segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

THE OC: A DESCOBERTA DO ANO

31.12.07. Último dia do ano, tempo de contabilizar determinadas coisas. Assim sendo, vamos a elas! Foram 124 grandes filmes (longas metragem) vistos, contra cerca de 30 dos mais curtinhos, o que faz com que minha experiência cinematográfica anual fique longe não só de minha meta pessoal de 200 filmes, como também do placar anterior, que contabilizava cerca de 180 produções vistas e revistas durante o ano de 2006.
Em compensação, os números aumentam quando relacionados à telinha. Foram 18 temporadas completas que incluem LOST, HOUSE, DESPERATE HOUSEWIVES, GREY’S ANATOMY, WILL & GRACE, DAWSON’S CREEK, FAMILY GUY, OS SIMPSONS, SIX FEET UNDER, e por último aquela que considero a revelação do ano (um pouco que tardia, pois a série teve sua última temporada exibida recentemente). THE OC é o meu destaque de 2007, não só por seu cancelamento em sua melhor fase criativa, mas por ser uma série teen que dialoga bem com diferentes públicos, sem jamais se esquecer de como tratar seu público alvo (ou seja, como adolescentes e não como idiotas, algo que as séries teen geralmente têm certa dificuldade em fazer).
Surgindo como um hit junto ao público e a crítica no ano de 2003, THE OC tornou-se conhecida graças a seus personagens carismáticos, seus diálogos espertos e sua trilha sonora pop alternativa. Sua má fase veio na 3ª temporada, quando negando seu ingrediente de maior potencial (seu humor sarcástico e ácido), THE OC assumia um caráter absolutamente melodramático que viria a culminar num dos poucos acertos da temporada, apontado também como um dos principais motivos para o final da série: em seu 72º episódio, THE OC dava cabo da vida de sua própria protagonista, a problemática Marissa Cooper (Mischa Barton), uma personagem trágica que teve um final condizente com seu desenvolvimento na série.
Em sua 4ª temporada, THE OC retornava criativamente renovada, mas com seus dias de existência contados. Assim, acompanhamos os passos finais de cada personagem, especialmente do trio protagonista, agora prestes a entrar na fase adulta. Enquanto Ryan (Ben Mckenzie) e Summer (Rachel Bilson) se vêem obrigados a seguir adiante após a morte de Marissa, Seth (Adam Brody) amarga dúvidas não só quanto à futura profissão, mas quanto a seu relacionamento com Summer. Em meio a tudo isso, Julie Cooper (Melinda Clarke, uma das melhores coisas da série), amparada pela família Cohen, tenta reconstruir sua vida após a morte da filha, e a divertidíssima Taylor (Autumn Reeser) finalmente ganha espaço próprio na trama, sendo uma das grandes responsáveis pela revitalização da série.
Assim, a história de Ryan Atwood, o garoto pobre adotado pelo promotor público Sandy Cohen (Peter Gallagher), chega ao fim, destacando-se mais por tratar de temas universais, como a relação entre pais e filhos e as dificuldades da passagem da adolescência para a idade adulta, do que por narrar a trajetória de um grupo de jovens vivendo na rica e ensolarada Califórnia.
Capaz de se auto-referenciar, e até mesmo se criticar dentro da própria série (através do programa fictício The Valley), THE OC teve o talento (e a sorte) de encontrar a mistura perfeita entre humor e melodrama numa série teen. Em sua curta, mas intensa trajetória, teve 92 episódios distribuídos ao longo de suas quatro temporadas, chegando a fazer mais de 10 milhões de expectadores em sua melhor fase. Em sua última temporada, amargou uma audiência de cerca de 4 milhões de expectadores, contra os arrasa-quarteirões GREY’S ANATOMY e CSI, sendo cancelada mesmo tendo boa parte da crítica norte-americana a seu lado. Ainda assim, deixa sua marca não apenas por ter se tornado um hit quase que instantâneo, mas principalmente por revitalizar um gênero sempre explorado com muita caretice e pouca criatividade; o drama teen.

(Feliz 2008 à todos! A lista completa de filmes e séries vistos em 2007 no post abaixo).

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

FILMES E SÉRIES VISTOS EM 2007

(este post continua acima com "a descoberta do ano").

FILMES

JANEIRO
01. PEQUENA MISS SUNSHINE
02. O DIABO VESTE PRADA
03. HOMEM-ARANHA 2
04. BABEL

FEVEREIRO
05. PERFUME
06. À PROCURA DA FELICIDADE
07. MIAMI VICE
08. A OUTRA HISTÓRIA AMERICANA
09. VOÔ UNITED 93
10. O PIANO
11. A GRANDE FAMÍLIA
12. QUANDO PARIS ALUCINA
13. O LABIRINTO DO FAUNO
14. A CASA MONSTRO
15. OS BONS COMPANHEIROS
16. CAPOTE

MARÇO
17. O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA
18. A RAINHA
19. BORAT
20. CARTAS DE IWO JIMA
21. DO LUTO À LUTA
22. DREAMGIRLS
23. LÍRIOS PARTIDOS
24. O SHOW TEM QUE CONTINUAR
25. A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER
26. TRAÍDOS PELO DESEJO
27. DESCONSTRUINDO HARRY
28. SCOOP – O GRANDE FURO
29. LOUCA OBSESSÃO
30. PONTE PARA TERABÍTIA
31. 300

ABRIL
32. DISQUE M PARA MATAR
33. HANNAH E SUAS IRMÃS
34. INTERIORES
35. TARTARUGAS NINJAS – O RETORNO
36. NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO
37. UM CONVIDADO BEM TRAPALHÃO
38. GREMLINS
39. O CHEIRO DO RALO
40. ROBÔS
41. SUNSHINE – ALERTA SOLAR
42. TODOS DIZEM EU TE AMO

MAIO
44. HOMEM-ARANHA 3
45. CLICK
46. A VOLTA DA PANTERA COR-DE-ROSA
47. A ESPADA ERA LEI
48. BATISMO DE SANGUE
49. A FAMÍLIA DO FUTURO
50. MARIA ANTONIETA
51. DE PASSAGEM
52. A PEQUENA SEREIA 2
53. PIRATAS DO CARIBE 2
54. NO TEMPO DAS DILIGENCIAS
55. PROIBIDO PROIBIR

JUNHO
56. SHREK 3º
57. VELUDO AZUL
58. ROMEU + JULIETA
59. ORGULHO E PRECONCEITO
60. MADRUGADA DOS MORTOS
61. NÃO POR ACASO
62. TREZE HOMENS E UM NOVO SEGREDO
63. JANELA INDISCRETA
64. PRINCESAS

JULHO
65. RATATOUILLE
66. HARRY POTTER E A ORDEM DA FÊNIX
67. PECADOS ÍNTIMOS
68. FREE ZONE
69. O SEGREDO
70. E SUA MÃE TAMBÉM
71. O HOMEM QUE SABIA DEMAIS

AGOSTO
72. LIMITE
73. CORRENDO COM TESOURAS
74. O PRIMO BASÍLIO
75. SEM RESERVAS
76. OS SIMPSONS
77. SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE
78. O CASAMENTO DO MEU MELHOR AMIGO
79. SE EU FOSSE VOCÊ
80. POUCAS E BOAS
81. PARIS, TE AMO
82. POSSUIDOS
83. MENINOS NÃO CHORAM
84. SIMPLESMENTE MARTHA
85. BONECAS RUSSAS

SETEMBRO
86. NARRADORES DE JAVÉ
87. SANEAMENTO BÁSICO
88. PACTO MALDITO
89. CONTA COMIGO
90. HAIRSPRAY – EM BUSCA DE UM SONHO

OUTUBRO
91. O HOMEM QUE DESAFIOU O DIABO
92. MORTE NO FUNERAL
93. PIAF – UM HINO AO AMOR
94. TROPA DE ELITE
95. SUPERBAD – É HOJE
96. À ESPERA DE UM MILAGRE
97. QUERÔ
98. O ÚLTIMO BANDONÉON
99. O FUNDO DO MAR
100. JARDIM ÂNGELA
101. AMERICAN VISA
102. ESPERA
103. NESTE MUNDO
104. BAIXIO DAS BESTAS

NOVEMBRO
105. 1408
106. PLANETA TERROR
107. O PASSADO
108. A LOJA MÁGICA DE BRINQUEDOS
109. VOLVER
110. ANACONDA
111. HAIR
112. OS FANTASMAS CONTRA ATACAM
113. DIRIGINDO NO ESCURO
114. A SUPREMACIA BOURNE
115. CEMITÉRIO MALDITO

DEZEMBRO
116. O HOSPEDEIRO
117. O ULTIMATO BOURNE
118. EXTERMÍNIO 2
119. ZODÍACO
120. ENCANTADA
121. UMA MENTE BRILHANTE
122. PAPRIKA
123. RETRATOS DE FAMÍLIA
124. A BÚSSOLA DE OURO


SÉRIES
TEMPORADAS COMPLETAS

1) LOST – 3ª TEMPORADA
2) THE OC – 1ª, 2ª, 3ª E 4ª TEMPORADA
3) HOUSE – 1ª, 2ª E 3ª TEMPORADA
4) GREY’S ANATOMY – 1ª TEMPORADA
5) WILL & GRACE – 1ª E 2ª TEMPORADA
6) SIX FEET UNDER – 1ª TEMPORADA
7) DESPERATE HOUSEWIVES – 1ª TEMPORADA
8) FAMILY GUY- 1ª E 2ª TEMPORADA
9) OS SIMPSONS – 6ª TEMPORADA


E ainda:

UGLY BETTY, CHUCK, GOSSIP GIRL, BROTHERS & SISTERS e a 4ª temporada de HOUSE em andamento.


por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

HO-HO-HO

O MEIA ENTRADA deseja à todos um ótimo Natal, e para representar a data, nada menos do que dois papais-noéis pouco convencionais. A esquerda da imagem, todo o mau-humor característico de Shrek encarnando o bom velhinho, enquanto ao lado, Jack bola planos mirabolantes para estragar o clima natalino, no maravilhoso clássico de Tim Burton, THE NIGHTMARE BEFORE CHRISTMAS (aqui O ESTRANHO MUNDO DE JACK). Fala sério, só aqui tem papai noel ogro e caveira!

sábado, 22 de dezembro de 2007

MELHORES E PIORES DO ANO

Abaixo segue a minha lista de MELHORES e PIORES do ano. Fiquem à vontade para concordar. Ou xingar...

