumiu à segunda temporada de HOUSE (sobre a qual pretendo escrever em breve).
Fora isso UGLY BETTY teve um episódio de Halloween bacana, mas não tão bom quanto o da semana passada, que tinha Daniel Meade colocando chifres de renas e outros apetrechos natalinos em Wihelmina (apesar de que nesta teve o assistente de Wihelmina fantasiado de Betty e Betty vestida de borboleta).
E se UGLY BETTY teve uma pequena e compreensível queda no último episódio (afinal, nem LOST consegue se manter 100% sempre), GOSSIP GIRL sofre um tombo criativo, o que me faz começar a questionar os rumos de série. O episódio veio como prova de que o mocinho Nate é totalmente dispensável à trama (diferente de seu amigo Chuck), além de confirmar minhas suspeitas de que a série se perde sempre que tem as protagonistas, Serena e Blair, interagindo pouco. Para completar, o sofrível “date” de Serena e Dan me leva a crer que os dois têm tudo para manter uma relação “a la” Marissa & Ryan, ou seja, só me resta esperar até que uma versão 2.0 da Taylor apareça na série. Com diálogos extremamente bem escritos, GOSSIP GIRL começa a preocupar por perder cedo demais o fôlego de suas histórias. Neste quinto episódio, a antes nostálgica sensação de “deja vu” vista na série, torna-se agora incômoda, fazendo com que esta precise começar a repensar seus rumos e talvez a necessidade de se reinventar.
Por fim, nem mesmo HOUSE conseguiu ser sensacional na última quinta-feira (tarefa que o médico geralmente cumpre com êxito). Com histórias em excesso, “97 segundos” tem um início confuso com os médicos candidatos competindo por um diagnóstico, enquanto House se mantém intrigado com o caso de um segundo paciente e Foreman atende em seu novo emprego, num hospital de Nova York. Num episódio bastante fragmentado, que só melhora quando as diversas histórias começam a se interligar, HOUSE apresenta o mais fraco dos episódios desta excelente 4ª temporada (o que não quer dizer muito, pois HOUSE dificilmente é ruim) e prova que a série se mantém melhor quando segue sua velha e bem marcada formula narrativa. (Ah! House versão SURVIVOR foi ótimo!).

E por hoje é só!