OS 20 MELHORES FILMES LANÇADOS COMERCIALMENTE NO BRASIL EM 2007

1) RATATOUILLE (EUA, 2007)
2) SUNSHINE - ALERTA SOLAR (INGLATERRA, 2007)
3) ZODÍACO (EUA, 2007)
4) PECADOS ÍNTIMOS (EUA, 2006)
5) O HOSPEDEIRO (CORÉIA DO SUL, 2007)
6) BABEL (EUA/MÉXICO, 2006)
7) CARTAS DE IWO JIMA (EUA/JAPÃO, 2006)
8) O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA (EUA, 2006)
9) TROPA DE ELITE (BRASIL, 2007)
10) O ULTIMATO BOURNE (EUA, 2007)
11) PIAF – UM HINO AO AMOR (FRANÇA, 2007)
12) SANEAMENTO BÁSICO (BRASIL, 2006)
13) A RAINHA (INGLATERRA, 2006)
14) O CHEIRO DO RALO (BRASIL, 2007)
15) PROIBIDO PROIBIR (BRASIL, 2007)
16) NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO (EUA, 2007)
17) POSSUÍDOS (EUA, 2006)
18) TREZE HOMENS E UM NOVO SEGREDO (EUA, 2007)
19) CÃO SEM DONO (BRASIL, 2007)
20) HOMEM-ARANHA 3 (EUA, 2007)

Outros 13 títulos que merecem destaque, em ordem alfabética:

À PROCURA DA FELICIDADE (EUA, 2006)
DREMGIRLS – EM BUSCA DE UM SONHO (EUA, 2006)
EXTERMÍNIO 2 (EUA, 2007)

HAIRSPRAY – EM BUSCA DA FAMA (EUA, 2007)
NÃO POR ACASO (BRASIL, 2007)
O FUNDO DO MAR (ARGENTINA, 2003)
O PASSADO (ARGENTINA/BRASIL, 2007)
OS SIMPSONS (EUA, 2007)
O ÚLTIMO BANDONÉON (VENEZUELA/ARGENTINA, 2005)
PERFUME (ALEMANHA, 2007)
PLANETA TERROR (EUA, 2007)
PONTE PARA TERABITHIA (EUA, 2006)
QUÊRO (BRASIL, 2007)

OS 5 PIORES FILMES LANÇADOS COMERCIALMENTE NO BRASIL EM 2007:

1) BAIXIO DAS BESTAS (BRASIL, 2007)
2) O PRIMO BASÍLIO (BRASIL, 2007)
3) 300 (EUA, 2007)
4) A LOJA MÁGICA DE BRINQUEDOS (EUA, 2007)
5) A GRANDE FAMÍLIA (BRASIL, 2007)

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

O HOSPEDEIRO


Bastam alguns minutos do prólogo para sintetizar aquilo que transcorre a tela durante os quase 120 minutos de projeção de O HOSPEDEIRO, do sul-coreano Bong Joon-ho. Logo de cara, testemunhamos o fato que levará a origem da criatura título do filme, e que conseqüentemente desencadeará o conflito da trama. Num pequeno laboratório americano localizado em Seul, acompanhamos a tarefa designada a um cientista sul-coreano de despejar ácido fórmico nas águas do rio Han, que corta e abastece a cidade. Após uma mal-sucedida tentativa de dissuadir seu chefe, um autoritário cientista norte-americano, de tal propósito, acompanhamos o ato do subordinado através do primeiro dentre os muitos magníficos planos construídos por Joon-Ho. É através de um travelling lateral que constatamos o impacto narrativo (além de ambiental) que tal ato virá a gerar num futuro próximo, fazendo com que O HOSPEDEIRO revele logo nesses primeiros minutos seu cunho sócio-político envolto em toda a história.
Um cross fade faz com que a ação dê um salto temporal de alguns anos na história, centrando uma câmera estática em duas figuras às margens do Han. Neste segundo momento, acompanhamos o diálogo leve e informal entre os dois pescadores sobre uma estranha criatura que encontram durante a pescaria. A criatura foge e um novo salto temporal nos leva ao terceiro ato do prólogo.
Este terceiro momento nos leva ao tempo onde se passa a ação da história. A câmera, mais uma vez, absolutamente observativa, centra-se na figura de um suicida preste a se jogar de uma ponte sobre o Han. Recorrendo a ângulos inusitados, Joon-Ho consegue através da mise-en-scène criar não só uma seqüência dramática, mas também absurdamente poética. Assim, os principais elementos presentes em O HOSPEDEIRO se completam, desmascarados logo no prólogo, fazendo do filme uma obra com alto cunho político-social-cultural, com inúmeros momentos de descontração e até comicidade, alternados a outros de grande dramaticidade e poesia. Acaba tornando-se ousado por reunir tão diferentes facetas num filme que em muito se assemelha ao horror B, e que certamente passaria despercebido em meio a tantos outros filmes de criaturas.
Apropriando-se de elementos da narrativa clássica hollywoodiana, utilizando uma narrativa cronológica, montada à risca dos principais manuais de edição, ou seja, utilizando-se de cortes rápidos nas cenas de ação, além da câmera freqüentemente inquieta nesses mesmos momentos, O HOSPEDEIRO suga aquilo que acredita que o cinema americano tem de melhor, e segue ainda a tendência pós-moderna de ousar até o limite da compreensão do expectador comum. E é justamente em sua ousadia que acerta.
Ao fim do prólogo, somos finalmente apresentados ao núcleo da trama, e assim, à primeira grande ruptura que O HOSPEDEIRO faz ao cinema clássico hollywoodiano. O primeiro plano que temos do protagonista é de uma figura desajeitada que dorme sobre o balcão de uma venda, e que por pouco não é assaltada por uma criança. O filme apresenta enfim seu herói bufão, que considerado por todos os outros como um idiota, terá que lutar contra o monstro hospedeiro que levará sua filha. Interpretado por Kang-ho Song (LADY VINGANÇA), o mocinho Park Gang-Du quebra quase que por completo o arquétipo de herói, já que, suas características o tornam um personagem bufão que por muitas vezes tem partes de sua jornada cumpridas por terceiros. Park só não deixa a figura do herói por completo, porque tem uma característica quase que intuitiva de salvar a filha, com quem mantém uma relação quase fraterna. As decisões e atitudes do protagonista são ainda constantemente questionadas por seus companheiros de jornada (um irmão desempregado e uma irmã competidora em arco e flecha), exceto pelo pai, que surge como arquétipo do mentor.
O surgimento da criatura vem logo em seguida, na primeira cena antológica do filme. Observada de longe por curiosos que não conseguem identificá-la, a criatura mergulha nas águas do Han surgindo logo após fora de quadro, enquanto nós espectadores apenas observamos a expressão de horror do protagonista. A seqüência se desenvolve frenética, com cortes rápidos, uma câmera intensa e ótimos efeitos especiais (o monstro fora criado pela empresa de Peter Jackson), seguindo a atual cartilha de como se fazer uma boa cena de ação. Seu grande diferencial acaba sendo os ângulos curiosos em que vez ou outra Joon-ho posiciona a câmera. Interessante é constar que, embora num filme claramente fictício, o diretor opta por utilizar a verossimilhança, principalmente nos momentos de ação. Assim, os heróis de O HOSPEDEIRO são pessoas comuns, que lutam com as armas que têm em mãos (como uma placa de trânsito), tornando tudo mais crível ao expectador. Joon-Ho não hesita ainda em estender o tempo sempre que necessário, principalmente em momentos de grande dramaticidade, criando um paradoxo à edição rápida usada em cenas de ação (a cena de Park chorando, ao lado do pai e dos irmãos no velório da filha, é mais um exemplo da poesia contida no filme).
O HOSPEDEIRO ousa ainda em misturar ao cinema de horror, doses de outros gêneros cinematográficos. Além de conter um forte apelo cômico, flerta ainda com o cinema trash, adentra o drama familiar, reproduz um contexto histórico atual, além de tangenciar os blockbuster americanos. Com críticas severas ao imperialismo norte-americano, e mais diretamente, à guerra contra o Iraque, O HOSPEDEIRO é a prova de que um filme de monstro pode apresentar críticas mais profundas em outras camadas (algo que pode ocorrer à outros gêneros, como o infantil no recente RATATOUILLE). Seu caráter sócio-político culmina enfim em sua antológica seqüencia final, que envolve uma manifestação popular contra o suposto vírus trazido pela criatura (vírus que em determinado momento saberemos não existir) e o confronto final do trio protagonista com o tal hospedeiro.
Caso claro de cinema de gênero, O HOSPEDEIRO é, a primeira vista, convencional em sua camada mais superficial, ou seja, dá verossimilhança ao mundo fictício ao qual se propôs a criar, e sua trama é composta por um estágio de equilíbrio, sua perturbação, a luta e a eliminação do elemento perturbador, porém sua representação (modo que se refere ou confere significação a um mundo ou conjunto de idéias) vai além da primeira camada. Em termos de estrutura (modo como os elementos fílmicos se combinam para criar um todo diferenciado), inova por conciliar elementos distintos (como humor, ficção científica e terror trash), algo quase sempre incompatível ao cinema clássico hollywoodiano. Por fim, como ato (processo dinâmico de apresentação de uma história a um receptor) atinge aos mais diferentes tipos de expectador; desde aquele que procura o puro entretenimento numa ficção cinematográfica, até aquele em busca de uma obra com ampla significação artística e narrativa, construída através da boa utilização da gramática cinematográfica. Não à toa, O HOSPEDEIRO conta com a maior bilheteria feita (cerca de 13 milhões de pessoas) em seu país de origem, a Coréia do Sul, e figura em inúmeras listas da crítica entre os melhores do ano.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

GLOBO DE OURO: CINEMA

Está aberta a temporada de premiações! O GLOBO DE OURO, considerado um pré-Oscar (embora já não faça jus ao título, pois as premiações andam bastante distintas) divulgou a lista de indicados no último dia 13 e este blog comenta aqui, com certo atraso, não só as principais categorias cinematográficas, como também as televisivas. E vamos a elas!