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

domingo, 25 de novembro de 2007

A SEMANA EM SÉRIE

Recapitulando tudo o que houve de bom e de ruim na minha semana televisiva, descobri uma nova rotina já formada. Segunda é dia livre (ainda não vi a tão comentada SAMANTHA WHO? e confesso que não me atrai) e estou indo para a segunda temporada de GREY’S ANATOMY que provavelmente em breve fará parte do meu início de semana. Terça também é dia vazio (são dias em que geralmente vejo algum DVD ou fico com OS SIMPSONS na FOX, já que a raposa tirou FAMILY GUY e jogou pra o FX, que por um acaso não chega aqui em casa).
Quarta é concorrência desleal! Tem UGLY BETTY na SONY e CHUCK na Warner no mesmo horário. Sorte é que não cheguei à terceira temporada de DESPERATE HOUSEWIVES, série que com certeza merece um post à parte neste blog.
Quinta, como já disse num post anterior, é dia sagrado. As oito tem GOSSIP GIRL, a versão chique e (mais) dramática de uma das minhas favoritas, THE OC. Um intervalo e temos HOUSE na Universal, seguido de HOUSE na Record.
A sexta-feira é desanimada já que não vejo HEROES e aguardo ansioso o lançamento de FRIDAY NIGHT LIGHTS em DVD para acompanhar a série decentemente. Sábado idem (ontem acabei vendo CEMITÉRIO MALDITO as duas da manhã no TELECINE CULT).
Domingo é dia de ver o que não foi visto, CHUCK, no caso, já que divide horário com BETTY. Em meio a tudo isso, a pessoa estuda, come, dorme e tenta levar uma vida normal.
Vamos ao que interessa! Quarta. Ótimo episódio de UGLY BETTY. A transformação de Betty, paralela a de Wilhelmina já vale o episódio. E por falar em Wilhelmina, conhecemos um pouco mais da vilã, numa tentativa estereotipada de humanizá-la através de um novo personagem que aparece no episódio (e lembrem-se; em UGLY BETTY, quanto mais caricato e estereotipado, melhor!). Mas o que mais me desperta interesse é a vilã-mor, aquela versão feminina do cruzamento de Darth Vader com Darth Sidious, dá qual só conhecemos a voz (ela sempre aparece como uma sombra, num cenário meio sinistro).
Quinta. GOSSIP GIRL. O constante embate entre Serena e Blair surge como um dos pontos altos dos episódios, ao lado de Chuck, o vilãozinho arrogante que tem algumas sacadas interessantes. Alias, Blair e Chuck despontam como os melhores personagens de GOSSIP, já que Serena em seus piores momentos nos remete à Marissa “Chata” Cooper, Nate é um verdadeiro paspalho e falta muito para que o simpático Dan se torne um bom Seth Cohen. O episódio teve tudo aquilo que uma boa série teen tem direito, ou seja, barracos, triângulos amorosos, adolescentes problemáticos com pais mais problemáticos ainda. Por fim, a história do irmão de Serena pode ser batida, mas deve render bons frutos ainda para alguns episódios.
(ps: a narração em off da Verônica Mars é ótima).
Ah! A volta do Dr. House! Sem Cameron, sem Foreman, sem Casey, só House, Wilson, Cuddy e o faxineiro do hospital (que se fingindo de médico, obrigado por House, me fez dar boas risadas!). O caso nem foi dos mais interessantes, mas seu desfecho sim foi sensacional. E a disputa de seqüestros entre House e Wilson rendeu os melhores momentos do episódio, ressaltando a veia cômica da série. Dentro de alguns episódios devemos ter os fiéis escudeiros de House de volta, mas, apesar das ausências sentidas, esse primeiro episódio vem para comprovar o que há muito já sabíamos; House por si só já basta.
Fechando a semana, um episódio divertidíssimo de CHUCK, o que me leva a crer que a veia cômica que Josh Schwartz tinha em THE OC (principalmente na temporada final), e que não está presente em GOSSIP GIRL, está toda na série. CHUCK tem um elenco afinado, Zachary Levi está excelente no papel de protagonista, as cenas de ação são bem feitas e o humor pastelão mistura-se bem ao clima de investigação da série. Por ser uma diversão despretensiosa acaba tornando-se ainda melhor, justamente por não se levar a sério.
E assim, foi-se a semana, passou-se o domingo e eu perdi não só o programa TENTAÇÃO como a final da DANÇA NO GELO. Um baque muito forte do qual tentarei me recuperar (tom irônico)... Até.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

sábado, 24 de novembro de 2007

A SUPREMACIA BOURNE

Um agente internacional extremamente bem treinado perseguido ao redor do mundo por inimigos distintos. Soma-se aí a ação de tirar o fôlego e um dedinho a mais de verossimilhança. Não, não estou falando da franquia 007 (mesmo porque, com exceção de CASSINO ROYALE, de verossimilhança James Bond não tem nada) e sim de Jason Bourne, o herói moderno dos filmes de ação.
Seqüência de A IDENTIDADE BOURNE, de Doug Liman, A SUPREMACIA BOURNE (que chega com alguns anos de atraso ao meu DVD) muda de mãos sendo dirigido por Paul Greengrass (VOÔ UNITED 93, DOMINGO SANGRENTO) dando um salto de qualidade a uma franquia que já começara bem.
Interpretado por Matt Damon (OS INFILTRADOS), o amnésico agente Bourne tem o fim de uma trégua de dois anos quando volta a ser perseguido por agentes da CIA e um grupo de criminosos russos. Na busca pelo seu passado, Bourne é seguido de perto por seus inimigos sem ao menos saber o porquê.
Contando com uma história bem elaborada desde o início da série, A SUPREMACIA BOURNE traz não só um roteiro consistente, mas um protagonista bem estruturado. Se antes Bourne já era um personagem interessante pelas incógnitas envoltas em seu passado, aqui revela-se uma figura trágica, movida pela angústia e pela busca da verdade.
O desempenho de Matt Damon é assustador (no bom sentido) pela dimensão que o jovem o jovem ator dá a uma figura de tamanha complexidade como Bourne. Já Paul Greengrass assume sua câmera nervosa (já vista em seus trabalhos anteriores) utilizando-se de movimentos e zooms rápidos que, somados aos planos freneticamente editados, realçam a atmosfera de urgência envolta ao filme.
Greengrass acerta ainda no clima de verossimilhança que dá ao projeto, algo já visto no episódio anterior e que segue a tendência atual de ter sempre um pezinho no real. Assim, as seqüências de ação de A SUPREMACIA BOURNE mesmo sendo incríveis, são, em sua grande maioria, também possíveis.
Vale ainda destacar o talento de Greengrass e do fotógrafo Oliver Wood pela competência ao explorar e diferenciar as várias locações do filme, que foi rodado em nada menos do que seis países (Índia, Alemanha, Holanda, Itália, Rússia e EUA). Além dos enquadramentos belíssimos, a fotografia altera o tom a cada mudança de nacionalidade.
A SUPREMACIA BOURNE não só reafirma o talento de Matt Damon, como ainda faz Paul Greengrass despontar como ótimo diretor de ação. Acima de tudo, faz com que eu me arrependa de não ter visto a essa segunda parte da trilogia antes e me anima a ir até a locadora mais próxima em busca de O ULTIMATO BOURNE, o desfecho da saga lançado este ano.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