MELHOR FILME – DRAMA/SUSPENSE
O GÂNGSTER / ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ / SENHORES DO CRIME / DESEJO E REPARAÇÃO / THE GREAT DEBATER / CONDUTA DE RISCO / SANGUE NEGRO

Exceto CONDUTA DE RISCO, elogiado thriller estrelado por George Clooney, nenhum dos demais indicados chegou aos cinemas brasileiros. DESEJO E REPARAÇÃO surpreende pelo número de indicações (7 no total), embora (ao menos por enquanto) não ameace o favoritismo de produções como O GÂNGSTER, de Ridley Scott, e ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ, badalada produção dirigida pelos irmão Cohen, recém-premiada como melhor filme pelo WASHINGTON DC ÁREA FILM. Concorrem ainda SENHORES DO CRIME, novo filme de Cronemberg (MARCAS DA VIOLÊNCIA), THE GREAT DEBATER, além do apelidado “novo CIDADÃO KANE”, THERE WILL BE BLOOD, de Paul Thomas Anderson (MAGNÓLIA).

MELHOR FILME – COMÉDIA/MUSICAL
ACROSS THE UNIVERSE / JUNO / HAIRSPRAY / JOGOS DO PODER / SWEENEY TODD: O BARBEIRO DEMONÍACO DA RUA FLEET

Se a categoria drama/suspense têm favoritos bem destacados, esta vem mais equilibrada. ACROSS THE UNIVERSE, recém-lançado no Brasil (não me perguntem onde!) destaca-se pela ousadia de basear seu roteiro sobre músicas dos Beattles e conta com um visual bastante interessante. HAIRSPRAY (o único o qual assisti) é uma comédia musical mais do que simpática, e embora tivesse sua indicação prevista desde o princípio, dificilmente levará o troféu para casa. JOGOS DO PODER têm Tom Hanks, Julia Roberts e Philip Seymour Hoffman, é dirigido por Mike Nichols (CLOSER, QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNIA WOOLF?) e isso deve no mínimo justificar sua indicação. O independente JUNO vem ganhando força em outras premiações, e por fim, SWEENEY TODD, é considerado por boa parte da crítica um dos melhores trabalhos de Tim Burton (A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATES, ED WOOD), o que o faz despontar como grande favorito da categoria.

MELHOR ATOR – DRAMA/SUSPENSE
DANIEL DAY-LEWIS / DENZEL WASHINGTON / GEORGE CLOONEY / VIGGO MORTENSEN / JAMES MCAVOY

Categoria acirrada. Quatro atores experientes contra um jovem promissor extremamente talentoso. Para aqueles que não conhecem o trabalho de James McAvoy, vale conferir a interpretação intensa do rapaz em O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA (ele também fez CRÔNICAS DE NÁRNIA, mas esse é dispensável), num papel extremamente difícil, pelo qual o ator merecia um maior reconhecimento. Ao lado de McAvoy, os sempre competentes Daniel Day-Lewis (vencedor do OSCAR por MEU PÉ ESQUERDO), Denzel Washington (vencedor do OSCAR por DIA DE TREINAMENTO), Viggo Mortensen, que assim como Elijah Wood, anda procurando grandes papéis em filmes menores após O SENHOR DOS ANÉIS, e por último, George Clooney, naquela que dizem ser a melhor interpretação de sua diversificada carreira (Clooney é também um grande diretor).

MELHOR ATRIZ – DRAMA/SUSPENSE
ANGELINA JOLIE / JODIE FOSTER / CATE BLANCHETT / JULIE CHRISTIE / KEIRA KNIGHTLEY

Uma lista curiosa que deixa de fora nomes como Ashley Judd (por POSSUÍDOS) e Anne Hathaway (por BECOMING JANE), antes apostas certas entre as indicadas. Cate Blanchett mais uma vez presente num dos maiores prêmios do cinema americano (após conquistar inúmeras indicações e prêmios por BABEL e NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO); Keira Knightley (ORGULHO E PRECONCEITO, PIRATAS DO CARIBE) também figurinha repetida mais do que merecida, afinal, a garota é talentosa; Jodie Foster e Julie Christie indicadas por papéis em filmes que não fizeram lá muito alvoroço, e Angelina Jolie, que há muito tempo não fazia algo merecedor de um prêmio.

MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL
JOHN C. REILLY / JOHNNY DEPP / RYAN GOSLING / PHILIP SEYMOUR HOFFMAN / TOM HANKS

Tão acirrada quanto a categoria drama/suspense, esta traz grandes nomes, que já passaram ao menos por um punhado de premiações. Johnny Depp (EDWARD, MÃOS DE TESOURA) é sempre genial e mal posso esperar para vê-lo na pele do barbeiro demoníaco em sua mais nova parceria com Tim Burton. O mesmo vale para John C. Reilly (CHICAGO, AS HORAS). Ryan Gosling (UM CRIME DE MESTRE) já havia aparecido nas principais premiações do ano pelo independente HALF NELSON e Philip Seymour Hoffman (vencedor do Oscar por CAPOTE), vem indicado por THE SAVAGES, além de integrar o elenco de JOGOS DO PODER, que traz a indicação de Tom Hanks, que a muito não fazia algo considerável.


MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL
AMY ADAMS / ELLEN PAGE / HELENA BOHAM-CARTER / MARION CONTILLARD / NIKKI BLONSKY

Parabéns! Todas são muito talentosas, merecedoras, (blá-blá-blá, etc) but sorry, Edith Piaf está saindo desde já com o troféu nas mãos, disfarçada de Marion Contillard. Alguém vai discutir?

MELHOR ATOR COADJUVANTE
CASEY AFFLECK / JAVIER BARDEM / PHILIP SEYMOUR HOFFMAN / JOHN TRAVOLTA / TOM WILKINSON

Dupla chance para Philip Seymour Hoffman, indicado aqui por sua participação em JOGOS DO PODER. Casey Affleck vem sendo festejado por seu papel em O ASSASSINATO DE JESSÉ JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD, enquanto Javier Barden e Tom Wilkison concorrem por suas atuações em ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ e CONDUTA DE RISCO, respectivamente. Quanto a John Travolta, que esbanja energia e simpatia na pele de uma mulher obesa em HAIRSPRAY, corre por fora com poucas chances de levar, mas foi ao menos merecidamente lembrado.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
AMY RYAN / CATE BLANCHETT / JULIA ROBERTS / SAOIRSE RONAN / TILDA SWINTON

Cate Blanchett está para Philip Seymor Hoffman e desponta também indicada em duas categorias, nesta por I’M NOT THERE. Julia Roberts completa o trio protagonista concorrente por JOGOS DO PODER, Amy Ryan vem com MEDO DA VERDADE, e DESEJO E REPARAÇÃO e CONDUTA DE RISCO ganham mais uma indicação pelos trabalhos de Saoirse Ronan e Tilda Swinton, respectivamente.

MELHOR DIRETOR
ETHAN e JOEL COHEN / TIM BURTON / RIDLEY SCOTT / JOE WRIGHT / JULIAN SCHNABEL

De um lado ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ se consagrando aos poucos como o melhor do ano, o que dá aos Cohen grandes chances nesta categoria; do outro, Tim Burton (finalmente de volta as grandes premiações!) e Ridley Scott, com SWEENEY TODD e O GÂNGSTER, ambos destacados entre os melhores trabalhos dos dois diretores. Por fora, Joe Wright (por DESEJO E REPARAÇÃO) e Julian Schnabel (por O ESCAFANDRO E A BORBOLETA) que já vêm com certo mérito por desbancar a indicação de Paul Thomas Anderson (THERE WILL BE BLOOD), antes tida como certa.

MELHOR ROTEIRO
JUNO / DESEJO E REPARAÇÃO / ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ / JOGOS DO PODER / O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

Quatro grandes filmes contra um pequeno independente, o elogiadíssimo JUNO, que vem ganhando força pouco a pouco. Difícil analisar sem ver; na verdade impossível! Resta aguardar...

MELHOR ANIMAÇÃO
RATATOUILLE / BEE MOVIE / OS SIMPSONS

Com PERSEPOLIS fora da categoria (foi parar na de MELHOR FILME ESTRANGEIRO), RATATOUILLE reina magnânimo não só como a melhor animação, como também entre um dos melhores do ano, não deixando chances ao humor non-sense de OS SIMPSONS, e muito menos ao criticado BEE MOVIE, que traz Jerry Seinfeld versão abelha.
por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

GLOBO DE OURO: TV

MELHOR SÉRIE DRAMÁTICA
HOUSE / BIG LOVE / DAMAGES / THE TUDORS / GREY’S ANATOMY / MAD MEN

Difícil julgar sem ser parcial. HOUSE é (para mim) uma das coisas mais sensacionais da televisão americana hoje em dia, embora reconheça sua estrutura narrativa absolutamente convencional. Não há episódio perdido, tudo é absolutamente bem pensado e repensado e o que vai ao ar nunca é menos do que ótimo. Já badalada GREY’S ANATOMY faz o gênero novelinha, mas daquelas que te fisga e fica impossível parar; além de contar com elenco e roteiro invejáveis. Dizem que BIG LOVE já teve dias melhores, mas como a HBO não chega aqui em casa, fica difícil julgar. Dizem também que DAMAGES é fora de sério, mas assim como MAD MEN, ainda está para desembarcar em nosso território. Por último vem THE TUDORS e a pergunta: fui só eu que achei a série pretensiosa e chata, ou mais alguém também achou? Para fechar, impossível esquecer mais uma injustiça com LOST que teve uma temporada no mínimo impecável, e mesmo assim, ficou de fora das principais categorias. Assim sendo, meu voto desde já ficaria com HOUSE.

MELHOR SÉRIE CÔMICA
30 ROCK / PUSHING DAISIES / EXTRAS / CALIFORNICATION / ENTOURAGE

Conheço pouco das indicadas. Me pergunto o que CALIFORNICATION está fazendo nesta categoria e onde está UGLY BETTY (a ausência das DESPERATE é até compreensível já que há algum tempo elas não andam nas graças da crítica americana). 30 ROCK é divertida e bem escrita, sei pouco sobre EXTRAS e ENTOURAGE, e destaco desde já a badalada PUSHING DAISIES como a favorita ao troféu do ano.

MELHOR ATOR SÉRIE DRAMA
HUGH LAURIE / MICHAEL C. HALL / BILL PAXTON / JONATHAN RHYS-MEYERS / JOHN HAMM

Entre Hugh Laurie (HOUSE) e Michael C. Hall (DEXTER). Como o Dr. House ganhou dois anos consecutivos, alguém tem dúvida que ficará com o serial killer ex-agente funerário?