HOUSE X GREY'S ANATOMY

Ambientes hospitalares não são novidades na televisão norte-americana; prova disso são as veteranas ER, em sua 14ª temporada, e Scrubs, na 7ª. Há exatamente quatro temporadas, duas novatas passaram a integrar o grupo de séries baseadas em casos médicos, com a diferença do sucesso infinitamente maior, mantendo uma audiência que há muito suas já citadas companheiras não conquistam.
HOUSE M.D. e GREYS ANATOMY baseiam-se na premissa do cotidiano em hospitais, mas divergem em seus pontos de vista sobre o tema.
Em HOUSE, somos apresentados ao médico ranzinza que dá nome à série e sua equipe, responsáveis pelo departamento de diagnóstico. Figura amargurada e sarcástica, viciado em analgésicos entorpecentes, Dr. Gregory House é considerado um dos mais competentes profissionais não só no hospital – Princenton Plainsboro - em que atua como no estado de New Jersey e nordeste americano, e por isso mesmo, não tem limites em sua conduta, equilibrando-se sempre entre sua genialidade e a absoluta falta de ética.
O personagem defendido por Hugh Laurie (duas vezes vencedor do Globo de Ouro por sua atuação) acaba sendo o grande trunfo da série. HOUSE tem como protagonista um personagem que vai além do anti-heroísmo; um protagonista meticulosamente bem construído, que trilha fronteiras entre o bem e o mau sem entregar-se a maniqueísmos, e cuja conduta profissional é questionável. Um personagem no mínimo subversivo.
Em contraponto ao Dr. House, os cinco demais personagens que habitam a série, tentando a todo instante questionar as atitudes do médico e propor uma “cura” ao caráter ambíguo deste.
Não fosse o luxo de ter um protagonista de peso, HOUSE provavelmente passaria despercebida diante do número de séries que circulam pela TV norte-americana, já que conta com uma estrutura narrativa absolutamente convencional. A cada episódio, somos apresentados através de um prólogo a um novo personagem, que virá a adoecer e passar pelas mãos de House e sua equipe (algo já utilizado na extinta SIX FEET UNDER).
A partir daí a narrativa se desenvolve sem grandes novidades de linguagem: o personagem surgido no prólogo, que estava em sua normalidade, adoece, House e sua equipe discutem o caso, surgem complicações, para no final, o caso ter sua conclusão, que nem sempre é positiva.
Com episódios fechados, a doença de cada personagem surge como a perturbação da normalidade, desencadeando o conflito. Enquanto House, Cameron (Jenifer Morrison), Foreman (Omar Epps) e Chase (Jesse Spencer) lutam contra seu prazo final (o que levará ao clímax), o paciente sofre complicações esporádicas que pontuam bem os turn-points do episódio. Por fim, há a conclusão do caso (geralmente mirabolante) e o episódio termina centrado em seu protagonista ou em alguma questão relacionada a ele.
Repleto de diálogos ácidos e um sarcasmo sagaz e espirituoso, House faz com que a série caminhe por um terreno transitório entre a comédia e o drama (algo que ocorre com outras séries como a já citada GREY’S ANATOMY e DESPERATE HOUSEWIVES), sendo uma obra de gênero bastante ambíguo. Não hesita, porém, em adotar o melodrama sempre quando necessário, algo perdoável diante da complexidade de seu personagem central.
Com uma estrutura narrativa fechada na maioria dos episódios, HOUSE erra a mão sempre que tenta seguir a tendência de “novelização” de outras séries. A companheira GREY’S ANATOMY, por sua vez segue o estilo novelinha em todos os seus marcadores. Baseando sua trama num grupo de médicos residentes do Hospital Seattle Grace, GREY’S ANATOMY traz uma legião de personagens envolvidos em tramas paralelas, que grande parte das vezes se desenvolve durante episódios a fio; um estilo narrativo adotado atualmente em boa parte dos seriados americanos e provavelmente responsável pela quase morte dos sitcoms.
Além de contar com a onisciência narrativa da câmera, GREY’S ANATOMY segue a tendência da voz off narrando os acontecimentos de cada episódio (recurso recentemente adotado também em séries como DESPERATE HOUSEWIVES, GOSSIP GIRL e no filme PECADOS ÍNTIMOS). Narrado por sua protagonista, a Dra. Meredith Grey (Ellen Pompeo), GREY’S adota uma linha diferente da de HOUSE ao deixar os pacientes de lado e focar-se no relacionamento entre os médicos da trama, as competições no mercado de trabalho e a cansativa rotina dentro de um hospital. Ambas, porém, compartilham o levantamento de questões sociais e morais espalhadas história afora.
Apesar da estrutura narrativa clássica, GREY’S ANATOMY constantemente exibe uma linguagem videoclipe quando narra os desdobramentos de suas histórias. Assim, não raramente vemos uma edição rápida, acompanhada de uma trilha sonora pop em meio ao episódio. Os episódios, por sua vez, terminam sempre com um gancho capaz de trazer o espectador de volta na próxima semana.
Considerada uma série “tapa-buraco”, GREY’S ANATOMY estreou sem grande alvoroço na mid-season americana, tornando-se logo depois um hit, seguindo a atual tendência de séries-novela inaugurada por LOST e 24 HORAS (tendência que para nós brasileiros não é novidade, ou nossas telenovelas estariam falidas). Já HOUSE garante-se através de seu protagonista e seus diálogos, já que sua estrutura narrativa funciona, mas é batida e conservadora.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A LOJA MÁGICA DE BRINQUEDOS