MELHOR ATRIZ SÉRIE DRAMA
PATRÍCIA ARQUETTE / GLENN CLOSE / MINNIE DRIVER / EDIE FALCO / SALLY FIELD / HOLLY HUNTER / KIRA SEDGWICK

A queridinha da crítica americana Kira Sedwick (THE CLOSER) já foi tão indicada e premiada que já está virando marmelada. O mesmo serve para Edie Falco (THE SOPRANOS). Sally Field, vencedora do Emmy por BROTHERS & SISTERS, pode vir a ser uma surpresa, mas a disputa acirrada deve ser entre Glenn Close (DAMAGES) e Minnie Driver (THE RICHES). Holly Hunter (SAVING GRACE) e Patrícia Arquete (MÉDIUM) fecham a disputa.

MELHOR ATOR SÉRIE CÔMICA
ALEC BALDWIN / STEVE CARRELL / RICKY GERVAIS / DAVID DUCHOVNY / LEE PACE

Ficará entre Alec Baldwin (30 ROCK) e o virgem de 40 anos, Steve Carrell (THE OFFICE), porém com chances para Lee Pace (PUSHING DAISIES). Ou pode ser que dê zebra e o ex-ARQUIVO X, David DUCHOVNY (CALIFORNICATION) leve.

MELHOR ATRIZ SÉRIE CÔMICA
CHISTINA APPLEGATE / AMÉRICA FERRERA / ANNA FRIEL / TINA FEY / MARY-LOUISE PARKER

Interessante... pela primeira vez uma DESPERATE não aparece na lista (e olha que Márcia Cross é sempre digna de indicação). Quem levará o bi-campeonato:Mary-Louise Parker (WEEDS) ou América Ferrera (UGLY BETTY)? Temos ainda SAMANTHA WHO?, 30 ROCK e PUSHING DAISIES. Difícil... muito difícil...

MELHOR ATOR COADJUVANTE
TED DANSON / KEVIN DILLON / JEREMY PIVEN / ANDY SERKINS / WILLIAM SHATNER / DONALD SUTHERLAND

Como não vi o trabalho de nenhum dos indicados não apostaria nessa categoria. Mas em todo caso, se me obrigassem ficaria entre Donald Sutherland (DIRTY SEXY MONEY) e Ted Danson (DAMAGES).

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
ROSE BYRNE / RACHEL GRIFFITHS / KATHERINE HEIGL / SAMANTHA MORTON / ANNA PAQUIN / JAIME PRESSLY

Só conheço os trabalhos de Katherine Heigl, vencedora do Emmy por GREY’S ANATOMY e Rachel Griffths (BROTHERS & SISTERS) e embora goste das duas, fico me perguntando por que mais uma vez Heigl é indicada enquanto Sandra Oh, ainda superior a colega de elenco, é praticamente ignorada. Será que eles não indicam gente feia?! A pergunta é absurda, mais ao menos explicaria tamanha injustiça.
por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

MAIS DO MESMO: UGLY BETTY, GOSSIP GIRL E HOUSE

Atualizando enfim! Pra não passar Dezembro em branco.

Direto ao assunto: Semana fraquíssima tanto cinematograficamente, quanto televisivamente (a não ser a cena de OC que eu dirigi na aula de Direção de TV que ficou bacana). Atingi a marca vergonhosa de zero filmes vistos numa semana (a não ser alguns trechos em aula, de pornochanchada e cinema marginal) enquanto na tela menor minha vida se resumiu à segunda temporada de HOUSE (sobre a qual pretendo escrever em breve).
Fora isso UGLY BETTY teve um episódio de Halloween bacana, mas não tão bom quanto o da semana passada, que tinha Daniel Meade colocando chifres de renas e outros apetrechos natalinos em Wihelmina (apesar de que nesta teve o assistente de Wihelmina fantasiado de Betty e Betty vestida de borboleta).
E se UGLY BETTY teve uma pequena e compreensível queda no último episódio (afinal, nem LOST consegue se manter 100% sempre), GOSSIP GIRL sofre um tombo criativo, o que me faz começar a questionar os rumos de série. O episódio veio como prova de que o mocinho Nate é totalmente dispensável à trama (diferente de seu amigo Chuck), além de confirmar minhas suspeitas de que a série se perde sempre que tem as protagonistas, Serena e Blair, interagindo pouco. Para completar, o sofrível “date” de Serena e Dan me leva a crer que os dois têm tudo para manter uma relação “a la” Marissa & Ryan, ou seja, só me resta esperar até que uma versão 2.0 da Taylor apareça na série. Com diálogos extremamente bem escritos, GOSSIP GIRL começa a preocupar por perder cedo demais o fôlego de suas histórias. Neste quinto episódio, a antes nostálgica sensação de “deja vu” vista na série, torna-se agora incômoda, fazendo com que esta precise começar a repensar seus rumos e talvez a necessidade de se reinventar.
Por fim, nem mesmo HOUSE conseguiu ser sensacional na última quinta-feira (tarefa que o médico geralmente cumpre com êxito). Com histórias em excesso, “97 segundos” tem um início confuso com os médicos candidatos competindo por um diagnóstico, enquanto House se mantém intrigado com o caso de um segundo paciente e Foreman atende em seu novo emprego, num hospital de Nova York. Num episódio bastante fragmentado, que só melhora quando as diversas histórias começam a se interligar, HOUSE apresenta o mais fraco dos episódios desta excelente 4ª temporada (o que não quer dizer muito, pois HOUSE dificilmente é ruim) e prova que a série se mantém melhor quando segue sua velha e bem marcada formula narrativa. (Ah! House versão SURVIVOR foi ótimo!).

E por hoje é só!

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

domingo, 25 de novembro de 2007

A SEMANA EM SÉRIE

Recapitulando tudo o que houve de bom e de ruim na minha semana televisiva, descobri uma nova rotina já formada. Segunda é dia livre (ainda não vi a tão comentada SAMANTHA WHO? e confesso que não me atrai) e estou indo para a segunda temporada de GREY’S ANATOMY que provavelmente em breve fará parte do meu início de semana. Terça também é dia vazio (são dias em que geralmente vejo algum DVD ou fico com OS SIMPSONS na FOX, já que a raposa tirou FAMILY GUY e jogou pra o FX, que por um acaso não chega aqui em casa).
Quarta é concorrência desleal! Tem UGLY BETTY na SONY e CHUCK na Warner no mesmo horário. Sorte é que não cheguei à terceira temporada de DESPERATE HOUSEWIVES, série que com certeza merece um post à parte neste blog.
Quinta, como já disse num post anterior, é dia sagrado. As oito tem GOSSIP GIRL, a versão chique e (mais) dramática de uma das minhas favoritas, THE OC. Um intervalo e temos HOUSE na Universal, seguido de HOUSE na Record.
A sexta-feira é desanimada já que não vejo HEROES e aguardo ansioso o lançamento de FRIDAY NIGHT LIGHTS em DVD para acompanhar a série decentemente. Sábado idem (ontem acabei vendo CEMITÉRIO MALDITO as duas da manhã no TELECINE CULT).
Domingo é dia de ver o que não foi visto, CHUCK, no caso, já que divide horário com BETTY. Em meio a tudo isso, a pessoa estuda, come, dorme e tenta levar uma vida normal.
Vamos ao que interessa! Quarta. Ótimo episódio de UGLY BETTY. A transformação de Betty, paralela a de Wilhelmina já vale o episódio. E por falar em Wilhelmina, conhecemos um pouco mais da vilã, numa tentativa estereotipada de humanizá-la através de um novo personagem que aparece no episódio (e lembrem-se; em UGLY BETTY, quanto mais caricato e estereotipado, melhor!). Mas o que mais me desperta interesse é a vilã-mor, aquela versão feminina do cruzamento de Darth Vader com Darth Sidious, dá qual só conhecemos a voz (ela sempre aparece como uma sombra, num cenário meio sinistro).
Quinta. GOSSIP GIRL. O constante embate entre Serena e Blair surge como um dos pontos altos dos episódios, ao lado de Chuck, o vilãozinho arrogante que tem algumas sacadas interessantes. Alias, Blair e Chuck despontam como os melhores personagens de GOSSIP, já que Serena em seus piores momentos nos remete à Marissa “Chata” Cooper, Nate é um verdadeiro paspalho e falta muito para que o simpático Dan se torne um bom Seth Cohen. O episódio teve tudo aquilo que uma boa série teen tem direito, ou seja, barracos, triângulos amorosos, adolescentes problemáticos com pais mais problemáticos ainda. Por fim, a história do irmão de Serena pode ser batida, mas deve render bons frutos ainda para alguns episódios.
(ps: a narração em off da Verônica Mars é ótima).
Ah! A volta do Dr. House! Sem Cameron, sem Foreman, sem Casey, só House, Wilson, Cuddy e o faxineiro do hospital (que se fingindo de médico, obrigado por House, me fez dar boas risadas!). O caso nem foi dos mais interessantes, mas seu desfecho sim foi sensacional. E a disputa de seqüestros entre House e Wilson rendeu os melhores momentos do episódio, ressaltando a veia cômica da série. Dentro de alguns episódios devemos ter os fiéis escudeiros de House de volta, mas, apesar das ausências sentidas, esse primeiro episódio vem para comprovar o que há muito já sabíamos; House por si só já basta.
Fechando a semana, um episódio divertidíssimo de CHUCK, o que me leva a crer que a veia cômica que Josh Schwartz tinha em THE OC (principalmente na temporada final), e que não está presente em GOSSIP GIRL, está toda na série. CHUCK tem um elenco afinado, Zachary Levi está excelente no papel de protagonista, as cenas de ação são bem feitas e o humor pastelão mistura-se bem ao clima de investigação da série. Por ser uma diversão despretensiosa acaba tornando-se ainda melhor, justamente por não se levar a sério.
E assim, foi-se a semana, passou-se o domingo e eu perdi não só o programa TENTAÇÃO como a final da DANÇA NO GELO. Um baque muito forte do qual tentarei me recuperar (tom irônico)... Até.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

sábado, 24 de novembro de 2007

A SUPREMACIA BOURNE

Um agente internacional extremamente bem treinado perseguido ao redor do mundo por inimigos distintos. Soma-se aí a ação de tirar o fôlego e um dedinho a mais de verossimilhança. Não, não estou falando da franquia 007 (mesmo porque, com exceção de CASSINO ROYALE, de verossimilhança James Bond não tem nada) e sim de Jason Bourne, o herói moderno dos filmes de ação.
Seqüência de A IDENTIDADE BOURNE, de Doug Liman, A SUPREMACIA BOURNE (que chega com alguns anos de atraso ao meu DVD) muda de mãos sendo dirigido por Paul Greengrass (VOÔ UNITED 93, DOMINGO SANGRENTO) dando um salto de qualidade a uma franquia que já começara bem.
Interpretado por Matt Damon (OS INFILTRADOS), o amnésico agente Bourne tem o fim de uma trégua de dois anos quando volta a ser perseguido por agentes da CIA e um grupo de criminosos russos. Na busca pelo seu passado, Bourne é seguido de perto por seus inimigos sem ao menos saber o porquê.
Contando com uma história bem elaborada desde o início da série, A SUPREMACIA BOURNE traz não só um roteiro consistente, mas um protagonista bem estruturado. Se antes Bourne já era um personagem interessante pelas incógnitas envoltas em seu passado, aqui revela-se uma figura trágica, movida pela angústia e pela busca da verdade.
O desempenho de Matt Damon é assustador (no bom sentido) pela dimensão que o jovem o jovem ator dá a uma figura de tamanha complexidade como Bourne. Já Paul Greengrass assume sua câmera nervosa (já vista em seus trabalhos anteriores) utilizando-se de movimentos e zooms rápidos que, somados aos planos freneticamente editados, realçam a atmosfera de urgência envolta ao filme.
Greengrass acerta ainda no clima de verossimilhança que dá ao projeto, algo já visto no episódio anterior e que segue a tendência atual de ter sempre um pezinho no real. Assim, as seqüências de ação de A SUPREMACIA BOURNE mesmo sendo incríveis, são, em sua grande maioria, também possíveis.
Vale ainda destacar o talento de Greengrass e do fotógrafo Oliver Wood pela competência ao explorar e diferenciar as várias locações do filme, que foi rodado em nada menos do que seis países (Índia, Alemanha, Holanda, Itália, Rússia e EUA). Além dos enquadramentos belíssimos, a fotografia altera o tom a cada mudança de nacionalidade.
A SUPREMACIA BOURNE não só reafirma o talento de Matt Damon, como ainda faz Paul Greengrass despontar como ótimo diretor de ação. Acima de tudo, faz com que eu me arrependa de não ter visto a essa segunda parte da trilogia antes e me anima a ir até a locadora mais próxima em busca de O ULTIMATO BOURNE, o desfecho da saga lançado este ano.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

HOUSE X GREY'S ANATOMY

Ambientes hospitalares não são novidades na televisão norte-americana; prova disso são as veteranas ER, em sua 14ª temporada, e Scrubs, na 7ª. Há exatamente quatro temporadas, duas novatas passaram a integrar o grupo de séries baseadas em casos médicos, com a diferença do sucesso infinitamente maior, mantendo uma audiência que há muito suas já citadas companheiras não conquistam.
HOUSE M.D. e GREYS ANATOMY baseiam-se na premissa do cotidiano em hospitais, mas divergem em seus pontos de vista sobre o tema.
Em HOUSE, somos apresentados ao médico ranzinza que dá nome à série e sua equipe, responsáveis pelo departamento de diagnóstico. Figura amargurada e sarcástica, viciado em analgésicos entorpecentes, Dr. Gregory House é considerado um dos mais competentes profissionais não só no hospital – Princenton Plainsboro - em que atua como no estado de New Jersey e nordeste americano, e por isso mesmo, não tem limites em sua conduta, equilibrando-se sempre entre sua genialidade e a absoluta falta de ética.
O personagem defendido por Hugh Laurie (duas vezes vencedor do Globo de Ouro por sua atuação) acaba sendo o grande trunfo da série. HOUSE tem como protagonista um personagem que vai além do anti-heroísmo; um protagonista meticulosamente bem construído, que trilha fronteiras entre o bem e o mau sem entregar-se a maniqueísmos, e cuja conduta profissional é questionável. Um personagem no mínimo subversivo.
Em contraponto ao Dr. House, os cinco demais personagens que habitam a série, tentando a todo instante questionar as atitudes do médico e propor uma “cura” ao caráter ambíguo deste.
Não fosse o luxo de ter um protagonista de peso, HOUSE provavelmente passaria despercebida diante do número de séries que circulam pela TV norte-americana, já que conta com uma estrutura narrativa absolutamente convencional. A cada episódio, somos apresentados através de um prólogo a um novo personagem, que virá a adoecer e passar pelas mãos de House e sua equipe (algo já utilizado na extinta SIX FEET UNDER).
A partir daí a narrativa se desenvolve sem grandes novidades de linguagem: o personagem surgido no prólogo, que estava em sua normalidade, adoece, House e sua equipe discutem o caso, surgem complicações, para no final, o caso ter sua conclusão, que nem sempre é positiva.
Com episódios fechados, a doença de cada personagem surge como a perturbação da normalidade, desencadeando o conflito. Enquanto House, Cameron (Jenifer Morrison), Foreman (Omar Epps) e Chase (Jesse Spencer) lutam contra seu prazo final (o que levará ao clímax), o paciente sofre complicações esporádicas que pontuam bem os turn-points do episódio. Por fim, há a conclusão do caso (geralmente mirabolante) e o episódio termina centrado em seu protagonista ou em alguma questão relacionada a ele.
Repleto de diálogos ácidos e um sarcasmo sagaz e espirituoso, House faz com que a série caminhe por um terreno transitório entre a comédia e o drama (algo que ocorre com outras séries como a já citada GREY’S ANATOMY e DESPERATE HOUSEWIVES), sendo uma obra de gênero bastante ambíguo. Não hesita, porém, em adotar o melodrama sempre quando necessário, algo perdoável diante da complexidade de seu personagem central.
Com uma estrutura narrativa fechada na maioria dos episódios, HOUSE erra a mão sempre que tenta seguir a tendência de “novelização” de outras séries. A companheira GREY’S ANATOMY, por sua vez segue o estilo novelinha em todos os seus marcadores. Baseando sua trama num grupo de médicos residentes do Hospital Seattle Grace, GREY’S ANATOMY traz uma legião de personagens envolvidos em tramas paralelas, que grande parte das vezes se desenvolve durante episódios a fio; um estilo narrativo adotado atualmente em boa parte dos seriados americanos e provavelmente responsável pela quase morte dos sitcoms.
Além de contar com a onisciência narrativa da câmera, GREY’S ANATOMY segue a tendência da voz off narrando os acontecimentos de cada episódio (recurso recentemente adotado também em séries como DESPERATE HOUSEWIVES, GOSSIP GIRL e no filme PECADOS ÍNTIMOS). Narrado por sua protagonista, a Dra. Meredith Grey (Ellen Pompeo), GREY’S adota uma linha diferente da de HOUSE ao deixar os pacientes de lado e focar-se no relacionamento entre os médicos da trama, as competições no mercado de trabalho e a cansativa rotina dentro de um hospital. Ambas, porém, compartilham o levantamento de questões sociais e morais espalhadas história afora.
Apesar da estrutura narrativa clássica, GREY’S ANATOMY constantemente exibe uma linguagem videoclipe quando narra os desdobramentos de suas histórias. Assim, não raramente vemos uma edição rápida, acompanhada de uma trilha sonora pop em meio ao episódio. Os episódios, por sua vez, terminam sempre com um gancho capaz de trazer o espectador de volta na próxima semana.
Considerada uma série “tapa-buraco”, GREY’S ANATOMY estreou sem grande alvoroço na mid-season americana, tornando-se logo depois um hit, seguindo a atual tendência de séries-novela inaugurada por LOST e 24 HORAS (tendência que para nós brasileiros não é novidade, ou nossas telenovelas estariam falidas). Já HOUSE garante-se através de seu protagonista e seus diálogos, já que sua estrutura narrativa funciona, mas é batida e conservadora.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A LOJA MÁGICA DE BRINQUEDOS

Antes do início da sessão de A LOJA MÁGICA DE BRINQUEDOS, já havia percebido que ali, eu era a exceção. Em meio a uma sala cheia, eu era provavelmente o único cidadão maior de idade que não estava acompanhando os filhos durante uma tarde no cinema.
Claro que eu sabia que se tratava de um filme infantil; só não imaginava que A LOJA DE BRINQUEDOS além de ser um filme unicamente voltado aos baixinhos, era, sobretudo, um filme ruim.
Dirigido e escrito por Zach Helm, elogiadíssimo roteirista de MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO, o filme estrelado por Dustin Hoffman e Natalie Portman não só é um amontoado de clichês vistos em inúmeras outras histórias infantis, como não decola em momento algum, seja pela pouca criatividade em sua direção, ou até mesmo por sua fragilidade narrativa.
A trama gira em torno de Mr. Magorium (Hoffman) e sua mágica loja de brinquedos, administrada por ele e pela gerente Molly Mahoney (Portman), uma pianista frustrada por não ter dado certo em sua carreira musical.
Tanto Magorium, quanto Mahoney acreditam na magia da loja sem em momento algum questionarem-se sobre ela, e assim, somos apresentados logo de cara ao fantasioso mundo do filme. O problema é que toda a magia deste universo é apresentada de forma rápida e superficial demais, sem jamais nos permitir penetrar mais a fundo na loja e nos personagens que a habitam. Visualmente parecida com as obras de Tim Burton (PEIXE GRANDE, A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATES), A LOJA MÁGICA DE BRINQUEDOS acerta em seu visual arrebatador, com uma direção de arte e efeitos especiais à altura do universo mágico que deveria ter sido criado. Infelizmente, Zach Helm, estreante no papel de diretor, trilha caminhos diferentes do experiente Tim Burton, criando uma narrativa cinematográfica sem grande criatividade, e jamais se aprofundando no mundo por ele criado e muito menos em seus protagonistas.
Assim, enquanto Mr. Magorium quase se torna um Willy Wonka canastrão (que só se salva graças ao talento de Dustin Hoffman), Natalie Portman exibe carisma e simpatia numa personagem que não tem muito mais a oferecer. Fechando o elenco, Jason Bateman vive um contador que antes incrédulo na magia da loja, transforma-se completamente devido a repentina paixão que tem pela personagem de Portman, além do garotinho Zach Mills, que encarna mais uma dessas criancinhas gênios que habitam o cinema de Hollywood.
Baseado numa trama totalmente escassa de conflitos, A LOJA MÁGICA DE BRINQUEDOS erra completamente a mão ao se afastar de seu cenário principal durante boa parte da projeção. Num ano em que tivemos o sensível PONTE PARA TERABÍTIA, surge apenas como um entretenimento mediano para crianças menores e dificilmente atingirá ao expectador mais adulto, algo que tanto TERABÍTIA, quanto as duas versões da FÁBRICA DE CHOCOLATES cumpriram com êxito.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