Antes do início da sessão de A LOJA MÁGICA DE BRINQUEDOS, já havia percebido que ali, eu era a exceção. Em meio a uma sala cheia, eu era provavelmente o único cidadão maior de idade que não estava acompanhando os filhos durante uma tarde no cinema.
Claro que eu sabia que se tratava de um filme infantil; só não imaginava que A LOJA DE BRINQUEDOS além de ser um filme unicamente voltado aos baixinhos, era, sobretudo, um filme ruim.
Dirigido e escrito por Zach Helm, elogiadíssimo roteirista de MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO, o filme estrelado por Dustin Hoffman e Natalie Portman não só é um amontoado de clichês vistos em inúmeras outras histórias infantis, como não decola em momento algum, seja pela pouca criatividade em sua direção, ou até mesmo por sua fragilidade narrativa.
A trama gira em torno de Mr. Magorium (Hoffman) e sua mágica loja de brinquedos, administrada por ele e pela gerente Molly Mahoney (Portman), uma pianista frustrada por não ter dado certo em sua carreira musical.
Tanto Magorium, quanto Mahoney acreditam na magia da loja sem em momento algum questionarem-se sobre ela, e assim, somos apresentados logo de cara ao fantasioso mundo do filme. O problema é que toda a magia deste universo é apresentada de forma rápida e superficial demais, sem jamais nos permitir penetrar mais a fundo na loja e nos personagens que a habitam. Visualmente parecida com as obras de Tim Burton (PEIXE GRANDE, A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATES), A LOJA MÁGICA DE BRINQUEDOS acerta em seu visual arrebatador, com uma direção de arte e efeitos especiais à altura do universo mágico que deveria ter sido criado. Infelizmente, Zach Helm, estreante no papel de diretor, trilha caminhos diferentes do experiente Tim Burton, criando uma narrativa cinematográfica sem grande criatividade, e jamais se aprofundando no mundo por ele criado e muito menos em seus protagonistas.
Assim, enquanto Mr. Magorium quase se torna um Willy Wonka canastrão (que só se salva graças ao talento de Dustin Hoffman), Natalie Portman exibe carisma e simpatia numa personagem que não tem muito mais a oferecer. Fechando o elenco, Jason Bateman vive um contador que antes incrédulo na magia da loja, transforma-se completamente devido a repentina paixão que tem pela personagem de Portman, além do garotinho Zach Mills, que encarna mais uma dessas criancinhas gênios que habitam o cinema de Hollywood.
Baseado numa trama totalmente escassa de conflitos, A LOJA MÁGICA DE BRINQUEDOS erra completamente a mão ao se afastar de seu cenário principal durante boa parte da projeção. Num ano em que tivemos o sensível PONTE PARA TERABÍTIA, surge apenas como um entretenimento mediano para crianças menores e dificilmente atingirá ao expectador mais adulto, algo que tanto TERABÍTIA, quanto as duas versões da FÁBRICA DE CHOCOLATES cumpriram com êxito.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