GOSSIP GIRL

O 2º episódio de GOSSIP GIRL, de Josh Schwartz (CHUCK) me fez ter certeza do quão bacana é a série, tão parecida, e ao mesmo tempo tão diferente da irmã THE OC. Se em Newport Beach, a trama era centrada em jovens pertencentes às famílias ricas californianas, em GOSSIP GIRL as coisas mudam um pouco de figura, pois já não basta ter dinheiro; tem que ter acima de tudo, nome e tradição.
GOSSIP GIRL acompanha a trajetória de Serena van der Woodsen (Blake Lively, QUATRO AMIGAS E UM JEANS VIAJANTE), a garota pop da escola, que após transar com o namorado da melhor amiga, simplesmente some durante um ano sem dar satisfações a ninguém. De volta ao colégio, Serena percebe que as coisas já não são como antes, e encontrará na ex-amiga Blair (Leighton Meester, VERÔNICA MARS e 24 HORAS) sua principal rival. Tudo detalhadamente narrado no blog de uma misteriosa figura que se autodenomina a tal gossip girl; uma narradora onisciente que comenta a vida deste grupo de adolescentes nova-yorkinos sempre de maneira ácida e sarcástica (feita pela ótima Kristen Bell, ex-VERÔNICA MARS e atual HEROES).
A principal diferença de GOSSIP GIRL se comparada a THE OC, é o fato da série não ter os traços cômicos contidos na segunda. GOSSIP GIRL é mais densa não só em sua narrativa, mas também em seu visual. O cenário escolhido é uma fria e nublada Nova York, a fotografia é pálida, os figurinos pesados e a maquiagem exagerada, fazendo com que os personagens pareçam verdadeiras bonecas de porcelana. Completamente diferente da ensolarada Orange County.
A construção de personagens nas duas séries também toma caminhos opostos (pelo menos por enquanto). Embora OC também retratasse um mundo de ricos cheio de futilidades, os relacionamentos humanos eram mais intensos e verdadeiros, enquanto que em GOSSIP GIRL a relação entre os personagens é pouco natural e a série passa a concentrar-se num mundo mais competitivo e em jovens menos inocentes do que eram Ryan, Seth, Summer, Taylor e Marissa (que também eram menos inocentes que Dawson, Joe, Pacey e Jen; que por sua vez eram menos inocentes do que Brandon, Kelly e Donna; e assim por diante...).
A mão de Josh Schwartz na série é visível. Seu dom de transformar um amontoado de clichês em diálogos espertos e cultura pop é perceptível do início ao fim deste 2º episódio (uma das músicas tocadas, salvo engano do “Rooney”, já havia aparecido em OC). No mais, fica a impressão de que Schwartz deixou-se influenciar por SKINS, série adolescente inglesa (exibida pela HBO) que com poucos pudores, vai direto ao ponto no que diz respeito aos dilemas e problemas enfrentados pela juventude atual.
Bem-amarrada, GOSSIP GIRL manteve um bom ritmo durante todo o episódio. A série que teve a temporada completa encomendada (o que não significa muito diante da greve dos roteiristas), ainda tem futuro incerto (sua audiência esteve baixa, em torno de 3 milhões de espectadores), porém, pode garantir uma segunda temporada por pertencer a um canal menor, a CW. A princípio mostra-se eficiente e interessante, mas deve tomar cuidado em não ficar densa demais a ponto de espantar seu público-alvo; os adolescentes (algo já ocorrido à THE OC em sua 3ª temporada). E afinal, um pouco de humor não faz mal a ninguém!
por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

O 2º UGLY BETTY E GREYS ANATOMY

Adoro UGLY BETTY! É novelinha, é brega, mas é muito, muito divertida. No segundo episódio (exibido hoje pela Sony), Betty leva pra casa o book da revista Mode (um tipo de pré-edição da revista; maiores detalhes em O DIABO VESTE PRADA) que acaba sendo roubado por uma vizinha vingativa. A partir daí, tudo passa a dar errado para Betty e Henry (seu chefe), que iniciam um verdadeiro corre-corre atrás do tal livro. O episódio tem tudo aquilo já visto no anterior, mas num ritmo mais acelerado, e com muito mais turn-points. Há inúmeros momentos divertidos (como o seqüestro do coelhinho de pelúcia de Betty) e a inserção de certo mistério na trama, envolvendo Bradford (Alan Dale, THE OC) o dono da Mode, além de outras publicações, e uma vilã enigmática, que em momento algum revela seu rosto (o que me leva a lembrar de Darth Sidious, de STAR WARS; é por isso que eu amo essa série, justamente por não ter medo de ser ridícula ou caricata).
Por fim, UGLY BETTY sabe como agilizar sua história baseada numa telenovela, fazendo com que a série não perca suas origens, mas não se arraste capítulos a fio num único conflito (a historinha do book perdido me lembrou a do diário perdido na novela A URSUPADORA, que eu assisti quando era criança; ok, é vergonhoso, eu sei...).
Só estragou mesmo a legenda mal-feita do episódio, já que todas as vezes em que a palavra book era usada, ela era traduzida como “boneco”! Mas de legendas mal-feitas a TV ta cheia...

Fiz uma maratona da primeira temporada de GREY’S ANATOMY, vi até o episódio cinco e estou adorando. A trama da Doutora Grey e seus colegas é bem diferente da de HOUSE, focando-se mais na competição entre os profissionais da área e nas dificuldades do dia-a-dia dos médicos do Seattle Grace (ainda bem, já pensou se GREY’S, HOUSE, ER e SCRUBS seguissem todas uma linha parecida?). Ah, e teve uma balada muito louca num dos episódios, fiquei até com vontade de ser médico para estar lá! Balada, nem sei mais o que é isso...

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

domingo, 11 de novembro de 2007

UGLY BETTY, CHUCKY E DAWSON'S CREEK

Hoje duas séries garantiram temporada completa na minha programação. A primeira delas, nada mais é do que a versão norte-americana de uma novela colombina já exibida no Brasil. Estrelada por America Ferrera (QUATRO AMIGAS E UM JEANS VIAJANTE), UGLY BETTY mostra-se de cara uma série exageradamente caricata e repleta de clichês. E o melhor; tudo feito propositalmente! Em UGLY BETTY cada detalhe é extremamente bem marcado; os personagens estereotipados, o arco dramático do episódio, a trilha sonora presente a todo instante (com direito a violinos nos momentos de forte emoção). Tudo com cara de novela, mas infinitamente mais exagerado, buscando transcender o realismo e dando a série um ar de conto de fadas kitshy.
Logo no primeiro episódio, os papéis são bem definidos; Betty é uma versão cafona da gata borralheira, o mocinho playboy o príncipe encantando idealizado, a tal Wilhelmina a madrasta má, etc, etc, etc... Há também referências bem humoradas (como quando um personagem diz que Betty e algumas colegas de trabalho são a versão feia de SEX AND THE CITY), além de um apelo visual irresistível vindo a da direção de arte (os figurinos são ótimos e engraçados; Betty vestida com uma bata estampada de Guadalajara me fez rir por alguns bons minutos).
Resumindo, UGLY BETTY é uma versão despretensiosa e cafona do filme O DIABO VESTE PRADA, uma série que não tem medo de se “auto-ridicularizar”, uma série que não se leva a sério. E é justamente isso que faz tudo ficar tão mais divertido.


A segunda do dia foi CHUCKY, e confesso que preciso me segurar para não chamar Josh Schwartz de gênio. Em CHUCKY, Schwartz utiliza-se de elementos que fizeram de seu trabalho antecessor (a badalada THE OC) um sucesso: diálogos espertos, personagens carismáticos e uma trilha sonora pop (elementos também presentes em GOSSIP GIRL). Adicionam-se à receita ótimas cenas de ação e um clima de pastelão impagável e pronto, CHUCKY têm lugar garantido na minha programação (nas reprises, pois a exibição oficial bate com o horário de UGLY BETTY). Agora, é torcer para que a greve dos roteiristas não dure muito, pois a série ainda não tem todos os episódios escritos, e pode ser encurtada por conta disso.

Fora essas duas, vi dois episódios da segunda temporada de DAWSON’S CREEK (o quinto e o sexto). Gosto da série, acho bonitinha, mas confesso que há algumas coisas que me incomodam, principalmente o fato de alguns personagens bastante próximos praticamente não interagirem uns com os outros. Foi assim no começo da primeira temporada, quando os melhores amigos Dawson (James Van Der Beek) e Pacey (Joshua Jackson) praticamente não se encontravam em cena já que Dawson corria atrás da nova vizinha Jen (Michelle Williams), enquanto Pacey ocupava-se tendo um caso com a professora de inglês (enquanto isso, Joey ficava pelos cantos chorando por Dawson, o que me dava uma vontade louca de entrar na televisão e traze-la para minha casa. Infelizmente, Tom Cruise chegou antes). Oras, se a amizade dos dois é tão forte, por que não vimos isso logo no início da série, quando nos são apresentados os personagens? A impressão que dá, é que os roteiristas foram com muita sede ao pote e trouxeram logo de cara um monte de situações de conflito, sem se preocupar em nos apresentar a pequena Capeside e seus moradores.
Algo semelhante ocorre na relação de Dawson com os pais. Não sei se eu fui mal acostumado com os Cohen (que estavam sempre ali ao lado de Seth e Ryan), mas o fato é que os Lerry passaram a primeira temporada toda mais preocupados com os problemas próprios do que com o filho. Pois bem, nesta nova temporada eles resolveram enfim se preocupar com Dawson fazendo uma vigilância cerrada para que ele e Joey não mantenham uma vida sexual. Convenhamos, um pouco tardia essa preocupação, já que a garota dorme desde o começo da série no quarto do amigo/namorado.
Por fim, os irmãos Andie (Meredith Monroe) e Jack (Kerr Smith), que, salvo o engano, contracenaram juntos hoje pela primeira vez, no sexto episódio da temporada. Alias, com Joey (Katie Holmes) cada vez mais chata (estou odiando essa crise existencial que ela anda passando), Andie desponta como uma das melhores coisas do seriado.
Enfim, nesse começo de segunda temporada, vemos o fim do casamento dos Lerry, Jen voltando a ser uma bitch, Dawson sendo Dawson (ou seja, alternando momentos racionais com outros onde ele é um verdadeiro palerma) e Joey numa crise existencial adolescente chatíssima, que eu só relevo mesmo por ser a Katie Holmes.

Maiores detalhes e informações no próximo post.


por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

sábado, 10 de novembro de 2007

PLANETA TERROR


Zumbis famintos por carne humana, litros e litros de sangue película afora e, é claro, mulheres lindíssimas cujo número de armas é inversamente proporcional ao número de peças de roupas. Não, não estou falando de mais um filme da irregular franquia RESIDENT EVIL, e sim de PLANETA TERROR, uma homenagem do diretor Robert Rodriguez aos filmes trash da década de 70.
Concebido como a primeira parte do projeto GRINDHOUSE (a segunda é À PROVA DE MORTE, de Quentin Tarantino), PLANETA TERROR traz aquilo que todo bom filme de horror B deve apresentar, ou seja, pouca história, personagens bem marcados e sustos e mais sustos regados à base de muita carnificina.
O resultado é uma narrativa frágil, como era de se esperar, mas nem por isso menos divertida, graças aos marcadores do gênero presentes a todo instante na tela: a começar pelos letreiros amarelos, passando pela trilha sonora ultrapassada, até chegar a uma legião de personagens clichês (o médico psicopata, a “enfermeira” sexy e perigosa, a stripper injustiçada), defendidos por interpretações bastante caricatas.
Resumindo, aquilo que faria de qualquer outro companheiro do gênero um filme ruim, faz de PLANETA TERROR uma obra despretensiosa e divertida que transforma supostas deficiências técnicas em linguagem: durante a projeção há inúmeros efeitos que nos dão a impressão de sujeira na película e película queimada, além da sacada genial do letreiro nos comunicando a falta de um dos rolos em meio ao filme, fazendo com que a narrativa dê um salto no mínimo interessante.
Com participações de Bruce Willis (DURO DE MATAR 4.0) e Naveen Andrews (LOST), PLANETA TERROR é protagonizado pelo ótimo trio formado pela bela Rose McGowan (CHARMED), uma stripper que tem a perna substituída por uma metralhadora, Marley Shelton (SIN CITY), uma médica anestesista sexy e misteriosa, e Freddy Rodriguez (SIX FEET UNDER), que com uma interpretação canastrona, dá vida à El Wray, um típico mocinho fora-da-lei.
Completando a diversão, uma cena de sexo digna do Cine Band Privé, além de um falso trailer, dirigido pelo próprio Rodriguez, parodiando filmes de ação dos anos 70.
PLANETA TERROR deve agradar principalmente aos fãs dos extintos cinemas Grindhouse (salas especializadas em filmes de horror trash), afinal, cumpre com êxito aquilo a que se propõe. Sua única ressalva está na violência exagerada utilizada nas matanças filme a fora (aliás, muito bem-feitas para uma obra que propõe mimetizar o cinema trash), que certamente não agradará àqueles com um estômago mais frágil.


por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

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FOX exibindo CLUBE DA LUTA, TELECINE, CASSINO ROYALE, enquanto a Warner passa O APANHADOR DE SONHOS. Isso sim é que eu chamo de concorrência desleal...

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

A NOVA "OC" GOSSIP GIRL, THE BEST YEARS E A GREVE DOS ROTEIRISTAS

Ontem, no auge do meu entusiasmo por HOUSE, acabei me esquecendo de comentar duas estréias que assisti na Warner e na Sony (ou pelo menos parte delas). Primeiro, vi os últimos 15 minutos de GOSSIP GIRL (Warner), a nova série de Josh Schwartz, que na verdade é bem parecida com THE OC, também de Josh. Tanto que na cena em que Blair conversa com a mãe, juro que vi Julie Cooper dando “conselhos” para a chatonilda da Marissa num dos primeiros episódios de OC. Até mesmo os argumentos das mães eram parecidos (algo do tipo “aproveite enquanto é jovem, bonita, rica e popular”). Talvez acabe me rendendo à série (sou um órfão de THE OC, embora esteja assistindo DAWSON’S CREEK e tenha baixado SKINS), mas a primeira vista, faltam os diálogos bem acabados, os personagens carismáticos e o bom humor que fizeram de THE OC um sucesso. Resumindo, falta Seth a GOSSIP GIRL. E Summer. E Taylor. E Julie. E os Cohen... (*&%$#! Por que THE OC tinha que acabar?).
Mudando da Warner para a Sony, vi o primeiro episódio de... (A série me marcou tanto que esqueci o nome)... Pronto! Lembrei! THE BEST YEARS, a história de uma órfã que vai para a universidade. Uma série bem certinha, bem convencional e bem dispensável, daquelas para se ver como última opção. E a julgar pelo número de episódios (13), deve fazer parte da mid-season americana. Ou seja, provavelmente ficará de fora da minha programação.
Para fechar o post, uma foto do elenco de UGLY BETTY numa passeata de apoio à greve dos roteiristas. Minha opinião sobre o assunto? É hora de eles contratarem mão-de-obra latina (risos). Ok, ok; eu sei que pessoas como eu desmerecem a classe, mesmo porque eu nem ao menos pertenço a ela (ainda)! Só espero que tudo acabe bem, e o mais importante, RÁPIDO, pois rolam boatos que caso a greve se prolongue demais, coisas bobinhas como LOST só em 2009! (e eu definitivamente não sei se agüento tanto assim).

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

E DEUS DISSE: "GUARDAI AS QUINTAS DE FESTA". POR QUÊ? DESCUBRA ABAIXO...

Quinta-feira é dia sagrado. Pelo menos para mim. O por quê de tanta devoção? É simples: quinta-feira é dia de sessão dupla de HOUSE. E hoje finalmente assisti ao tão comentado episódio em que o médico mais ranzinza da televisão (usando uma descriçãozinha bem clichê para um personagem que vai muito além do mau-humor) encontra alguém tão cretino quanto ele próprio (em negrito pois é justamente este o nome do episódio). É sempre interessante ver House ser desafiado por alguém, algo que, como dito no episódio, acontece pouco, já que Cameron o ama, Chase o teme, Wilson o considera um amigo e Cudy é sempre contrariada pelo médico quando tenta lhe impor limites. Restam Foreman, que como ficou constado, está prestes a deixar a equipe, e, especialmente neste episódio, um menino de caráter duvidoso, que de tão pentelho que é até a mãe deixou de suportar. Um personagem no mínimo interessante para encarar House, e que, sobretudo, foge do estereótipo dos pacientes bonzinhos que passam pelas mãos do médico (especialmente em se tratando de adolescentes). O resumo da ópera, um episódio bem elaborado, com ótimas sacadas, diálogos espertos, uma trama bem definida e uma subtrama tão eficiente quanto a principal (Quem sabotou Foreman?).
O segundo episódio não passou do mediano. Já explico: é que terminado o episódio da Universal, mudo de canal correndo para ver a exibição da Record, que exibe episódios da 2ª temporada dublados, o que para mim, já faz perder boa parte da graça. Mas a ânsia para ver mais uma hora do mau-humor de House (e conseqüentemente, da beleza da Doutora Cameron) fala mais alto e me faz engolir até mesmo a dublagem mal-feita. (Não desmerecendo a Record que ao menos transmite a série num horário mais ou menos decente, e não as 3:30 da manhã...).
Sobre o episódio, uma trama apenas regular, com direito a uma família de imigrantes mexicanos totalmente estereotipada; enfim, nada que se compare aos melhores momentos da série. Vale mesmo é pelo fato de centrar-se na Doutora Cudy, dando maior dimensão a uma personagem que certamente não está ali apenas para contrariar House.

Bom, por hoje é só! Agora vocês sabem porque as quintas-feiras eu durmo mais feliz, e sobretudo, sabem que não devem ligar ou fazer visitas entre as 23:00 e a 01:00 deste dia.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

PENSAMENTOS ALEATÓRIOS: COISAS COMO VERÔNICA MARS, FANTASIA E CARLA PEREZ

Que comecinho de semana, hein! Primeiro o costumeio trajeto de ônibus Bauru-Curitiba (cerca de 8 horas de viagem), seguido por um trabalho sobre a Atlântida feito em tempo recorde de 30 minutos, um roteiro (ou pelo menos o começo dele) escrito as pressas durante a madrugada, um batalhão de aulas e amanhã trabalho de fotografia, isso se não vier uma provinha por aí...

Fora isso, tinha me programado para ver as estréias da TV a cabo esta semana e consegui a façanha de fugir completamente da programação e assistir absolutamente nada! Mas o absurdo dos absurdos, foi há alguns dias, quando em plena madrugada fazia eu um tour pela televisão e de repente dei de cara com um programa que marcou (no mau sentido) a minha infância. Uma dica: ele era apresentado por ninguém mais, ninguém menos que CARLA PEREZ! Pois é, quando eu penso que o SBT não tem como piorar, aparece o tio Silvio e dá um jeito (embora tenha que admitir que o TENTAÇÃO faz dos meus domingos dias mais alegres; ficando em segundo lugar na minha preferência apenas porque é dia de DANÇA NO GELO). Mas a revolta maior foi ver que depois do tal FANTASIA, vinha um episódio da super-bacana e injustamente extinta VERÔNICA MARS, a série que todos conspiram para que ninguém veja, já que o SBT leva ao ar as 3:30 da matina e o a TNT por volta das 3 da tarde, DO SÁBADO!!! Ou seja; obrigado por nada!