GOSSIP GIRL

O 2º episódio de GOSSIP GIRL, de Josh Schwartz (CHUCK) me fez ter certeza do quão bacana é a série, tão parecida, e ao mesmo tempo tão diferente da irmã THE OC. Se em Newport Beach, a trama era centrada em jovens pertencentes às famílias ricas californianas, em GOSSIP GIRL as coisas mudam um pouco de figura, pois já não basta ter dinheiro; tem que ter acima de tudo, nome e tradição.
GOSSIP GIRL acompanha a trajetória de Serena van der Woodsen (Blake Lively, QUATRO AMIGAS E UM JEANS VIAJANTE), a garota pop da escola, que após transar com o namorado da melhor amiga, simplesmente some durante um ano sem dar satisfações a ninguém. De volta ao colégio, Serena percebe que as coisas já não são como antes, e encontrará na ex-amiga Blair (Leighton Meester, VERÔNICA MARS e 24 HORAS) sua principal rival. Tudo detalhadamente narrado no blog de uma misteriosa figura que se autodenomina a tal gossip girl; uma narradora onisciente que comenta a vida deste grupo de adolescentes nova-yorkinos sempre de maneira ácida e sarcástica (feita pela ótima Kristen Bell, ex-VERÔNICA MARS e atual HEROES).
A principal diferença de GOSSIP GIRL se comparada a THE OC, é o fato da série não ter os traços cômicos contidos na segunda. GOSSIP GIRL é mais densa não só em sua narrativa, mas também em seu visual. O cenário escolhido é uma fria e nublada Nova York, a fotografia é pálida, os figurinos pesados e a maquiagem exagerada, fazendo com que os personagens pareçam verdadeiras bonecas de porcelana. Completamente diferente da ensolarada Orange County.
A construção de personagens nas duas séries também toma caminhos opostos (pelo menos por enquanto). Embora OC também retratasse um mundo de ricos cheio de futilidades, os relacionamentos humanos eram mais intensos e verdadeiros, enquanto que em GOSSIP GIRL a relação entre os personagens é pouco natural e a série passa a concentrar-se num mundo mais competitivo e em jovens menos inocentes do que eram Ryan, Seth, Summer, Taylor e Marissa (que também eram menos inocentes que Dawson, Joe, Pacey e Jen; que por sua vez eram menos inocentes do que Brandon, Kelly e Donna; e assim por diante...).
A mão de Josh Schwartz na série é visível. Seu dom de transformar um amontoado de clichês em diálogos espertos e cultura pop é perceptível do início ao fim deste 2º episódio (uma das músicas tocadas, salvo engano do “Rooney”, já havia aparecido em OC). No mais, fica a impressão de que Schwartz deixou-se influenciar por SKINS, série adolescente inglesa (exibida pela HBO) que com poucos pudores, vai direto ao ponto no que diz respeito aos dilemas e problemas enfrentados pela juventude atual.
Bem-amarrada, GOSSIP GIRL manteve um bom ritmo durante todo o episódio. A série que teve a temporada completa encomendada (o que não significa muito diante da greve dos roteiristas), ainda tem futuro incerto (sua audiência esteve baixa, em torno de 3 milhões de espectadores), porém, pode garantir uma segunda temporada por pertencer a um canal menor, a CW. A princípio mostra-se eficiente e interessante, mas deve tomar cuidado em não ficar densa demais a ponto de espantar seu público-alvo; os adolescentes (algo já ocorrido à THE OC em sua 3ª temporada). E afinal, um pouco de humor não faz mal a ninguém!
por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

O 2º UGLY BETTY E GREYS ANATOMY

Adoro UGLY BETTY! É novelinha, é brega, mas é muito, muito divertida. No segundo episódio (exibido hoje pela Sony), Betty leva pra casa o book da revista Mode (um tipo de pré-edição da revista; maiores detalhes em O DIABO VESTE PRADA) que acaba sendo roubado por uma vizinha vingativa. A partir daí, tudo passa a dar errado para Betty e Henry (seu chefe), que iniciam um verdadeiro corre-corre atrás do tal livro. O episódio tem tudo aquilo já visto no anterior, mas num ritmo mais acelerado, e com muito mais turn-points. Há inúmeros momentos divertidos (como o seqüestro do coelhinho de pelúcia de Betty) e a inserção de certo mistério na trama, envolvendo Bradford (Alan Dale, THE OC) o dono da Mode, além de outras publicações, e uma vilã enigmática, que em momento algum revela seu rosto (o que me leva a lembrar de Darth Sidious, de STAR WARS; é por isso que eu amo essa série, justamente por não ter medo de ser ridícula ou caricata).
Por fim, UGLY BETTY sabe como agilizar sua história baseada numa telenovela, fazendo com que a série não perca suas origens, mas não se arraste capítulos a fio num único conflito (a historinha do book perdido me lembrou a do diário perdido na novela A URSUPADORA, que eu assisti quando era criança; ok, é vergonhoso, eu sei...).
Só estragou mesmo a legenda mal-feita do episódio, já que todas as vezes em que a palavra book era usada, ela era traduzida como “boneco”! Mas de legendas mal-feitas a TV ta cheia...

Fiz uma maratona da primeira temporada de GREY’S ANATOMY, vi até o episódio cinco e estou adorando. A trama da Doutora Grey e seus colegas é bem diferente da de HOUSE, focando-se mais na competição entre os profissionais da área e nas dificuldades do dia-a-dia dos médicos do Seattle Grace (ainda bem, já pensou se GREY’S, HOUSE, ER e SCRUBS seguissem todas uma linha parecida?). Ah, e teve uma balada muito louca num dos episódios, fiquei até com vontade de ser médico para estar lá! Balada, nem sei mais o que é isso...

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