A surpresa boa dos últimos três dias foi o filme do Babenco (O PASSADO), sobre o qual talvez eu escreva aqui mais pra frente. Ou não...
por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

domingo, 4 de novembro de 2007

A SEMANA: "WILL & GRACE", "SMALLVILLE", "GILMORE GIRLS", "DAWSON'S CREEK", "TERABÍTIA" E A ARTE DE REVER AS COISAS

E a palavra da semana é rever! Revi alguns filmes, algumas séries, e uma ou outra coisa inédita. De novo mesmo, a 1ª temporada da divertidíssima WILL & GRACE (desculpem os fãs de FRIENDS, também adoro a série, mas essa aqui dá de 10 a 0!), os dois primeiros episódios da badalada GREY’S ANATOMY (o mundo todo via menos eu; é bacana, mas continuo um fiel escudeiro de HOUSE), um episódio e meio de BROTHERS & SISTERS (a série é boa, mas aquecida a banho-maria, ou seja, devagar...) e dois episódios da 2ª temporada de DAWSON’S CREEK (tem n defeitos, mas é bonitinha demais para não ver). Cinematograficamente falando, apenas o novo filme de Stephen King, ou melhor, baseado nele (a crítica está no post abaixo).
No mais, revi os últimos episódios das temporadas de GILMORE GIRLS e SMALLVILLE. Não sou um fiel seguidor de nenhuma das duas séries, vejo apenas episódios esporádicos. Gosto do final dado às garotas GILMORE; sensível, bem-amarrado, deixando um gostinho de “quero mais” num happy end que está mais para “a vida continua; bola pra frente”.
SMALLVILLE é um caso a parte; sempre que via a série no SBT (acreditem ou não, vez ou outra eu passo por essa emissora) achava legal e tudo mais, até que recentemente resolvi assistir desde o começo. Não passei do primeiro episódio; achei tudo fake, tudo brega, tudo muito ruim (com exceção da Cloe, uma das melhores coisas da série). Tinha desistido por tempo indeterminado quando me vi em frente da TV para rever o último episódio da 6ª temporada, que havia assistido há alguns meses sem muita atenção.
O fato é que a desatenção foi tanta que passei despercebido para algo que fez a série cair ainda mais no meu conceito. (ATENÇÃO! SPOILER!) Que Cloe tinha poderes eu sabia, só não lembrava ao certo o como tudo acontecia. Bem, estava Lois lá caída, Cloe chega, pega a prima entre os braços, e eu na frente da TV penso: “seria muito brega se a Cloe curasse a Lois com uma lágrima”. Puf! Meu “desejo” se realiza e lá estava à garota mais bacana do seriado, chorando sobre o corpo de prima, a lágrima cai, surge uma luz branca e o resto acho que todo mundo já sabe! Resumindo, esse momento brega no “úrtimo” diminui ainda mais as chances de SMALLVILLE dar certo comigo.
Para compensar a vergonha alheia que tive da série do "superboy", só mesmo revendo um dos episódios mais tocantes de HOUSE. Não me lembro o nome do episódio ao certo; é um com uma menininha com câncer, faz parte da 2ª temporada. Super-melodramático, com direito a lições morais e a bela canção da Bird York, “In the Deep” (faz parte também da trilha de CRASH – NO LIMITE); enfim, um episódio capaz de levar a mais insensível das criaturas as lágrimas.
Para completar este breve resumo da semana, À ESPERA DE UM MILAGRE, ANACONDA (OK, esse é uma bomba, eu sei!) e DIRIGINDO NO ESCURO na TV a cabo, e hoje em DVD, numa sessão família, PONTE PARA TERABÍTIA, um filme que fala com bastante sensibilidade sobre a infância e sobre o qual pretendo escrever mais adiante.

E que venha a segunda-feira!


por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

1408

Assistir uma adaptação cinematográfica de Stephen King é quase sempre uma experiência inusitada, já que seus contos e romances têm chances de se tornarem tanto grandes clássicos como CONTA COMIGO, O ILUMINADO e À ESPERA DE UM MILAGRE, quanto coisas medíocres como O APANHADOR DE SONHOS ou a série NIGHTMARES AND DREAMSCAPES.
1408
, o mais recente longa baseado num conto do autor, atinge um meio termo agradável em níveis de qualidade; provavelmente nunca se tornará um clássico, mas é uma obra correta, que cumpre seu papel de narrar uma boa história, além de, é claro, assustar.
A trama gira em torno de Mike Enslin (John Cusack), um consagrado romancista, cujo passado é uma verdadeira incógnita, que é atraído para uma armadilha mortal que o levará a repensar seus próprios atos e crenças. A primeira vista, poderia estar falando de JOGOS MORTAIS, uma das mais badaladas e significativas franquias do cinema de horror nos últimos anos, não fosse o porém da pequena sinopse acima se encaixar também à inúmeras outras obras de suspense e terror. Indo direto ao ponto, a trama de 1408 não apresenta qualquer originalidade perante outros exemplares do gênero, e conta com clichês já exaustivamente explorados tanto pelo cinema afora, quanto pelo próprio Stephen King.
Em termos de linguagem, as inovações também são nulas; o filme conta com uma edição frenética, closes e movimentos de câmeras nervosos e uma irritante mania do cinema de horror recente, a de assustar o público através do som (percebam o recorrente truque da música do rádio-relógio, que sempre inicia abruptamente num volume alto em determinados momentos de tensão).
Mas o que realmente interessa em 1408 é sua habilidade em contar uma boa história (batida, mas boa) limitada ao pequeno espaço de um quarto de hotel (onde se desenvolve praticamente toda a trama). Apesar de algumas pontas soltas (a relação de Mike com o falecido pai, algo aparentemente importante no início da trama, é simplesmente ignorada a partir de certo ponto), o roteiro consegue desenvolver bem as situações propostas, prega alguns sustos criativos e, sobretudo, constrói um bom personagem: bem interpretado por John Cusack, é interessante ver o tom inicialmente descrente e sarcástico de Mike dar lugar a um protagonista frágil e amedrontado.
Co-estralado por Samuel L. Jackson (absolutamente dispensável), 1408 é um entretenimento interessante que por pouco não se compromete no final apelando para um cômodo “Deus ex Machina” (que felizmente é falso). Pode não ser genial, mas ganha minha simpatia pelo simples fato de não recorrer à carnificina de mal gosto promovida pelo concorrente JOGOS MORTAIS.

por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

SOBRE "BROTHERS & SISTERS" E "SIX FEET UNDER"

Assisti há alguns dias o primeiro episódio da badalada BROTHERS & SISTERS e não pude deixar de notar as inúmeras semelhanças entre as tramas da série estrelada por Sally Field e da extinta SIX FEET UNDER.
Em BROTHERS & SISTERS, somos apresentados aos Walker durante uma reunião familiar cujo intuito é comemorar o aniversário de Kitty (Calista Flockhart), uma dos cinco filhos do casal Walker. Mas a paz no lar dos Walker logo é perturbada pelo embate inevitável entre Kitty e a mãe Nora (Sally Field) (Kitty convencera o irmão caçula a lutar na guerra do Afeganistão, fato pelo qual não consegue o perdão da mãe), seguido pelo enfarte fulminante do patriarca da família, que por sua vez, escondia um grande segredo de sua esposa e filhos.
SIX FEET UNDER trazia um início parecido, também durante um momento de confraternização
familiar. É na véspera de Natal, que a família Fischer perde seu patriarca num acidente de trânsito (numa cena espetacular que abre com chave de ouro o primeiro episódio da série). O falecido Sr. Fischer ia a caminha do aeroporto buscar seu primogênito Nate (Peter Krause, de DIRTY SEX MONEY), que há anos abandonara a família (o mesmo ocorre quando conhecemos Kitty em BROTHERS & SISTER já que ela é a única dos filhos que vive distante dos pais). A vida dos Fischer vira de cabeça para baixo, quando Nate se vê obrigado a tocar a funerária da família (ele tem horror a cadáveres) ao lado do irmão homossexual David (Michael C. Hall, o DEXTER), um workaholic perfeccionista que não se conforma de ter que dividir o negócio pelo qual se dedicara a vida toda com o irmão. A família Fischer conta ainda com a caçula Claire (Lauren Ambrose), uma adolescente problemática que estava chapada no momento da morte do pai, e com a matriarca Ruth (Frances Conroy), que se sentindo culpada com a morte do marido, confessa aos filhos um caso extraconjugal que mantivera nos últimos anos.
As semelhanças entre ambas as séries está no arquétipo de seus personagens. Kitty e Nate são motivos de orgulho para os pais por terem sua independência, porém se vêm obrigados a encarar uma nova realidade quando a morte resolve aparecer. A revoltada Claire, está para Justin (Dave Annable); ambos usuários de drogas, os dois caçulas são constantemente alvo de reprovação de suas famílias. Michael, de SIX FEET UNDER, engloba outros dois conflitos vividos por dois personagens de BROTHERS & SISTERS; sofre por ter dificuldades em aceitar a própria homossexualidade, além de ser obcecado pelo trabalho, a ponto de dificilmente tirar o terno usado durante os funerais (assim como Kevin e Sarah, respectivamente).
As séries apresentam ainda em comum, o fato de terem um mesmo ponto de partida: a morte de um ente querido (no caso o chefe das duas famílias), desencadeando uma série de conflitos a serem discutidos por episódios afora.
Ainda em se tratando das coincidências, a presença de Rachel Griffiths no elenco fixo de ambas as séries (em SIX FEET ela era a problemática Brenda; em BROTHERS é a já citada workaholic Sarah).
Finalizadas as semelhanças, BROTHERS & SISTERS promete tomar rumos bem diferentes de SIX FEET UNDER. Enquanto a recém-estreada tem com principal trunfo tratar de assuntos políticos dentro de contextos familiares, valendo-se de muito melodrama (e ótimos diálogos) para tal; a série que retrata o cotidiano de uma funerária é um drama cínico, que toca em temas mais abstratos como a efemeridade da vida e a convivência diária com a morte.
Vencedora do Emmy de melhor atriz para Sally Field, BROTHERS & SISTERS é puro melodrama (gênero que nós brasileiros amamos, ou então nossas telenovelas estariam falidas), só que dos bons! Já SIX FEET UNDER (que tem sua última temporada sendo exibida pela Warner), é apontada pela crítica (ao lado de SOPRANOS) como uma das melhores séries dos últimos anos, sendo até mesmo considerada uma evolução em termos de linguagem televisiva. Na dúvida, vale conferir as duas!
por ALVARO ANDRÉ ZEINI CRUZ